Advogado e Empreendedor: é possível ser ambos no Brasil?

“Sou brasileiro e não desisto nunca”. Esta frase representa uma verdade absoluta para milhares de brasileiros anônimos que tem, na esperança, a certeza inabalável de que o futuro será melhor.

O brasileiro é um empreendedor nato, geralmente abusando do “jeitinho brasileiro” para encontrar formas inovadoras de garantir seu sustento.

Na advocacia, o panorama é parecido. Em 2016, o Brasil atingiu a marca de mais de 1 milhão de OABs ativas. A cada ano, uma nova leva de mais de 60 mil novos estudantes se forma em direito, inundando o mercado de trabalho com mão de obra e ímpeto empreendedor. O Brasil é, inclusive, o país com maior número de cursos de direito no mundo, caracterizando um desafio a parte de uma oportunidade única para seus frequentadores.

Diferente do restante da população, o profissional da área jurídica domina com maestria sua área de atuação e, por consequência, encara o desafio de evoluir profissionalmente e de empreender de uma forma única, mas nem por isso mais eficiente.

O ímpeto empreendedor do brasileiro

O brasileiro é um empreendedor nato. Segundo o estudo GEM Nacional, realizado pelo SEBRAE em 2017, o Brasil ocupa a terceira posição mundial em impulso para empreendedorismo – e a taxa de crescimento no volume de novos negócios iniciados por parcela da população cresceu 58% de 2002 até 2016. Em resumo, o estudo do SEBRAE comprova a vocação e resiliência do brasileiro.

Com base nos dados da RAIS 2015, verifica-se também que, no Brasil, a participação dos pequenos negócios no setor privado da economia chega a 70% dos postos de trabalho (ou 51 milhões contra 21 milhões das médias e grandes empresas).

Entre 2010 e 2014, a taxa de sobrevivência das empresas com até 2 anos passou de 54% para 77%. Em boa parte, essa melhora se deve à ampliação do número de Microempreendedores Individuais (MEI).

A alta mortalidade das empresas no Brasil

Contrastando com o “jeitinho persistente do brasileiro” e o alto número de novas empresas criadas a cada ano, existe a taxa de mortalidade das empresas no Brasil. Segundo o estudo de Sobrevivência de Empresas no Brasil 2016, 23% das empresas fecharam as portas antes de alcançar o segundo ano de atuação.

Uma combinação de fatores, divididos em quatro grandes áreas, tem grande e direta influência sobre o insucesso deste grupo de empresas: a situação do empresário antes da abertura, o planejamento dos negócios, a capacitação em gestão empresarial e a gestão do negócio em si.

Podemos concluir que a falta de preparação do empreendedor é o principal fator a ser combatido para diminuir a probabilidade uma empresa não dar certo em sua jornada rumo ao sucesso. Noções básicas de empreendedorismo, planejamento e gestão financeira são as principais razões do fracasso informadas no estudo.

Por mais elementar que possa parecer, estes 3 itens que são elementos presentes em boa parte dos cursos de ciências humanas no Brasil, raramente aparecem com qualquer ou algum destaque nas grades dos cursos de Direito.

Foco na graduação e na carreira

Segundo o Censo Jurídico 2017, que analisou mais de 300 profissionais da área jurídica no Brasil, o foco na formação e especialização é uma característica extremamente pungente no ramo jurídico. A necessidade de tornar-se especialista em algum ramo do direito é praticamente um consenso entre os respondentes e, infelizmente, esta preocupação excessiva em atributos técnicos do Direito acabam gerando profissionais tecnicamente excelentes no domínio do Direito e essencialmente limitados no entendimento e prática das noções básicas de gestão de seus próprios negócios.

Em resumo, existe a percepção de que os cursos de Direito formam advogados excepcionais, mas pecam na equiparação de seu conhecimento jurídico com o conhecimento administrativo, obrigatório para criação e manutenção de negócios sustentáveis.

Obviamente existem exceções a esta regra mas, no geral, os grandes advogados empreendedores que encontramos no Brasil atribuem seu conhecimento em gestão a cursos complementares ou experiências obtidas fora do ambiente acadêmico, corroborando a tese de que os empreendedores que tem sucesso no Brasil são aqueles que tiveram algum tipo de preparação para tal.

O futuro ideal

Em um futuro ideal, teríamos dois cenários possíveis durante a educação dos brasileiros que ajudariam ou influenciariam positivamente seu desempenho enquanto empreendedores.

Acredito que o ensino sobre gestão e finanças deveria ser atividade obrigatória em algum ponto da educação fundamental das crianças e jovens. É conhecimento imprescindível para a vida entender os fundamentos da gestão financeira, mesmo que apenas para uso pessoal, mas que certamente teria implicações diretas na vida dos alunos.

Caso não fosse possível inserir este tipo de conteúdo na grade curricular de nossos jovens, o mesmo deveria estar, obrigatoriamente, incluso na grade da graduação de Direito. Obviamente seria impensável incluir cursos completos e avançados de empreendedorismo, planejamento, gestão financeira e contábil dentro de um curso de Direito, mas é imprescindível que alguns itens fossem melhor aproveitados para garantir que os estudantes saíssem da graduação com algum nível de conhecimento sobre o assunto, aumentando assim suas chances de sucesso no mundo do empreendedorismo.

Além das opções acima, considero importante também a responsabilidade dos pais sobre determinadas lições aos filhos. Lições básicas sobre controle de suas finanças, direitos e responsabilidades tem papel essencial na criação de cidadãos cientes de seu papel e do impacto de suas atitudes (ou falta delas). Venho de uma família empreendedora e, por sorte, tive o privilégio de ter em meu pai um tutor que me ensinou diversas lições, boas e ruins, sobre como cuidar de minhas finanças e sobre como criar, manter e expandir um negócio maneira saudável e lucrativa.

É possível fazer algo HOJE para melhorar?

Apesar do panorama passado não ser tão positivo, em tempos de internet e acessibilidade temos todas as ferramentas necessárias para começar HOJE a mudar nosso entendimento sobre determinados temas e, desta forma, influenciar positivamente nossas probabilidades de sucesso em uma eventual caminhada empreendedora.

  • Avalie seu momento e perfil

O empreendedorismo, em geral, nasce de oportunidade ou necessidade. Fazer uma autoanálise de seu perfil e de seu momento de vida costumam clarear, e muito, o entendimento de possíveis motivações para empreender.

As desmotivações e frustrações do dia a dia costumam ser os gatilhos mais comuns e que desencadeiam mais rapidamente planos de ação de novos empreendedores para criar seus planos de “mudança de vida”.

É ótimo ter uma motivação importante, mas fique atento para não deixar a pressa comprometer a qualidade de seu plano. Dedicar tempo para autoanálise e planejamento é a maneira mais eficiente para evitar o início de um plano de negócio mal sucedido.

  • Invista em planejamento

Quanto mais tempo investido em planejamento, menor a probabilidade de seu plano encontrar dificuldades ao longo de sua execução. Obviamente planejamento sem ação não passa de sonho e perda de tempo, mas, ação sem planejamento beira a loucura.

Invista tempo em planejamento. Planejamento é pensar antes para executar depois, se, e somente se, fizer sentido. Uma análise detalhada de mercado e um plano de negócios são as ferramentas ideias para que você só comece um negócio que tem potencial para dar certo. Use seu tempo hoje para não perde-lo amanhã.

  • Procure ajuda de especialistas

Uma maneira fácil e rápida de começar seu plano de empreendedorismo jurídico com o pé direito e iniciá-lo com a ajuda de especialistas. Iniciamos este conteúdo com análise de dados de uma pesquisa do SEBRAE e, sem sombra de dúvidas, o SEBRAE é a melhor referência nacional em empreendedorismo e certamente está presente em sua cidade ou região.

Se você não quiser ir até o SEBRAE, lembre-se que você possui uma entidade de classe chamada OAB. Em diversas OABs existem grupos de apoio às iniciativas de empreendedorismo, além de cursos recorrentes que poderão ajuda-lo em todas as etapas e itens específicos da criação e gestão de um negócio. Abuse deste relação com a OAB, afinal, seu sucesso é o sucesso da classe, aproveite-se disso e torne-se uma referência em sua região.

Se nenhuma das opções for ideal para sua realidade, conte com a ajuda do Google. A internet está cheia de materiais e ebooks que lhe ajudarão a começar a sua fase de planejamento com calma e inteligência, garantindo assim o sucesso de sua empreitada.

  • Converse com outros empreendedores

Conte com a experiência de outras pessoas para garantir que você não vai cometer os mesmos erros que outras pessoas já cometeram. Certamente em seu círculo de amizades ou profissional existem empreendedores que tiveram algum tipo de sucesso em sua carreira.

Dificilmente você encontrará uma pessoa ou empresa com o mesmo tipo de dúvidas e problemas que você tem ou está passando, mas, a conversa com diversas pessoas, de diversas áreas e com diversos tipos de experiência certamente levará você a entender um pouco melhor sua própria realidade. Este entendimento sempre nos leva a encontrar adaptações de situações reais com outras pessoas para a resolução de seus próprios problemas e dúvidas.

Abuse destes relacionamentos, afinal, a curiosidade não tem custo, apenas benefícios. Quanto mais pessoas forem consultadas ao longo da criação e execução de seu plano de empreendedorismo, maiores serão as suas possibilidades de entender e antever eventuais problemas de seu próprio negócio.

  • Abuse do uso da tecnologia

Atualmente a internet em geral, programas específicos de uso diário e até aplicativos  em seu celular estão disponíveis com o único objetivo de facilitar sua rotina diária. Aqui na ProJuris desenvolvemos um software jurídico que tem como objetivo eliminar a ineficiência dos escritórios de advocacia e departamentos jurídicos. Permita-se usufruir destes insumos.

O ProJuris, assim como demais softwares de gestão, permitirão que você gaste menos tempo com atividades repetitivas e/ou morosas e possa focar seu tempo e intelecto em atividades onde você pode realmente fazer a diferença para ampliar sua capacidade de geração de retorno financeiro.

Diariamente encontro, no ProJuris, diversos advogados que contratam nosso software com a intenção de ganhar tempo ao automatizar suas rotinas jurídicas (gestão financeira do escritório, gestão de atividades da equipe, automação da busca de andamentos ou de citações em diários por exemplo), mas que não se permitem abandonar velhos hábitos e, por consequência, não sentem o benefício que a ferramenta se propõe a oferecer. Desta forma mantem-se estagnados fazendo as coisas como sempre fizeram e deixam de obter benefícios reais para seus negócios.

Tenha a mente aberta e perceba que se você continuar fazendo as coisas como sempre fez, continuará tendo os mesmos resultados. Aposte na relação com a tecnologia e colha os resultados que esta relação de confiança pode gerar.

  • Não tenha medo de começar

A paralisia costuma acometer grande parte dos pretensos empreendedores. O medo de dar errado impede o primeiro passo. Saiba que se você investiu o devido tempo e atenção em seu plano, suas chances de sucesso aumentaram exponencialmente.

Tente resistir ao medo e abrace a oportunidade de ser o único responsável pelo sucesso de sua situação e de seu futuro. Tenha certeza que, mesmo com dificuldades, os benefícios que este futuro lhe reserva são incomensuráveis. Aproveite e sucesso!

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Tiago Fachini é CMO da ProJuris Software Jurídico. Escreve à Universidade ProJuris bimestralmente.

Comments 1

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    Abraço.

    Aragão Consulting
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