Melhorar como profissional é buscar aperfeiçoamento pessoal e técnico contínuo, nos termos do art. 2º, parágrafo único, IV, do Código de Ética e Disciplina da OAB, aprovado pela Resolução CFOAB 02/2015. Na prática, o advogado qualifica atendimento, estratégia processual, gestão de riscos e responsabilidade perante clientes.
O que significa melhorar como profissional na advocacia?
Melhorar como profissional na advocacia significa unir estudo jurídico, escuta ativa, organização de prazos, comunicação clara e conduta ética. Esse aperfeiçoamento não depende apenas de cursos: ele aparece no modo como o advogado atende, documenta decisões, pesquisa precedentes, cobra honorários e protege informações sensíveis do cliente.
Antes da publicação de uma edição da Revista ProJuris, a equipe lançou um desafio aos clientes. A proposta consistia em enviar uma pergunta sobre carreira jurídica, selecionar respostas com maior valor prático e publicar os autores na revista, ao lado de conteúdos e entrevistas especiais.
Na edição anterior, os clientes definiram o advogado em uma palavra e justificaram a escolha. As três melhores respostas entraram na revista, e o material pode ser consultado aqui. Outras respostas também apresentaram criatividade e reflexão, por isso a ProJuris as reuniu no blog da ProJuris.
Para a nova edição da Revista ProJuris, a equipe repetiu o desafio com uma pergunta direta: o que você faz para melhorar como profissional? A questão continua atual para advogados autônomos, escritórios, departamentos jurídicos e gestores que precisam conciliar qualidade técnica, produtividade e ética.
Por que melhorar como profissional exige ética e responsabilidade?
O aperfeiçoamento profissional do advogado tem base ética e impacto jurídico concreto. O art. 31 do Estatuto da Advocacia, Lei 8.906/1994, exige conduta compatível com respeito e prestígio da classe. O art. 32 da mesma lei prevê responsabilidade por atos praticados com dolo ou culpa.
Essa responsabilidade afeta a rotina do escritório. Perder prazo, orientar estratégia sem pesquisa suficiente, deixar de informar riscos ou prometer resultado pode gerar conflito com cliente, representação disciplinar e ação indenizatória. A prevenção começa com método, registro de comunicações e revisão técnica antes de decisões relevantes.
O Código de Ética e Disciplina da OAB, Resolução CFOAB 02/2015, também orienta a postura profissional. O art. 2º, parágrafo único, II, exige atuação com independência, honestidade, decoro, veracidade, lealdade, dignidade e boa-fé. O inciso IV reforça o dever de empenhar-se permanentemente no aperfeiçoamento pessoal e profissional.
Até 2025, esse conjunto normativo permaneceu como referência central para a advocacia. A Lei 14.365/2022 alterou pontos do Estatuto da Advocacia, Lei 8.906/1994, especialmente sobre prerrogativas, sociedades e honorários, mas não eliminou o dever de qualidade, zelo e responsabilidade na prestação do serviço jurídico.
Quais consequências jurídicas podem surgir da falta de aperfeiçoamento?
A falta de atualização pode gerar erros processuais e consultivos. No contencioso, o advogado precisa observar prazos do CPC, Lei 13.105/2015, como o prazo geral de 15 dias úteis para muitos recursos, conforme art. 1.003, §5º. No consultivo, precisa mapear leis aplicáveis e riscos contratuais antes de orientar a empresa.
Também há risco reputacional. O cliente não avalia apenas uma tese jurídica; ele observa clareza, previsibilidade, transparência sobre custos e coerência entre promessa e entrega. Quando o profissional adota controles de prazo, revisa peças e explica próximos passos, reduz ruído e melhora a percepção de segurança.
Quais práticas os clientes citaram para melhorar como profissional?
As respostas dos clientes mostram que melhorar como profissional envolve empatia, estudo, ação disciplinada, atualização e honorários responsáveis. Elas não formam uma fórmula única, mas revelam padrões úteis: colocar-se no lugar do cliente, ouvir antes de agir, pesquisar jurisprudência e preparar audiências com antecedência.
A primeira resposta enfatiza a perspectiva do cliente. Esse ponto se conecta ao dever de informação e à boa-fé objetiva, prevista no art. 422 do Código Civil, Lei 10.406/2002, especialmente em relações contratuais. Na advocacia, explicar cenários, riscos e limitações evita expectativas irreais.
Sempre me coloco como se eu fosse o cliente, ou seja, procuro esclarecer e com isso dar ao cliente a certeza de que seu caso é realmente muito importante pra mim.
Autor: Cil Dilamar Valim dos Santos, da Cil Dilamar Advogado
A segunda resposta resume uma rotina poderosa: escutar, estudar e agir. Para advogados, esse ciclo deve aparecer em consultas, reuniões de alinhamento, elaboração de peças e avaliação pós-audiência. Ouvir identifica o problema real; estudar testa hipóteses; agir entrega providência concreta e mensurável.
Eu escuto e estudo, em seguida ajo. Depois estudo e escuto e em seguida ajo e isso se repete sucessivamente.
Autor: Paulo André Pureza Cordeiro, autônomo
A terceira resposta reúne atendimento, atualização de andamentos, pesquisa jurisprudencial, preparação para audiência, estudo contínuo e cobrança equilibrada de honorários. Esses elementos dialogam com o art. 22 do Estatuto da Advocacia, Lei 8.906/1994, que assegura honorários convencionados, arbitrados e de sucumbência.
Para melhorar como profissional, primeiramente, procurei aprender a dar plena atenção ao cliente, inclusive posicionando-o sempre sobre os principais andamentos do processo; importante para dar-lhe segurança.
Procuro, também, pesquisar a jurisprudência atual sobre a causa e, em caso de audiência, preparar-me bem antes de sua realização, não deixando escapar nenhum detalhe para a defesa dos interesses do cliente.
Sempre que possível, empenho-me nas atualizações jurídicas, através de cursos, seminários, palestras e boa doutrina. Por último, procuro cobrar meus honorários sem ganância, dentro dos parâmetros orientados pelo órgão de classe.
Autora: Angela Maria Dorneles de Sá Vicente
A quarta resposta valoriza conhecimento interdisciplinar. Em departamentos jurídicos, esse repertório inclui noções de finanças, operações, tecnologia, governança, proteção de dados e negociação. O advogado que compreende o negócio comunica riscos com mais precisão e propõe alternativas viáveis.
Busco o máximo de conhecimento em diversos seguimentos, pois acredito que um pouco de conhecimento generalizado enriquece bastante a especificidade. Também acho a promoção deste conhecimento levado aos grupos sociais é uma boa forma de melhoria da nossa profissão.
Autora: Celma Mendes de Oliveira, autônoma
A quinta resposta trata entusiasmo e pesquisa como instrumentos de excelência. Mesmo quando o resultado não depende exclusivamente do advogado, a preparação robusta permite entregar defesa técnica, registrar fundamentos e demonstrar diligência. Esse cuidado protege o cliente e o profissional.
Procuro ver cada causa como a primeira e a última e aí, com entusiasmo e pesquisa, fazer o meu melhor para dar ao cliente a melhor solução. Se não a causa ganha, a certeza de ter tido a melhor defesa.
Autor: Sidney de Souza, da Seven Advocacia
Como criar uma rotina prática para melhorar como profissional?
Uma rotina eficiente para melhorar como profissional combina diagnóstico, plano de estudo, gestão de prazos, comunicação com clientes e revisão de resultados. O método precisa caber na agenda real do advogado, com tarefas semanais pequenas, indicadores simples e documentação suficiente para comprovar diligência.
Como diagnosticar pontos de melhoria?
O primeiro passo é listar falhas recorrentes dos últimos três meses. Exemplos: atrasos em retornos, retrabalho em peças, dificuldade para precificar honorários, baixa previsibilidade de prazos internos ou ausência de atualização jurisprudencial. Depois, classifique cada falha por impacto jurídico, impacto financeiro e frequência.
Em seguida, escolha dois pontos prioritários. Um escritório pode decidir reduzir tempo de resposta a clientes e padronizar análise de prazos. Um departamento jurídico pode priorizar contratos críticos e relatórios executivos. A escolha evita dispersão e transforma aperfeiçoamento em processo mensurável.
Como estudar legislação e jurisprudência com método?
O estudo deve partir dos casos reais. Para ações judiciais, acompanhe precedentes obrigatórios do art. 927 do CPC, Lei 13.105/2015, incluindo decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado, súmulas vinculantes, recursos repetitivos, incidente de resolução de demandas repetitivas e incidente de assunção de competência.
Também observe o art. 926 do CPC, Lei 13.105/2015, que exige jurisprudência estável, íntegra e coerente dos tribunais. Na prática, a pesquisa não deve buscar apenas decisão favorável. Ela precisa identificar entendimento dominante, divergências, riscos de distinguishing e argumentos que podem enfraquecer a tese.
Como melhorar o atendimento ao cliente?
Atendimento jurídico eficaz exige agenda, linguagem clara e registro. Defina canais oficiais, prazos de retorno e formato de atualização. Em processos judiciais, explique o significado de cada fase, como citação, contestação, saneamento, audiência, sentença e recurso. Em consultivo, indique riscos, alternativas e próximos documentos necessários.
Quando o atendimento envolve dados pessoais, aplique a LGPD, Lei 13.709/2018. O advogado deve limitar acesso, organizar bases legais, proteger documentos, controlar compartilhamentos e orientar a equipe sobre sigilo. O art. 7º trata hipóteses de tratamento de dados pessoais, e o art. 11 exige maior cuidado com dados sensíveis.
Como tecnologia e gestão jurídica ajudam a melhorar como profissional?
Tecnologia e gestão jurídica ajudam o advogado a transformar conhecimento em execução consistente. Sistemas, fluxos e indicadores não substituem estratégia, mas reduzem esquecimentos, centralizam documentos, organizam prazos e permitem que a equipe acompanhe carteira, produtividade, riscos e obrigações assumidas com clientes.
Um procedimento simples começa pelo cadastro completo do caso. Inclua partes, documentos, procuração, contrato de honorários, objeto, prazos, responsáveis e riscos iniciais. Depois, crie tarefas com data, responsável e critério de conclusão. A ausência de responsável claro costuma gerar falhas mesmo em equipes tecnicamente capacitadas.
No contencioso, a gestão deve separar prazo judicial, prazo interno de elaboração e prazo de revisão. Se um recurso vence em 15 dias úteis, o escritório pode fixar minuta até o décimo dia útil e revisão até o décimo segundo. Essa margem reduz improviso e melhora a qualidade da peça.
No consultivo empresarial, a tecnologia ajuda a registrar solicitações, classificar contratos por risco e gerar histórico de aprovações. Isso facilita auditorias, due diligence, relatórios para diretoria e controle de obrigações. O ganho não está apenas na velocidade, mas na rastreabilidade da decisão jurídica.
Quais erros devem ser evitados ao melhorar como profissional?
O desenvolvimento profissional perde valor quando ignora limites éticos. Advogados devem evitar promessa de resultado, captação irregular, publicidade incompatível, lides temerárias, ausência de contrato de honorários, comunicação confusa e uso descuidado de dados. Aperfeiçoar-se também significa reconhecer riscos e dizer não quando necessário.
O Código de Ética e Disciplina da OAB orienta o advogado a desaconselhar lides temerárias, conforme art. 2º, parágrafo único, VII. Isso significa avaliar viabilidade antes de ajuizar demanda. Uma ação sem base mínima pode gerar custos, frustração do cliente e, em hipóteses processuais específicas, condenação por má-fé.
O art. 80 do CPC, Lei 13.105/2015, lista condutas de litigância de má-fé, como alterar a verdade dos fatos, usar o processo para objetivo ilegal, opor resistência injustificada e interpor recurso manifestamente protelatório. O art. 81 prevê multa, indenização e honorários em favor da parte contrária.
Na publicidade jurídica, o Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB atualizou regras para marketing jurídico, permitindo presença digital informativa e vedando mercantilização, promessa de resultado e captação indevida. Até 2025, esse provimento seguia como referência para comunicação profissional em redes, sites e conteúdos educativos.
Como medir a evolução ao melhorar como profissional?
Medir evolução profissional exige indicadores simples e revisões periódicas. O advogado pode acompanhar prazo médio de resposta, número de prazos reabertos por falha interna, retrabalho em peças, satisfação do cliente, horas de estudo aplicadas, êxito em acordos e previsibilidade de relatórios jurídicos.
Indicadores não devem virar vaidade. Eles precisam orientar decisões. Se o prazo médio de resposta subiu, revise canais e responsáveis. Se peças voltam com muitos ajustes, crie checklist técnico. Se clientes pedem a mesma explicação várias vezes, melhore relatórios, modelos de e-mail e reuniões de alinhamento.
Uma boa revisão mensal pode responder cinco perguntas: quais erros se repetiram, quais decisões funcionaram, quais leis ou precedentes mudaram, quais clientes exigem plano específico e qual habilidade merece treino nas próximas semanas. Esse ciclo torna o aperfeiçoamento contínuo e verificável.
Perguntas frequentes sobre melhorar como profissional
Melhorar como profissional na advocacia exige estudo contínuo, atendimento claro, controle de prazos, pesquisa de precedentes e conduta ética. Comece por mapear falhas recorrentes, criar rotina semanal de atualização e registrar comunicações com clientes para reduzir riscos e aumentar previsibilidade.
Melhorar como profissional exige estudar legislação aplicável à área de atuação, precedentes do art. 927 do CPC, normas da OAB, contratos, proteção de dados e gestão. O estudo deve partir dos casos reais, pois isso transforma atualização em decisão prática.
Melhorar como profissional no atendimento exige escuta ativa, explicação de riscos, definição de canais oficiais e atualizações periódicas. Use linguagem simples, documente orientações relevantes e informe próximos passos. Essa prática reduz ruídos e ajuda o cliente a compreender limites técnicos.
Melhorar como profissional fica mais viável com agenda de prazos, software jurídico, checklists, modelos revisados, base de conhecimento e indicadores. A ferramenta deve apoiar método: cadastrar casos, distribuir tarefas, controlar documentos, registrar decisões e permitir revisão da qualidade entregue.
Melhorar como profissional não autoriza prometer resultado, captar clientes de forma irregular ou ajuizar demandas sem base. O advogado deve respeitar o Código de Ética da OAB, analisar riscos antes de agir e registrar limites da orientação prestada.
Melhorar como profissional também envolve precificar com técnica. Honorários claros, contrato escrito, escopo definido e critérios de cobrança reduzem conflitos. O art. 22 da Lei 8.906/1994 reconhece honorários convencionados, arbitrados e de sucumbência, sempre com observância ética.
Como transformar respostas inspiradoras em plano de ação?
Transformar inspiração em prática exige escolher poucas mudanças e executá-las com constância. Para melhorar como profissional, o advogado pode começar com uma revisão semanal de prazos, uma rotina de estudo de precedentes, um modelo de atualização ao cliente e um checklist para peças e audiências.
As respostas publicadas pela ProJuris mostram que a evolução profissional nasce de atitudes concretas: ouvir, estudar, agir, pesquisar, preparar-se e cobrar com equilíbrio. Quando essas atitudes se conectam à ética, à legislação e à gestão, o resultado é uma advocacia mais segura, organizada e confiável.