O que um advogado aprende com uma criança?

Advogado pode aprender foco, controle de prazos e estratégia com atitudes simples, sem perder técnica, ética e segurança jurídica.

user Tiago Fachini calendar--v1 25 de fevereiro de 2015 connection-sync 11 de agosto de 2026

Advogado é profissional indispensável à administração da justiça, nos termos do art. 2º da Lei 8.906/1994. Na prática, produtividade, foco e criatividade deixam de ser temas comportamentais e passam a impactar prazos, qualidade técnica, deveres éticos e responsabilidade civil na rotina jurídica.

A formalidade do Direito não impede aprendizados simples. Uma criança observa, pergunta, concentra energia em uma atividade e encontra soluções com poucos recursos. Na advocacia, essas atitudes ajudam a reduzir ansiedade operacional, organizar tarefas, melhorar a comunicação com clientes e transformar conhecimento jurídico em execução consistente.

O que um advogado pode aprender com uma criança?

Um advogado pode aprender com uma criança a priorizar presença, foco, curiosidade e imaginação disciplinada. Essas habilidades não substituem técnica jurídica, mas fortalecem a execução do trabalho previsto no Estatuto da Advocacia, no Código de Processo Civil e nas normas éticas da Ordem dos Advogados do Brasil.

A criança costuma lidar com o que está diante dela. Ela brinca, pergunta e testa caminhos antes de abandonar uma ideia. O advogado, por sua vez, enfrenta prazos, documentos, audiências, clientes e riscos profissionais ao mesmo tempo. O aprendizado está em simplificar a rotina sem simplificar a análise jurídica.

Essa comparação não infantiliza a advocacia. Ela mostra que hábitos objetivos podem melhorar uma atividade complexa. O advogado que controla sua agenda, concentra atenção em uma peça, registra decisões e revisita teses com criatividade entrega trabalho mais seguro e reduz a exposição a falhas evitáveis.

Como viver o presente ajuda na advocacia?

Viver o presente, para o advogado, significa executar a tarefa jurídica atual com clareza sobre prazo, risco e finalidade. Não significa ignorar o futuro processual. O art. 219 do CPC (Lei 13.105/2015) determina a contagem de prazos processuais em dias úteis, salvo disposição em contrário.

Quem atua no contencioso convive com incerteza. Uma sentença pode ser favorável, parcialmente procedente ou contrária. Um recurso pode exigir preparo, contrarrazões ou sustentação oral. A ansiedade aumenta quando o escritório depende de memória individual para controlar intimações e vencimentos.

A criança foca no presente porque confia na sequência do que virá. O advogado precisa construir essa confiança com método. O controle de publicações, intimações eletrônicas, andamentos, responsáveis internos e prazos fatais cria segurança para que a atenção permaneça na peça, na reunião ou na negociação em andamento.

Perder prazo pode gerar preclusão, trânsito em julgado, prejuízo ao cliente e discussão sobre responsabilidade civil. O art. 32 da Lei 8.906/1994 prevê que o advogado responde pelos atos que praticar com dolo ou culpa no exercício profissional. Por isso, organização não é detalhe administrativo.

Ferramentas de gestão jurídica, como softwares de acompanhamento processual, ajudam o escritório a centralizar publicações, distribuir tarefas e manter histórico de providências. No contexto do Projuris, a proposta original do texto permanece atual: tecnologia deve liberar o advogado para atividades de maior valor técnico, não substituir sua análise profissional.

Como o advogado pode controlar prazos sem viver em alerta permanente?

O advogado controla prazos com rotina documentada, conferência dupla, registro da data de ciência e cálculo conforme a lei aplicável. O CPC (Lei 13.105/2015), a Lei 11.419/2006 e regras dos tribunais exigem atenção porque o início da contagem pode variar conforme o tipo de intimação.

O art. 224 do CPC (Lei 13.105/2015) orienta que se exclui o dia do começo e se inclui o dia do vencimento. O art. 231 do mesmo código disciplina diferentes marcos iniciais, como juntada de aviso de recebimento, publicação no diário de justiça eletrônico ou consulta ao teor da intimação.

Na prática, o escritório pode adotar um procedimento simples. Primeiro, capturar a intimação e registrar a fonte. Segundo, identificar o ato exigido. Terceiro, calcular o prazo com base legal. Quarto, indicar responsável. Quinto, revisar o prazo antes do vencimento. Sexto, arquivar comprovantes.

A Lei 11.419/2006 regula a informatização do processo judicial. O art. 5º trata da intimação eletrônica em portal próprio e prevê ciência pela consulta realizada ou automaticamente após o prazo legal de dez dias corridos, conforme o caso. Esse detalhe afeta diretamente a agenda do advogado.

Quando ocorre falha técnica comprovada em sistema eletrônico, o art. 10, § 2º, da Lei 11.419/2006 admite prorrogação para o primeiro dia útil seguinte à resolução do problema. A jurisprudência do STJ reconhece, em linhas gerais, que indisponibilidade comprovada pode configurar justa causa, em diálogo com o art. 223 do CPC.

Um controle maduro evita dois extremos. O primeiro é confiar apenas na memória. O segundo é criar tantos alertas que todos deixam de ser úteis. A rotina produtiva separa prazo fatal, prazo interno, revisão técnica e protocolo, sempre com margem para instabilidade de sistema ou necessidade de ajuste final.

Por que focar em uma tarefa melhora a produtividade jurídica?

Focar em uma tarefa melhora a produtividade jurídica porque peças, contratos e pareceres exigem raciocínio encadeado. O advogado reduz retrabalho quando separa blocos de concentração para análise de fatos, pesquisa normativa, redação, revisão e comunicação com o cliente, preservando deveres éticos e qualidade técnica.

Clientes, prazos, processos, equipe, financeiro e administração do escritório competem pela atenção. A criança, quando brinca, mergulha na atividade. O advogado pode aplicar a mesma lógica dividindo o dia por tipos de trabalho: contencioso, consultivo, reuniões, gestão e estudo.

O foco também protege a confidencialidade. O art. 34, VII, da Lei 8.906/1994 considera infração disciplinar violar, sem justa causa, sigilo profissional. Alternar abas, documentos e conversas sem critério aumenta o risco de enviar informação ao destinatário errado ou usar minuta inadequada.

A Lei Geral de Proteção de Dados, Lei 13.709/2018, reforça esse cuidado. O art. 6º estabelece princípios como finalidade, adequação, necessidade e segurança. O art. 46 exige medidas técnicas e administrativas aptas a proteger dados pessoais. Escritórios lidam com documentos sensíveis e devem tratar informações com método.

Um fluxo produtivo pode começar pela triagem. O advogado separa o que exige providência imediata, o que depende de cliente, o que aguarda decisão judicial e o que precisa de análise estratégica. Depois, usa tarefas com responsável, prazo interno e status. Esse desenho reduz interrupções e facilita gestão.

Comunicação também exige foco. O envio automático de andamento processual, quando bem configurado e revisado, diminui mensagens repetitivas e ajuda o cliente a acompanhar o caso. Ainda assim, o advogado precisa explicar riscos, próximos passos e limites de atuação, sem prometer resultado judicial.

Como organizar o dia sem abandonar tarefas administrativas?

O advogado pode organizar o dia com blocos de concentração e janelas de resposta. Por exemplo, reservar a manhã para redação de peças complexas, o início da tarde para reuniões e o fim do dia para revisão de prazos. A ordem muda conforme a rotina, mas o método precisa ficar claro.

Para equipes, a organização deve aparecer em pauta, ata, tarefa e prazo. O art. 6º do Código de Ética e Disciplina da OAB orienta atuação com independência, honestidade e lealdade. Esses deveres ficam mais concretos quando o escritório documenta instruções e evita decisões informais sem registro.

Como a imaginação melhora a estratégia jurídica sem violar a lei?

A imaginação melhora a estratégia jurídica quando o advogado examina fatos sob diferentes hipóteses, identifica provas disponíveis e escolhe argumentos compatíveis com a lei. Criatividade não autoriza distorção fática, litigância abusiva ou promessa de êxito; ela serve para encontrar caminhos lícitos e tecnicamente defensáveis.

Crianças transformam objetos simples em histórias completas. O advogado pode transformar um conjunto de documentos em narrativas jurídicas possíveis. A diferença está no limite normativo. O art. 369 do CPC (Lei 13.105/2015) permite às partes empregar meios legais e moralmente legítimos para provar a verdade dos fatos.

A criatividade aparece na escolha do pedido, na ordem dos argumentos, na seleção de prova documental, na formulação de quesitos periciais e na construção de alternativas consensuais. O art. 190 do CPC autoriza negócios jurídicos processuais em causas que admitam autocomposição, desde que as partes sejam plenamente capazes.

O advogado também precisa avaliar o ônus da prova. O art. 373 do CPC distribui esse ônus entre autor e réu, sem impedir redistribuição em hipóteses legais. Estratégia inteligente pergunta: qual fato preciso demonstrar, quem possui a prova, qual documento falta e qual risco existe se a prova não vier?

A imaginação tem limites éticos. O art. 77 do CPC impõe deveres de verdade, boa-fé e cooperação às partes e aos procuradores. O art. 80 do CPC define condutas de litigância de má-fé, como alterar a verdade dos fatos, usar o processo para objetivo ilegal ou provocar incidente infundado.

Quando o advogado cria uma tese, deve testá-la contra fatos, prova, lei e jurisprudência. Decisões do STJ e do STF costumam valorizar coerência argumentativa, fundamentação e aderência ao caso concreto. Por isso, criatividade jurídica funciona melhor quando nasce de pesquisa séria e não de improviso.

Quais perguntas ajudam a criar uma estratégia mais forte?

Algumas perguntas guiam a análise: qual é o objetivo jurídico do cliente, qual é o risco econômico, qual prazo limita a medida, quais documentos sustentam a narrativa, qual entendimento do tribunal local se aplica e qual alternativa extrajudicial existe. Essa curiosidade disciplinada lembra a criança que pergunta antes de concluir.

No consultivo, a imaginação auxilia a prevenir litígios. Um contrato pode prever matriz de responsabilidades, cláusula de notificação, procedimento de cura de inadimplemento e método de solução de disputas. No contencioso, pode orientar acordo, tutela provisória ou prova técnica, conforme o caso e a base legal.

Como transformar essas lições em rotina para o advogado?

O advogado transforma essas lições em rotina ao converter presença, foco e criatividade em processos verificáveis. A rotina jurídica deve indicar quem faz, quando faz, com qual base legal, onde registra e como revisa. Sem esse desenho, boas intenções viram dependência de memória individual.

O primeiro passo é mapear atividades recorrentes. Prazos processuais, atendimentos, propostas, contratos, audiências, diligências e faturamento precisam de fluxo próprio. Cada fluxo deve ter gatilho inicial, responsável, documentos obrigatórios, prazo interno e critério de conclusão. Essa estrutura reduz retrabalho e facilita treinamento.

O segundo passo é separar o que exige conhecimento jurídico do que exige operação. Um advogado não precisa executar manualmente toda tarefa repetitiva, mas precisa supervisionar o resultado. A captura de publicações, a atualização de status e o armazenamento de documentos podem seguir automação com revisão humana.

O terceiro passo é registrar decisões. Se o cliente opta por acordo, recurso ou não ajuizamento, o escritório deve documentar orientação, riscos e manifestação de vontade. Esse cuidado protege a relação profissional e dá transparência, especialmente quando a decisão envolve custo, prazo prescricional ou probabilidade jurídica incerta.

O quarto passo é revisar periodicamente indicadores. Não se trata apenas de medir volume de processos. O advogado pode acompanhar prazos cumpridos no prazo interno, tempo médio de resposta ao cliente, retrabalho em peças, documentos pendentes e causas de atraso. Esses dados mostram onde a rotina precisa mudar.

A conclusão prática é simples: o advogado aprende com uma criança quando recupera atenção, curiosidade e capacidade de testar caminhos, mas aplica tudo isso com lei, ética e responsabilidade. O resultado esperado não é promessa de vitória, e sim uma atuação mais organizada, segura e compreensível para clientes e equipe.

Perguntas frequentes sobre advogado

O que um advogado pode aprender com uma criança?

Advogado pode aprender com uma criança a concentrar atenção no presente, perguntar melhor e testar soluções com simplicidade. Na rotina jurídica, isso se traduz em controle de prazos, comunicação clara com clientes, revisão cuidadosa de peças e criatividade dentro dos limites da lei e da ética profissional.

Como o advogado deve controlar prazos processuais?

Advogado deve controlar prazos com registro da intimação, identificação da base legal, cálculo conforme o CPC (Lei 13.105/2015), definição de responsável e prazo interno para revisão. Em processos eletrônicos, também precisa considerar a Lei 11.419/2006 e eventual indisponibilidade comprovada do sistema.

Por que foco é relevante para o advogado?

Advogado precisa de foco porque sua atividade exige leitura técnica, raciocínio jurídico e cuidado com informações confidenciais. Alternar tarefas sem método aumenta risco de erro, retrabalho e comunicação inadequada. Blocos de concentração ajudam na redação de peças, análise contratual, pesquisa jurisprudencial e atendimento ao cliente.

Criatividade combina com advocacia?

Advogado pode usar criatividade para formular estratégias, organizar provas, negociar soluções e estruturar contratos. A criatividade deve respeitar fatos, lei e boa-fé. O art. 80 do CPC (Lei 13.105/2015) pune condutas de má-fé, como alterar a verdade dos fatos ou usar o processo indevidamente.

Um software jurídico substitui o advogado?

Advogado não é substituído por software jurídico. A tecnologia apoia controle de prazos, captura de publicações, organização de documentos e comunicação operacional. A análise técnica, a estratégia, a orientação ao cliente e a responsabilidade profissional continuam vinculadas ao advogado, conforme a Lei 8.906/1994.

Como melhorar a produtividade do advogado sem perder qualidade?

Advogado melhora produtividade sem perder qualidade quando cria fluxos, usa prazos internos, documenta decisões, revisa peças e separa tarefas por complexidade. A produtividade jurídica não significa acelerar tudo, mas reduzir desperdícios e proteger a qualidade técnica, a confidencialidade e a segurança da relação com o cliente.

Tiago Fachini - Especialista em marketing jurídico

Mais de 300 mil ouvidas no JurisCast. Mais de 1.200 artigos publicados no blog Jurídico de Resultados. Especialista em Marketing Jurídico. Palestrante, professor e um apaixonado por um mundo jurídico cada vez mais inteligente e eficiente. Siga @tiagofachini no Youtube, Instagram e Linkedin.

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