A gestão de contratos chega a 2026 como um dos principais indicadores de maturidade jurídica e organizacional. O aumento expressivo do volume contratual, a multiplicação de obrigações regulatórias e a pressão por decisões rápidas e bem fundamentadas expõem os limites de modelos baseados apenas em controle formal, memória individual ou atuação reativa.
Nesse contexto, o contrato deixa de ser apenas um instrumento de formalização jurídica e passa a ser compreendido como um elemento estruturante da operação. Ele define alocação de riscos, condiciona fluxos financeiros, influencia negociações futuras e impacta diretamente a previsibilidade do negócio.
As tendências a seguir revelam como essa mudança se consolida em 2026 e porque a gestão contratual passa a ocupar posição central na estratégia jurídica e corporativa.
1. Gestão de contratos como mecanismo de preservação estrutural de valor
A primeira grande tendência é a redefinição do propósito da gestão contratual. Por muitos anos, contratos foram geridos sob uma lógica defensiva. O objetivo principal era evitar nulidades, reduzir exposição a litígios e responder a problemas quando eles surgiam. Em 2026, essa abordagem se mostra insuficiente.
O impacto econômico dos contratos raramente se manifesta de forma abrupta. Ele se acumula ao longo do tempo. Cláusulas desequilibradas replicadas em larga escala, obrigações não monitoradas, reajustes automáticos mal negociados e aditivos firmados sob pressão criam um efeito erosivo contínuo sobre margem e previsibilidade financeira.
Uma gestão contratual madura passa a atuar sobre essa camada estrutural. O jurídico deixa de olhar contratos de forma isolada e passa a analisá-los como um conjunto que molda relações comerciais e condiciona resultados futuros. O foco não está apenas em “resolver problemas”, mas em reduzir a probabilidade de que eles aconteçam.
Nesse modelo, preservar valor passa a ser tão relevante quanto evitar risco. O contrato deixa de ser um instrumento estático e passa a ser uma variável ativa da estratégia do negócio.
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2. Inteligência artificial como mudança de escala da análise jurídica
A segunda tendência é a incorporação definitiva da inteligência artificial como base da análise contratual. Em 2026, o volume, a diversidade e a complexidade dos contratos tornam inviável qualquer modelo sustentado exclusivamente por leitura manual. A limitação não é técnica, mas estrutural.
Não se trata de esforço, mas de escala. A IA já opera de forma mais madura nesse contexto, com foco em acelerar e qualificar a gestão de contratos, e a tendência é sua consolidação em um número crescente de sistemas. A Gartner projeta que, até 2027, 50% das empresas usarão inteligência artificial para melhorar a negociação de contratos.
A inteligência artificial permite transformar contratos em dados estruturados, passíveis de comparação, agrupamento e análise contínua. O ganho mais relevante não está apenas na automação de tarefas repetitivas, mas na mudança de perspectiva que ela proporciona.
Ao analisar contratos de forma agregada, o jurídico passa a identificar padrões de risco, recorrências de desvios, assimetrias contratuais e incoerências em relação a políticas internas. Esse tipo de insight dificilmente emerge em análises pontuais ou fragmentadas. A consequência é uma atuação mais estratégica.
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3. Governança contratual e cultura de dados como fator crítico de eficiência
A terceira tendência aprofunda um ponto crítico frequentemente negligenciado: governança. Em 2026, não existe gestão contratual eficiente sem dados confiáveis. Tecnologia, sem disciplina informacional, amplifica problemas em vez de resolvê-los. Bases desatualizadas, informações incompletas e processos informais geram análises distorcidas e decisões frágeis.
A governança contratual se manifesta na forma como informações são organizadas, atualizadas e utilizadas. Prazos, valores, obrigações, alterações contratuais e decisões precisam estar vinculados a processos claros, com critérios objetivos e rastreabilidade.
Essa disciplina reduz exceções improvisadas, evita decisões contraditórias e cria previsibilidade operacional. O jurídico passa a operar com menos urgência artificial e mais planejamento. A área deixa de ser percebida como um ponto de incerteza e passa a ser fonte de estabilidade para o negócio.
4. Legal Operations como estrutura de sustentação da gestão contratual
A quarta tendência é a consolidação de Legal Operations como elemento estruturante da gestão de contratos. A gestão contratual não pode depender de esforços individuais, soluções improvisadas ou conhecimento concentrado em poucas pessoas.
Legal Operations introduz lógica operacional à gestão jurídica. Processos são definidos, responsabilidades são distribuídas e métricas passam a orientar decisões. A gestão de contratos passa a ser acompanhada por indicadores como tempo de ciclo, gargalos recorrentes, volume por tipo contratual, incidência de aditivos e desvios de padrão.
Essa abordagem muda a dinâmica interna. O jurídico passa a identificar onde perde eficiência, onde concentra riscos e onde ajustes geram maior impacto. As decisões deixam de ser reativas e passam a ser planejadas.
O efeito prático é um jurídico mais previsível, mais bem integrado às áreas de negócio e menos sujeito a decisões tomadas sob pressão.
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5. O pós-assinatura como núcleo estratégico da gestão contratual
A quinta tendência redefine o momento mais crítico da gestão de contratos. Historicamente, a assinatura foi tratada como ponto final do trabalho jurídico. Em 2026, ela passa a ser apenas o início. A execução do contrato se consolida como a fase de maior impacto para o negócio.
Obrigações, SLAs, marcos contratuais, reajustes e hipóteses de revisão precisam ser monitorados de forma contínua. A ausência desse acompanhamento gera perdas silenciosas, decisões emergenciais e renegociações desfavoráveis.
Mais do que controle, o pós-assinatura passa a ser fonte de inteligência. Os dados gerados durante a execução dos contratos alimentam negociações futuras, revisão de políticas internas e decisões estratégicas mais bem fundamentadas.
O jurídico deixa de atuar apenas quando o problema aparece e passa a construir conhecimento a partir da própria operação contratual.
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Conclusão
As cinco tendências de gestão de contratos em 2026 revelam um movimento consistente de amadurecimento jurídico e organizacional. O contrato deixa de ser um documento administrativo e passa a ocupar posição estrutural na estratégia do negócio.
Quando a gestão contratual é estruturada, disciplinada e orientada por dados, ela reduz exposição a riscos, aumenta previsibilidade e qualifica decisões. O jurídico ganha clareza de atuação, relevância interna e capacidade real de influenciar resultados.
Em 2026, a vantagem competitiva não estará em quem assina mais contratos, mas em quem consegue gerir esses contratos com visão sistêmica, método e consistência ao longo do tempo.
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