Causas de maior volume ou de maior rentabilidade? Encontre seu ponto de equilíbrio

Causas de maior volume, mas de menor rentabilidade, ou mais lucrativas, mas que demandam mais tempo e dedicação? Muitas vezes o advogado causídico se depara com esse dilema, principalmente aquele que está começando no mercado e acabou de abrir seu escritório de advocacia.

Inicialmente, é preciso identificar as suas áreas preferenciais. Quais despertam mais interesse? Penal, Cível, Família, Trabalhista ou Previdenciária? Ao escolher uma ou mais preferidas, o advogado se sentirá mais motivado para se dedicar à sua tarefa de forma mais prazerosa.

Há alguns parâmetros que também podem ser levados em conta na escolha de uma área de atuação, como tamanho de mercado, perfil de demanda, concorrência e potencialidade de bons contatos com pessoas de tal segmento.

A situação atual da economia, com endividamento das famílias e leve estagnação, tendem a beneficiar, por exemplo, as áreas Trabalhista, Tributária, Cível Contratual e Recuperação de Créditos. Questões sociais e demográficas são fatores que tendem, na atualidade, a favorecer também a área Criminal.

Em longo prazo, a área Previdenciária também possui boa expectativa de demanda, por conta do envelhecimento a população em geral. Por conta da baixa concorrência, pois ainda há um número pequeno de advogados, a área de Família e Sucessões também tem bom potencial para o início de carreira do advogado causídico.

Uma análise importante que pode ser feita, principalmente nas áreas Previdenciária e da Família, é a da relação entre concorrência e demanda. Deve-se observar se, nos anos que virão, a tendência é aumentar a concorrência sobre a demanda.

No momento de escolher uma causa também deve-se selecionar aquela que não incorra em algum tipo de impedimento pessoal. Caso o advogado não se sinta à vontade ao defender uma causa em que não acredite, não há necessidade de fazer isso.

Dito isto, surge o dilema proposto no início deste tema. Defender uma ação em um Juizado Especial, por exemplo, pode terminar rapidamente, mas muito provavelmente resultará em rendimento menor do que um processo mais longo, que pode oferecer grande rentabilidade, mas também pode se estender por anos.

Encontrando o ponto de equilíbrio entre volume e rentabilidade

Ante esta dúvida, o ideal é adotar uma postura bastante usada em gestão empresarial, que é encontrar o ponto de equilíbrio. Entre os gestores, o ponto de equilíbrio ocorre quando o faturamento de uma empresa é equivalente ao seu custo total, sendo que a receita que surgir além desse ponto é lucro.

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No âmbito das causas judiciais, o ponto de equilíbrio resume-se em combinar processos longos e mais rentáveis com aqueles menos rentáveis, mas que ocorrem em maior volume. Essa postura equilibrada tende a ser benéfica principalmente aos advogados em início de carreira.

Ao escolher apenas um dos lados dessa gangorra, o resultado pode não ser satisfatório. Se forem priorizadas as causas de maior volume, a quantidade de processos necessários para se chegar a uma remuneração mais adequada exigirá maior esforço e dedicação do causídico, o que em termos de produção pode não ser compensatório. Por outro lado, causas mais rentáveis, via de regra, demandam paciência. Os processos tendem a ser mais longos e o tempo de espera para a conclusão pode provocar prejuízos ao advogado.

Sendo assim, o ponto de equilíbrio para o advogado causídico reside em encontrar um método em que se pode atuar tanto em ações de maior volume quanto naquelas mais longas e rentáveis. Promover um arranjo harmonioso entre o trabalho e rendimento é o caminho para um início de carreira bem sucedida.

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Comentários 1

  1. Parabéns pelo texto, eu tenho 15 anos de advocacia e ainda fico neste dilema. Eu tenho bastante volume mas constantemente fico pensando em deixar o volume e partir para a qualidade. A conclusão que chego é que temos que equilibrar, analisar para ver se vale a pena pegar o processo. Se vejo que não vale a pena pegar o processo dispenso o caso ou coloco um valor de pagamento inicial o que normalmente desestimula o contratante.

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