Como abrir escritório de advocacia: passo a passo legal

Veja como abrir escritório de advocacia, escolher sociedade, regularizar OAB, planejar finanças e atuar conforme a lei.

user Tiago Fachini calendar--v1 13 de janeiro de 2016 connection-sync 11 de agosto de 2026

Abrir escritório de advocacia é constituir uma estrutura profissional individual ou societária para prestação de serviços advocatícios, nos termos dos arts. 15 a 17 da Lei 8.906/1994. Na prática, o advogado precisa alinhar registro na OAB, tributação, ética profissional, gestão financeira e estratégia de mercado.

O interesse por formalizar bancas cresceu após a inclusão da advocacia no Simples Nacional, regime previsto na Lei Complementar 123/2006 e ampliado pela Lei Complementar 147/2014. A sociedade de advocacia passou a ter alternativa tributária mais simples, desde que cumpra as regras da OAB e da Receita Federal.

Antes de iniciar, o profissional deve avaliar se possui competências de gestão, relacionamento e organização. Este teste-diagnóstico ajuda a verificar pontos de preparo para a rotina empreendedora. Também convém estudar limites éticos de prospecção de clientes na advocacia, especialmente após o Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB.

Como analisar o mercado antes de abrir escritório de advocacia?

Analisar o mercado significa identificar demanda jurídica, concorrência, perfil econômico da região, capacidade de atendimento e oportunidades de diferenciação. Para abrir escritório de advocacia com menor risco, o advogado deve comparar áreas saturadas, nichos pouco atendidos e formas permitidas de divulgação conforme a Lei 8.906/1994 e o Código de Ética da OAB.

O primeiro passo consiste em mapear quem são os potenciais clientes. Um escritório voltado a Direito Empresarial, por exemplo, precisa observar quantidade de empresas, setores econômicos predominantes, sindicatos, contadores e entidades comerciais. Já uma banca de Direito de Família pode analisar densidade populacional, renda média e facilidade de acesso ao atendimento presencial ou remoto.

A concorrência também exige leitura qualitativa. Não basta contar quantos escritórios existem na cidade. O advogado deve verificar quais serviços eles comunicam, como estruturam atendimento, quais canais digitais usam e onde há lacunas. Às vezes, uma estrutura menor, especializada e bem posicionada supera uma banca ampla que oferece os mesmos serviços de forma genérica.

A visão do cliente ajuda nessa escolha. Muitos contratantes não percebem diferenças técnicas entre escritórios antes da consulta inicial. Eles consideram indicação, clareza da comunicação, localização, reputação, experiência setorial e confiança. Por isso, diferenciação legítima vale mais do que copiar o modelo de bancas já instaladas.

Como escolher entre sociedade de advogados e sociedade unipessoal?

A escolha entre sociedade de advogados e sociedade unipessoal depende do número de profissionais envolvidos, da estratégia tributária, da divisão de responsabilidades e da capacidade de gestão. O Estatuto da Advocacia, Lei 8.906/1994, disciplina a sociedade de advogados e permite a sociedade unipessoal desde a Lei 13.247/2016.

A sociedade unipessoal de advocacia atende o advogado que deseja atuar sozinho com pessoa jurídica própria. Ela não transforma a advocacia em atividade empresarial comum, pois o registro ocorre na seccional da OAB e a responsabilidade profissional permanece vinculada ao advogado. A estrutura, porém, facilita emissão de notas, contratação de apoio e opção pelo Simples Nacional quando atendidos os requisitos legais.

A sociedade com outros advogados pode ampliar conhecimento técnico e capacidade comercial. Para funcionar, os sócios precisam alinhar valores, áreas, responsabilidades, retirada mensal, investimento inicial, regras de saída e administração da carteira de clientes. A escolha do sócio exige a mesma cautela de uma decisão patrimonial relevante, porque conflitos internos afetam atendimento, reputação e fluxo de caixa.

Procure combinar competências. Um sócio pode dominar contencioso estratégico, outro pode ter experiência consultiva e outro pode organizar rotinas administrativas. Também ajuda contar com alguém que compreenda captação de clientes na advocacia dentro dos limites éticos da OAB, sem mercantilização, promessa de resultado ou publicidade ostensiva.

Advogado não deve confundir sociedade de advocacia com MEI ou sociedade empresária comum. A advocacia segue regime próprio, não adota nome fantasia livre como atividade mercantil e deve observar as restrições do art. 16 da Lei 8.906/1994, incluindo registro na OAB e identificação compatível com os profissionais integrantes.

Como definir a área de atuação do escritório?

Definir a área de atuação exige cruzar conhecimento técnico, demanda real, rentabilidade, capacidade operacional e limites éticos de comunicação. Ao abrir escritório de advocacia, o profissional deve evitar oferta dispersa de serviços e priorizar áreas em que consiga entregar atendimento consistente, contratos claros, controle de prazos e atualização legislativa contínua.

A especialização melhora posicionamento quando responde a problemas concretos. Uma banca pode focar recuperação de crédito empresarial, proteção de dados, Direito Médico, planejamento sucessório, Direito Trabalhista patronal ou demandas previdenciárias. O critério não deve ser apenas afinidade acadêmica, mas também volume de procura, ticket médio, complexidade e tempo de maturação dos honorários.

Se houver sociedade, a área de atuação deve justificar a união. Associar-se a profissional com a mesma carteira, a mesma rede e as mesmas limitações administrativas tende a gerar pouca vantagem. Já a união entre competências complementares aumenta a oferta sem perder coerência. Um escritório empresarial, por exemplo, pode combinar contratos, tributário e trabalhista consultivo.

A definição também impacta tecnologia e equipe. Contencioso de massa demanda automação, modelos, jurimetria e controle rígido de prazos. Consultivo estratégico exige pesquisa, pareceres, gestão de documentos e relacionamento próximo com o cliente. O planejamento inicial deve prever essas diferenças para evitar custos incompatíveis com a receita esperada.

Como trabalhar com advogados associados sem criar risco trabalhista?

O trabalho com advogado associado exige contrato escrito, autonomia técnica, ausência de subordinação típica e averbação na OAB. O art. 17-A da Lei 8.906/1994, incluído pela Lei 14.365/2022, permite a associação sem vínculo empregatício quando as partes respeitam os requisitos profissionais e contratuais.

A figura do advogado associado oferece alternativa para bancas que desejam ampliar atuação sem admitir novo sócio. O associado participa de atividades jurídicas e pode receber remuneração conforme critérios pactuados. Ele não se torna automaticamente empregado nem titular de quotas, desde que a relação não reproduza subordinação, salário fixo disfarçado e controle típico da relação de emprego.

O contrato deve detalhar atividades, forma de remuneração, participação em resultados, despesas, sigilo, uso da marca, responsabilidade por prazos e hipóteses de encerramento. As partes também devem averbar o instrumento na seccional da OAB. Esse cuidado reduz disputas futuras e demonstra que a relação segue o regime profissional próprio da advocacia.

A comparação com a CLT continua necessária. O art. 3º do Decreto-Lei 5.452/1943 considera empregado quem presta serviço não eventual, sob dependência e mediante salário. Se o escritório controla jornada, impõe subordinação direta e paga remuneração fixa típica, a relação pode gerar reconhecimento de vínculo.

Quando houver vínculo de emprego, o escritório deve contratar pelo regime CLT, com registro, férias, décimo terceiro, FGTS e demais direitos aplicáveis. A associação serve para colaboração profissional autônoma, não para substituir contrato de trabalho em situações de subordinação real.

Como escolher a melhor localização para o escritório?

A melhor localização combina acesso do cliente, compatibilidade com a área de atuação, custo fixo, infraestrutura, segurança e possibilidade de atendimento híbrido. Com processos eletrônicos e audiências virtuais, proximidade física de fóruns perdeu peso, mas visibilidade, conforto e conveniência ainda influenciam contratação e experiência do cliente.

  • Circulação de potenciais clientes: escolha regiões frequentadas pelo público que o escritório pretende atender, sem depender apenas de proximidade com órgãos judiciais.
  • Presença de empresas: para atuação empresarial, considere bairros com sedes comerciais, indústrias, clínicas, incorporadoras, startups ou escritórios contábeis.
  • Serviços complementares: bancos, cartórios, contabilidades, coworkings e consultorias facilitam indicações lícitas e a rotina documental.
  • Acesso e mobilidade: avalie estacionamento, transporte público, trânsito, acessibilidade para pessoas com deficiência e segurança no entorno.
  • Atendimento digital: verifique internet estável, privacidade para reuniões online e estrutura para assinatura eletrônica e gestão de documentos.

Escritórios iniciantes também podem usar salas compartilhadas ou atendimento remoto, desde que mantenham sigilo profissional, organização documental e canais oficiais. A decisão deve considerar receita previsível, imagem institucional e conforto do cliente, não apenas o endereço mais prestigiado.

Como fazer o planejamento financeiro antes de abrir escritório de advocacia?

O planejamento financeiro calcula investimento inicial, despesas fixas, capital de giro, tributação, honorários, inadimplência provável e ponto de equilíbrio. Antes de abrir escritório de advocacia, o profissional deve projetar pelo menos doze meses de operação e separar finanças pessoais das contas da banca.

O planejamento financeiro do escritório de advocacia começa pela lista de custos. Inclua aluguel, condomínio, internet, energia, mobiliário, certificado digital, sistemas, marketing jurídico permitido, contador, anuidade da OAB, deslocamentos, cursos, tributos e remuneração mínima dos sócios.

Depois, estime receitas por tipo de serviço. Honorários de êxito podem demorar anos, enquanto contratos mensais trazem previsibilidade. Consultas avulsas, pareceres, acordos e demandas contenciosas têm ciclos distintos. Sem essa separação, o escritório pode faturar bem em um mês e enfrentar falta de caixa no mês seguinte.

A escolha de tecnologia entra no plano. Planilhas podem servir nos primeiros casos, mas escalam mal quando aumentam prazos, publicações, documentos e contas a receber. Um software jurídico ajuda a controlar agenda, tarefas, financeiro, contratos, relacionamento e indicadores de produtividade.

Também defina política de honorários por escrito. O contrato deve indicar escopo, forma de pagamento, despesas, reajuste, êxito, responsabilidade por custas e encerramento. Essa prática reduz inadimplência e preserva a relação com o cliente.

Como regularizar sócios, nome e registros do escritório?

A regularização exige checar impedimentos dos advogados, definir nome permitido, elaborar contrato social, registrar a sociedade na OAB, obter CNPJ e cumprir exigências municipais, fiscais e previdenciárias. A sociedade de advocacia nasce juridicamente perante a OAB, conforme arts. 15 e 16 da Lei 8.906/1994.

Antes do contrato, pesquise se o nome pretendido respeita regras profissionais e não conflita com marcas ou sociedades existentes. A consulta ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) ajuda a identificar marcas registradas, embora o registro da sociedade de advogados dependa da OAB e não da Junta Comercial como empresa mercantil comum.

  • OAB: registre o contrato social e alterações perante a Ordem dos Advogados do Brasil.
  • Receita Federal: solicite CNPJ na Secretaria da Receita Federal após o registro competente.
  • Prefeitura: verifique inscrição municipal, alvará, regras de funcionamento e emissão de nota fiscal de serviços.
  • Previdência: organize cadastro e obrigações perante a Previdência Social, conforme estrutura de remuneração.
  • Caixa: quando houver empregados, providencie acesso à Caixa Econômica Federal e aos sistemas de FGTS.
  • Corpo de Bombeiros: confirme licença estadual ou municipal exigida para o imóvel.

A Junta Comercial não registra sociedade de advogados, pois a OAB assume essa função específica. Ainda assim, alguns municípios podem solicitar documentos cadastrais para inscrição local. Por isso, contador e seccional da OAB devem orientar a ordem correta dos atos.

A advocacia também exige conformidade ética permanente. O Código de Ética e Disciplina da OAB, aprovado pela Resolução 02/2015, e o Provimento 205/2021 regulam publicidade, marketing jurídico e informação profissional. O escritório pode produzir conteúdo informativo, mas não pode prometer resultado, divulgar captação predatória ou mercantilizar serviços.

Como concluir o plano para abrir escritório de advocacia?

Para abrir escritório de advocacia com consistência, transforme as decisões em um plano escrito. Registre área de atuação, público, modelo societário, investimento, metas de receita, estrutura de atendimento, ferramentas, responsabilidades internas, política de honorários e calendário de regularização.

Os desafios do empreendedorismo na advocacia envolvem técnica jurídica, gestão e reputação. Quem organiza essas frentes antes da primeira contratação reduz improvisos e atende melhor. Abrir escritório de advocacia não exige uma estrutura grande no início, mas exige legalidade, planejamento financeiro, ética e disciplina operacional.

Perguntas frequentes sobre abrir escritório de advocacia

O que precisa para abrir escritório de advocacia?

Abrir escritório de advocacia exige inscrição regular do advogado na OAB, definição do modelo societário, contrato social quando houver sociedade, registro na seccional, CNPJ, inscrição municipal, planejamento financeiro, contrato de honorários e observância da Lei 8.906/1994, do Código de Ética e do Provimento 205/2021.

Advogado pode abrir escritório sozinho?

Abrir escritório de advocacia sozinho é possível por meio da sociedade unipessoal de advocacia, prevista na Lei 8.906/1994 após alteração da Lei 13.247/2016. O advogado registra a estrutura na OAB, pode obter CNPJ e pode avaliar enquadramento no Simples Nacional se cumprir os requisitos tributários.

Escritório de advocacia pode ser MEI?

Abrir escritório de advocacia como MEI não se aplica à atividade advocatícia. A advocacia possui regime profissional próprio, registro na OAB e regras específicas da Lei 8.906/1994. O caminho usual é atuar como pessoa física, sociedade unipessoal de advocacia ou sociedade de advogados registrada na seccional competente.

Quanto custa abrir um escritório de advocacia?

Abrir escritório de advocacia tem custo variável conforme cidade, aluguel, tecnologia, contador, mobiliário, anuidade, tributos, marketing permitido e capital de giro. O cálculo deve projetar pelo menos doze meses de despesas e separar custos pessoais dos custos da banca para evitar falta de caixa.

Precisa registrar escritório de advocacia na OAB?

Abrir escritório de advocacia em formato societário exige registro na OAB, conforme arts. 15 e 16 da Lei 8.906/1994. A sociedade de advogados e a sociedade unipessoal não nascem na Junta Comercial como empresas comuns; elas dependem do registro profissional perante a seccional competente.

Como captar clientes ao abrir escritório de advocacia?

Abrir escritório de advocacia permite divulgar conteúdo informativo, manter presença digital, cultivar networking e explicar serviços de forma sóbria. A captação deve seguir o Código de Ética da OAB e o Provimento 205/2021, sem promessa de resultado, abordagem predatória, mercantilização ou publicidade comparativa indevida.

Tiago Fachini - Especialista em marketing jurídico

Mais de 300 mil ouvidas no JurisCast. Mais de 1.200 artigos publicados no blog Jurídico de Resultados. Especialista em Marketing Jurídico. Palestrante, professor e um apaixonado por um mundo jurídico cada vez mais inteligente e eficiente. Siga @tiagofachini no Youtube, Instagram e Linkedin.

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