Lei Complementar: sua importância e diferenças com a lei ordinária

Entenda a lei complementar e sua importância no ordenamento jurídico e veja as diferenças em relação à lei ordinária

user Tiago Fachini calendar--v1 3 de fevereiro de 2026 connection-sync 5 de fevereiro de 2026

Se você atua no meio jurídico ou simplesmente deseja compreender melhor o funcionamento das normas que regem o Brasil, entender o que é lei complementar é fundamental. Para escritórios de advocacia e departamentos jurídicos, esse conhecimento não só aprimora a atuação profissional, como também garante maior segurança na interpretação e aplicação das normas.

Afinal, a lei complementar trata de temas complexos e essenciais para o ordenamento jurídico, exigindo um processo legislativo mais rigoroso e detalhado.

Mas você sabe exatamente qual a função da lei complementar? Ou qual a diferença entre ela e lei ordinária? Vamos explorar esses pontos para que você possa refletir se sua operação jurídica está alinhada com essas nuances e, assim, potencializar seus resultados.

O que é lei complementar?

A lei complementar é uma espécie normativa prevista na Constituição Federal do Brasil, criada para regulamentar dispositivos constitucionais que exigem maior detalhamento e complexidade. Diferente das leis ordinárias, que tratam de assuntos mais gerais e cotidianos, ela aborda temas que demandam consenso mais amplo e precisão legislativa.

Imagine a lei complementar como a fundação reforçada de um edifício: enquanto as leis ordinárias são as paredes e divisórias que organizam os espaços, sustentando as estruturas mais pesadas e complexas, garantindo estabilidade e segurança ao sistema jurídico.

Segundo o artigo 59 da Constituição Federal, o processo legislativo compreende a elaboração de:

  • Emendas à Constituição;
  • Leis complementares;
  • Leis ordinárias;
  • Leis delegadas;
  • Medidas provisórias;
  • Decretos legislativos;
  • Resoluções.

Entre essas, a lei complementar possui um quórum de aprovação mais rigoroso, exigindo maioria absoluta dos parlamentares, o que significa que mais da metade dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal deve votar a favor para que ela seja aprovada.

Qual a importância da lei complementar no ordenamento jurídico?

A lei complementar é essencial para regulamentar temas que a Constituição determina como de alta relevância e complexidade. Por exemplo, normas gerais de direito tributário, organização das Forças Armadas, estatuto da Defensoria Pública e procedimentos legislativos especiais são matérias que exigem esse tipo de lei.

Para ilustrar, a Lei Complementar nº 101/2000, conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal, é um marco que impõe limites aos gastos públicos e promove transparência nas finanças governamentais. Sem essa lei, o controle fiscal seria muito mais difícil, impactando diretamente a gestão pública e a sociedade.

Além disso, a aprovação da lei complementar exige um debate mais aprofundado e um consenso maior entre os parlamentares, o que confere maior legitimidade e estabilidade às normas que regulam assuntos sensíveis.

Qual a diferença entre lei complementar e a ordinária?

AspectoLei ComplementarLei Ordinária
Quórum de aprovaçãoMaioria absoluta (mais da metade do total de membros)Maioria simples (maioria dos presentes na sessão)
Matérias reguladasTemas de maior complexidade e relevância constitucionalAssuntos gerais e cotidianos não reservados à lei complementar
FunçãoComplementar e detalhar dispositivos constitucionaisRegular questões administrativas, sociais, econômicas e políticas
ExemplosCódigo Tributário Nacional, Lei de Responsabilidade FiscalCódigo Civil, Código Penal, leis sobre trânsito

Essa diferença no processo legislativo e no conteúdo regulado faz com que a lei complementar tenha um peso maior em temas que exigem estabilidade e consenso, enquanto a lei ordinária permite maior flexibilidade para responder às demandas do dia a dia.

Existe hierarquia entre lei complementar e a ordinária?

Uma dúvida comum é se a lei complementar está hierarquicamente acima da ordinária. O Supremo Tribunal Federal (STF) esclareceu que não há hierarquia entre essas espécies normativas. Ambas derivam da Constituição e cumprem funções distintas.

Assim, quando uma lei ordinária trata de matéria reservada à complementar, ela não é inválida por violar a lei complementar, mas sim por desrespeitar a Constituição. O problema é de competência legislativa, não de hierarquia.

Por que entender a lei complementar é importante para advogadoss?

Para advogados, compreender o que é lei complementar e suas diferenças em relação à lei ordinária é como ter um mapa detalhado para navegar no complexo terreno jurídico brasileiro. Isso evita erros na interpretação, fortalece argumentos e assegura uma atuação mais precisa.

Além disso, a aplicação correta dessas leis impacta diretamente na segurança jurídica dos clientes, seja na área tributária, administrativa ou constitucional. Um escritório que domina essas nuances se destaca no mercado, oferecendo soluções mais eficazes e confiáveis.

Conclusão

Entender o que é lei complementar e a sua diferença em relação a lei ordinária é essencial para qualquer profissional do direito e para quem deseja compreender o funcionamento do sistema legislativo brasileiro. Isso porque ela atua como um pilar que sustenta as normas mais complexas e relevantes, exigindo um processo legislativo mais rigoroso e detalhado.

Para escritórios de advocacia e departamentos jurídicos, esse conhecimento é uma ferramenta estratégica que garante maior segurança e eficiência na atuação. Afinal, como em uma orquestra, cada instrumento tem seu papel e, para que a música saia perfeita, é preciso que todos estejam afinados e saibam quando entrar em cena.

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Perguntas frequentes

1. O que é uma lei complementar?
Uma lei complementar é uma norma jurídica prevista na Constituição que regula assuntos de maior complexidade e relevância, exigindo aprovação por maioria absoluta no Congresso Nacional.
2. Quais são as principais diferenças entre lei complementar e lei ordinária?
A principal diferença é que a lei complementar exige um quórum de aprovação mais rigoroso e trata de matérias específicas determinadas pela Constituição, enquanto a lei ordinária regula assuntos gerais com um quórum mais flexível.
3. Existe hierarquia entre lei complementar e lei ordinária?
Não há hierarquia entre essas duas espécies normativas. Ambas derivam da Constituição e têm funções legislativas distintas, conforme definido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
4. Quais são alguns exemplos de leis complementares?
Exemplos de leis complementares incluem o Código Tributário Nacional e a Lei de Responsabilidade Fiscal, que tratam de temas de alta relevância e complexidade.
5. Por que é importante para advogados conhecerem a lei complementar?
Conhecer a lei complementar é crucial para advogados, pois isso garante a correta interpretação e aplicação das normas, evitando riscos legais e fortalecendo a segurança jurídica dos clientes.
6. Como a lei complementar impacta a atuação de escritórios de advocacia?
A lei complementar impacta a atuação dos escritórios ao fornecer um entendimento mais profundo sobre normas complexas, permitindo uma atuação mais precisa e segura em questões jurídicas.
7. Quais temas são geralmente regulados por leis complementares?
Leis complementares geralmente regulam temas como direito tributário, organização das Forças Armadas, e estatutos de entidades públicas, que exigem um detalhamento mais rigoroso.

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Tiago Fachini - Especialista em marketing jurídico

Mais de 300 mil ouvidas no JurisCast. Mais de 1.200 artigos publicados no blog Jurídico de Resultados. Especialista em Marketing Jurídico. Palestrante, professor e um apaixonado por um mundo jurídico cada vez mais inteligente e eficiente. Siga @tiagofachini no Youtube, Instagram e Linkedin.

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