Se a empresa “deve” para você, você frequenta lista de “promoção”, se você “deve” para a empresa, você frequenta lista de “demissão”

Eu considero que tive sorte na minha carreira profissional. Tive ótimas oportunidades de crescimento e elas apareceram quando eu estava preparado para aproveitá-las. Juntar estas duas situações no mesmo momento não depende exclusivamente de cada pessoa, como existe uma parte imponderável, chamo isso de sorte. Por vezes a oportunidade aparece e você não está preparado, outras vezes você está pronto, mas a oportunidade não acontece.

Ocorre que podemos dar uma grande ajuda para esta “sorte”, são apenas duas coisas que têm que acontecer, a oportunidade e o preparo. Temos controle total de 50% destas condições pois podemos sempre estar preparados e deixar apenas a outra fora do nosso controle.

Mas como podemos saber se estamos preparados? Uma forma simples de ter um bom indício se esta condição existe é perguntar se você está “devendo” para a empresa ou se ela está “devendo” para você, explico:

No sistema de troca que usamos na nossa relação de trabalho, entregamos um serviço e recebemos em troca algum dinheiro (claro que recebemos e desenvolvemos outras coisas também e assim crescemos profissionalmente). Normalmente as empresas definem o equilíbrio desta relação com descrições de cargo e tabelas salariais, depois usam avaliação de desempenho, seja qual for a metodologia, para através de um processo que deveria ser meritocrático, ajustar de tempos em tempos o salário ou o cargo do profissional.

O que acontece se você está entregando mais pelo que está recebendo? Para muitos é prova da exploração do trabalho, afinal até mesmo a lei garante equiparação salarial.

“Sou analista júnior e faço do trabalho de pleno, na verdade de sênior, pode ver lá na descrição de meu cargo”

Que grande engano o profissional comete, que grande oportunidade ele está perdendo. Com certeza o jogo político existe em muitas empresas, com certeza de tempos em tempos decisões erradas de promoção são tomadas. Mas as empresas de sucesso tomam mais decisões corretas do que erradas.

Por outro lado, o que acontece se você está entregando menos pelo está recebendo? Com certeza é uma relação que em algum momento será revista. Pode ser que seu gestor ou o processo de avaliação não detectem isto no curto prazo, mas lembre-se que empresas boas acertam mais que erram, então corra e cubra esta lacuna.

Assuma o controle da metade dos requisitos para crescer na carreira estando sempre preparado para aproveitar as oportunidades. Mostre que está preparado, assumindo atividades  e entregando resultados acima da sua função atual, não fique na média. Desta forma você vai migrar seu nome da lista de demissão para a lista de promoção.

O texto acima reflete a minha opinião sobre o tema, fruto da experiência pessoal depois de 30 anos de trabalho. Não pretende de forma alguma definir “verdades”, mas quem me conhece, reconhece neste texto a forma como eu penso e trato os assuntos na empresa. Gosto muito de uma frase “não existe o certo e o errado em gestão, existe o que dá certo e o que dá errado”.

Moacir Cardoso é diretor de desenvolvimento de novos negócios no ProJuris e este artigo foi originalmente publicado em seu linkedin.

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