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Erros de advogado: 4 falhas que prejudicam a carreira

Veja erros de advogado que afetam clientes, prazos, reputação e gestão, com base no Estatuto da OAB e no Código de Ética.

Erros de advogado: 4 falhas que prejudicam a carreira
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Erros de advogado são condutas, omissões ou falhas de gestão que podem gerar prejuízo ao cliente e responsabilidade profissional, nos termos do art. 32 da Lei 8.906/1994. Na prática, eles afetam prazos, confiança, reputação, honorários e até a continuidade da relação contratual.

Compartilhar acertos e falhas ajuda a tornar a advocacia mais técnica, transparente e sustentável. Alguns equívocos parecem simples, como demorar para responder uma mensagem ou usar linguagem excessivamente técnica, mas podem comprometer a percepção de valor do serviço jurídico e criar riscos éticos, civis e administrativos.

O objetivo deste guia é revisar quatro erros comuns na rotina da advocacia, com exemplos práticos, referências legais e procedimentos objetivos. A ideia não é tratar o erro como fracasso definitivo, mas como ponto de controle para melhorar atendimento, comunicação, planejamento e geração de relacionamentos profissionais.

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Quais erros de advogado exigem mais atenção na rotina profissional?

Os erros de advogado mais recorrentes envolvem atendimento falho, comunicação inacessível, ausência de planejamento e pouca construção de relacionamento. Esses pontos afetam a experiência do cliente, a organização interna e a reputação do profissional, mesmo quando a atuação técnica no processo está correta.

A advocacia exige domínio jurídico, mas também exige gestão. O art. 2º do Código de Ética e Disciplina da OAB, aprovado pela Resolução 02/2015 do Conselho Federal da OAB, vincula o advogado à defesa do Estado Democrático de Direito, da cidadania, da moralidade e da justiça. Essa diretriz não se limita à petição bem escrita.

Quando o advogado não registra prazos, não explica riscos, não formaliza orientações ou não acompanha a expectativa do cliente, ele amplia a chance de conflito. Em situações graves, a falha pode gerar apuração disciplinar, discussão de honorários, reclamação em plataformas públicas, ação indenizatória ou rompimento contratual.

O Estatuto da Advocacia também impõe cuidado. O art. 34 da Lei 8.906/1994 lista infrações disciplinares, como prejudicar cliente por culpa grave, violar sigilo profissional, captar causa indevidamente ou locupletar-se à custa do cliente. Por isso, prevenir falhas operacionais protege o cliente e o próprio escritório.

Erro 1: como evitar negligenciar no atendimento ao cliente?

Negligenciar o atendimento ao cliente significa deixar de prestar informações claras, tempestivas e compatíveis com a etapa do caso. O advogado deve alinhar expectativas, explicar riscos, registrar decisões e manter comunicação organizada, porque o cliente mede a qualidade percebida também pela previsibilidade do contato.

Este é um erro que muitos profissionais subestimam. O processo pode estar parado por motivo externo, como conclusão ao juiz, pauta de audiência ou expedição de ofício, mas o cliente costuma interpretar silêncio como abandono. A ausência de retorno aumenta ansiedade, reduz confiança e gera cobranças repetidas.

O atendimento impecável não exige prometer resultado. Na verdade, o art. 8º do Código de Ética e Disciplina da OAB veda a divulgação de serviços com promessa de resultado ou indução indevida. O caminho correto é explicar cenário, probabilidade, riscos, próximos atos e limites da atuação técnica.

O art. 9º do Código de Ética da OAB determina que o advogado informe o cliente, de forma clara e inequívoca, sobre riscos da pretensão, consequências da demanda e demais circunstâncias relevantes. Essa obrigação deve aparecer na consulta inicial, no contrato de honorários e nas atualizações de andamento.

Quais problemas surgem quando o cliente cobra o tempo todo?

Primeiro, o advogado pode não ter alinhado expectativas corretamente. Explique quais etapas o processo percorrerá, quais atos dependem do Judiciário, quais documentos serão necessários e quais prazos costumam variar. Em uma reclamação trabalhista, por exemplo, desenhe o fluxo entre ajuizamento, audiência, sentença, recurso e execução.

Segundo, o escritório pode não ter rotina de comunicação. Crie uma regra simples: enviar atualização em marcos processuais e também em períodos sem movimentação relevante. Em processos cíveis, lembre que o CPC conta prazos processuais em dias úteis, conforme art. 219 da Lei 13.105/2015, salvo disposição em contrário.

Um procedimento prático reduz ruído. Ao receber o caso, registre dados do cliente, canais autorizados, documentos entregues, objetivo jurídico e grau de urgência. Depois, envie um resumo por escrito. Ao protocolar petição ou receber decisão, informe o conteúdo em linguagem simples e indique se existe prazo para providência.

Também formalize orientações sensíveis. Se o cliente decide não recorrer, não comparece a audiência ou deixa de entregar documento, registre a orientação e a decisão. Essa cautela protege a relação e preserva prova da comunicação. O advogado não deve transformar o atendimento em burocracia, mas precisa documentar pontos relevantes.

A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça reconhece, em linhas gerais, que a perda de prazo ou a atuação culposa do advogado pode gerar responsabilidade civil quando houver nexo causal e dano demonstrado, inclusive sob a lógica da perda de uma chance. Por isso, atendimento, prazo e documentação caminham juntos.

Erro 2: por que usar o “juridiquês” prejudica a confiança do cliente?

Usar juridiquês prejudica a confiança porque impede o cliente de compreender riscos, custos, alternativas e consequências jurídicas. A linguagem técnica tem lugar em peças processuais e pareceres, mas o atendimento exige tradução adequada ao perfil do destinatário, sem perder precisão nem simplificar de modo irresponsável.

Há alguns anos, era comum ouvir que determinado advogado era ótimo, mas ninguém entendia o que ele falava. Hoje, clientes comparam informações, consultam fontes públicas e conversam com outros profissionais. Informações nebulosas já não sustentam autoridade. Clareza, coerência e escuta constroem reputação.

A comunicação deve variar conforme o público. Um departamento jurídico de grande empresa pode compreender expressões como tutela provisória, preclusão, ônus da prova e compliance contratual. Já uma pessoa física em ação de família, consumo ou trabalho precisa entender o que acontecerá em sua vida concreta.

O CPC reforça a necessidade de cooperação e boa-fé processual. O art. 6º da Lei 13.105/2015 estabelece que todos os sujeitos do processo devem cooperar para decisão de mérito justa e efetiva. Embora o dispositivo trate do processo, a lógica de colaboração também orienta a relação advogado-cliente.

Troque frases excessivamente técnicas por explicações verificáveis. Em vez de dizer apenas que “houve preclusão temporal”, explique que o prazo para praticar determinado ato terminou e que a lei não permite repeti-lo, salvo hipótese excepcional. Em vez de “ônus probatório”, diga quais documentos ou testemunhas o cliente precisa apresentar.

Na prática, observe ritmo, vocabulário e reação do cliente. Se ele fica em silêncio, muda de assunto ou concorda sem perguntar nada, confirme compreensão. Pergunte se a explicação ficou clara e peça que ele resuma a decisão tomada. Essa checagem evita consentimento aparente e reduz conflitos futuros.

A clareza também ajuda na cobrança de honorários. O contrato deve indicar objeto, forma de pagamento, despesas, êxito, rescisão e limites da atuação. O art. 48 do Código de Ética da OAB trata dos honorários e recomenda moderação, transparência e compatibilidade com o trabalho, a complexidade e o tempo exigido.

Erro 3: como a falta de planejamento afeta escritórios de advocacia?

A falta de planejamento afeta escritórios de advocacia porque desorganiza prazos, prejudica prioridades, dificulta controle financeiro e compromete a qualidade da estratégia jurídica. Planejar permite distribuir tarefas, acompanhar indicadores, preparar diligências e decidir quais casos, clientes e áreas fazem sentido para o posicionamento profissional.

Esse erro costuma aparecer em profissionais com perfil muito executor. A pessoa atende, peticiona, vai ao fórum, responde mensagens e fecha contratos, mas não define prioridades. O resultado é uma rotina reativa. O advogado trabalha muito, porém não sabe se está avançando na direção correta.

Ter planejamento estratégico para escritórios de advocacia ajuda a evitar que tudo pareça urgente. O plano deve contemplar áreas de atuação, perfil de cliente, precificação, canais de atendimento, metas realistas, controle de prazos, fluxo financeiro e critérios para aceitar ou recusar demandas.

No plano processual, a ausência de controle pode gerar consequências severas. O prazo recursal no processo civil, em regra, é de 15 dias úteis, conforme art. 1.003, §5º, do CPC (Lei 13.105/2015). Embargos de declaração têm prazo de 5 dias, conforme art. 1.023 da mesma lei. Perder esses prazos pode comprometer a defesa.

O planejamento começa com um mapa simples. Liste todos os processos, prazos, responsáveis, documentos pendentes e próximos atos. Classifique atividades por urgência e impacto. Depois, revise diariamente prazos críticos e semanalmente tarefas estratégicas. A agenda do advogado deve separar produção técnica, atendimento, estudo, gestão e desenvolvimento comercial lícito.

Também planeje a causa antes de executar atos. Identifique fatos controvertidos, provas disponíveis, riscos de sucumbência, possibilidade de acordo e custo do litígio. O art. 373 do CPC distribui o ônus da prova entre autor e réu. Se o advogado ignora essa regra, pode propor demanda sem documentação mínima.

Na gestão financeira, registre honorários contratados, despesas reembolsáveis, custas, repasses, êxitos e inadimplência. A advocacia não combina com improviso financeiro. Sem controle, o profissional aceita excesso de causas, reduz margem, atrasa entregas e perde energia para casos estratégicos.

Planejamento também envolve tecnologia e proteção de dados. A Lei Geral de Proteção de Dados, Lei 13.709/2018, exige bases legais, segurança e finalidade no tratamento de dados pessoais. Escritórios lidam com informações sensíveis, documentos médicos, dados financeiros e conflitos familiares. Organizar acesso, armazenamento e descarte reduz riscos.

Erro 4: por que não fazer networking limita oportunidades na advocacia?

Não fazer networking limita oportunidades porque reduz indicações qualificadas, parcerias técnicas, aprendizado e presença institucional. Na advocacia, relacionamento profissional lícito não significa captação indevida de clientela; significa construir confiança, participar de ambientes relevantes e manter contato respeitoso com pessoas e organizações.

Muitos advogados recém-formados dizem que não conhecem ninguém. A resposta prática é começar pelos contatos existentes: colegas de faculdade, professores, familiares, ex-chefes, clientes antigos de estágios, grupos de estudo, associações, comissões da OAB e conexões profissionais em redes sociais.

O Instagram e outras plataformas podem apoiar a construção de autoridade, desde que o advogado respeite as regras de publicidade. O Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB permite marketing jurídico informativo, mas veda mercantilização, promessa de resultado e captação indevida.

Relacionamento não deve nascer apenas do interesse imediato. Um advogado que atua em direito previdenciário pode dialogar com contadores, médicos, assistentes sociais e sindicatos. Um profissional de direito empresarial pode participar de associações comerciais, eventos de inovação e encontros de empreendedores. O foco é oferecer conhecimento e criar confiança legítima.

Invista em networking jurídico desde o começo. Frequente eventos jurídicos para encontrar colegas, correspondentes e parceiros. Frequente eventos do mercado do seu cliente para entender dores reais, linguagem do setor e oportunidades de atuação preventiva.

Um método simples ajuda. Antes do evento, defina quem estará presente e qual conversa faz sentido. Durante o encontro, escute mais do que fala e registre contatos relevantes. Depois, envie mensagem personalizada, compartilhe material útil e mantenha periodicidade. O objetivo não é vender serviços de forma agressiva, mas cultivar relacionamento profissional.

Também respeite limites éticos. O art. 7º do Código de Ética da OAB proíbe oferta de serviços que implique captação de clientela. Assim, evite abordar pessoas em situação de vulnerabilidade com proposta direta de ação judicial. Prefira conteúdo informativo, conversas institucionais e encaminhamentos feitos com consentimento.

Por que errar faz parte do aprendizado de todo advogado?

Errar faz parte do aprendizado quando o advogado transforma a falha em método de melhoria. O problema não está em reconhecer uma dificuldade, mas em repetir erros de advogado sem controle, sem revisão e sem correção de processos internos que protegem clientes e reputação.

Quem nunca demorou para responder um cliente, aceitou uma causa sem analisar documentos, explicou uma tese de forma confusa ou deixou o planejamento para depois? A maturidade profissional surge quando o advogado identifica a causa do erro e muda a rotina.

Crie uma revisão mensal. Analise reclamações, atrasos, retrabalhos, prazos apertados, propostas recusadas e clientes que deixaram de contratar. Depois, transforme cada ponto em ação concreta: modelo de e-mail, checklist de consulta, roteiro de reunião, política de retorno, tabela de documentos ou agenda de follow-up.

Também invista em supervisão e troca técnica. Conversar com colegas mais experientes, participar de grupos de estudo e revisar peças antes do protocolo reduz riscos. O art. 77 do CPC impõe deveres de boa-fé, lealdade e cumprimento das decisões judiciais às partes e procuradores, o que reforça a importância do zelo técnico.

Quando a falha já ocorreu, aja rápido. Informe o cliente com transparência, avalie medidas processuais possíveis, documente a solução proposta e busque orientação ética se necessário. Em casos de potencial dano, o escritório deve analisar responsabilidade, seguro profissional, composição e comunicação adequada.

Aprender com erros de advogado evita perda de tempo e amplia a visão sobre gestão, pessoas e técnica. A advocacia melhora quando profissionais compartilham experiências com honestidade, sem glamourizar improviso e sem tratar organização como detalhe administrativo.

Como continuar aprendendo sobre carreira de advogado?

Continuar aprendendo sobre carreira de advogado exige estudo jurídico, gestão, comunicação e atualização ética. O profissional precisa acompanhar leis, provimentos da OAB, tecnologia, comportamento do cliente e formas lícitas de posicionamento, porque a qualidade técnica depende também da forma como o serviço é entregue.

Revise periodicamente sua rotina de atendimento, linguagem, planejamento e networking. Esses quatro pontos reduzem erros de advogado e fortalecem uma atuação mais previsível. Se você quer receber materiais sobre carreira, gestão jurídica e melhores práticas, Faça seu cadastro e receba materiais exclusivos em seu email.

Perguntas frequentes sobre erros de advogado

Quais são os principais erros de advogado?

Erros de advogado incluem negligenciar atendimento, perder prazos, usar linguagem incompreensível, não formalizar orientações, atuar sem planejamento e fazer networking sem observar limites éticos. Esses erros afetam a confiança do cliente, a eficiência do escritório e podem gerar responsabilidade disciplinar ou civil.

Quando o advogado pode ser responsabilizado por erro profissional?

Erros de advogado podem gerar responsabilidade quando houver conduta culposa ou dolosa, dano e nexo causal. O art. 32 da Lei 8.906/1994 prevê responsabilidade pelos atos praticados com dolo ou culpa. A análise depende do caso concreto, das provas e da extensão do prejuízo.

Perder prazo processual é erro grave do advogado?

Erros de advogado relacionados à perda de prazo costumam ser graves, especialmente quando impedem recurso, defesa ou produção de prova. No CPC, muitos prazos contam em dias úteis, conforme art. 219 da Lei 13.105/2015. O controle de agenda e dupla conferência reduzem esse risco.

Como o advogado deve comunicar riscos ao cliente?

Erros de advogado diminuem quando o profissional explica riscos por escrito, em linguagem clara, antes e durante a demanda. O art. 9º do Código de Ética da OAB exige informação clara sobre riscos e consequências. A orientação deve incluir custos, prazos, chances e alternativas.

Advogado pode fazer marketing e networking?

Erros de advogado em marketing ocorrem quando há promessa de resultado, captação indevida ou mercantilização. O Provimento 205/2021 da OAB permite marketing jurídico informativo. Networking é permitido quando preserva discrição, conteúdo técnico, consentimento e respeito aos limites do Código de Ética.

Como evitar erros de advogado no início da carreira?

Erros de advogado no início da carreira podem ser evitados com checklists, controle de prazos, contrato escrito, supervisão de peças, estudo contínuo e comunicação objetiva. O profissional deve registrar decisões do cliente, organizar documentos, evitar promessas e buscar mentoria em casos complexos.

Flávia Maria

Advogada graduada pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, pós-graduada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlia Vargas, com MBA em Gestão Estratégica de Serviços pela mesma instituição. Atua há mais de 13 anos à frente da AFO Advogados. É palestrante sobre temas relevantes do Direito e Empreendedorismo, também mantém o canal Direito e de Salto no Youtube onde de forma clara e muito simples fala sobre Direito.

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