Cases

Software jurídico: case Ardagh e Projuris Empresas

Software jurídico na prática: veja como a Ardagh organizou demandas, documentos, SLA e fluxos do departamento jurídico.

Software jurídico é a aplicação de programa de computador à gestão de demandas, documentos, prazos e indicadores legais, nos termos do art. 1º da Lei 9.609/1998. Na prática, ele organiza o trabalho do departamento jurídico e reduz riscos de perda de informação, prazo e rastreabilidade.

A Ardagh Group é uma empresa de operação global, líder mundial na produção de embalagens de vidro e metal, com atuação industrial complexa e relacionamento constante com áreas internas, fornecedores, clientes e órgãos públicos. Em estruturas desse porte, o jurídico precisa responder com método, histórico documentado e critérios claros de priorização.

Desde 2017, o departamento jurídico utiliza o software jurídico Projuris Empresas para organizar sua demanda e otimizar a gestão do setor. A experiência relatada pela gerente jurídica e de compliance Juliana Rota e pelo advogado Tiago Moura mostra como tecnologia, processo e governança se conectam na rotina de um jurídico corporativo.

Quem é a Ardagh e por que seu jurídico precisava de software jurídico?

A Ardagh atua em ambiente empresarial global, com alto volume de interações contratuais, societárias, trabalhistas, regulatórias e comerciais. Para um departamento jurídico, esse contexto exige centralização de informações, padronização de requisições e controle de prazos, porque decisões dispersas em e-mails ou planilhas aumentam o risco operacional e reduzem a previsibilidade.

Em empresas industriais, o jurídico recebe demandas de compras, vendas, recursos humanos, financeiro, compliance, fiscal e operações. Cada área usa uma linguagem própria e costuma enxergar urgência de modo diferente. Sem um canal único, pedidos chegam incompletos, documentos ficam duplicados e a equipe jurídica gasta tempo reconstruindo fatos antes de analisar o mérito.

O uso de software jurídico cria uma camada de governança sobre esse fluxo. A ferramenta registra quem solicitou, quando solicitou, quais anexos foram enviados, qual área responde pela próxima etapa e qual status acompanha a requisição. Esses registros ajudam a demonstrar diligência, inclusive quando a empresa precisa explicar internamente a origem de uma decisão ou a razão de determinado prazo.

Quais desafios levaram a Ardagh a escolher uma solução de gestão jurídica?

Os principais desafios relatados envolviam alta demanda de outras áreas, ausência de fluxo maduro para atendimento de requisições, necessidade de maior poder de gestão e gerenciamento documental. Esses pontos costumam indicar que o jurídico deixou de atuar apenas como área consultiva e passou a precisar de estrutura operacional mensurável.

Como a elevada demanda afeta a rotina jurídica?

A elevada demanda de outras áreas impacta diretamente a triagem. Quando tudo chega pelo mesmo canal informal, o jurídico não consegue distinguir com rapidez uma dúvida simples, uma negociação contratual urgente, uma intimação com prazo processual ou uma demanda de compliance sensível. O resultado costuma ser retrabalho, filas invisíveis e dificuldade para justificar prioridades.

Um fluxo estruturado permite classificar cada solicitação por tipo, unidade de negócio, criticidade, prazo e responsável. Em contratos, por exemplo, a equipe pode separar minuta nova, aditivo, distrato, revisão de cláusula, análise de risco e assinatura. Em contencioso, pode diferenciar citação, intimação, subsídio para defesa, acordo e cumprimento de obrigação.

Por que fluxos imaturos criam risco jurídico?

Fluxos imaturos criam risco porque a empresa perde rastreabilidade. O art. 219 do CPC (Lei 13.105/2015) determina a contagem de prazos processuais em dias úteis, e o art. 231 do CPC (Lei 13.105/2015) define marcos de início conforme a forma de comunicação. Um prazo mal registrado pode comprometer defesa, recurso ou cumprimento de ordem judicial.

Além do processo judicial, contratos exigem controle semelhante. O art. 421 do Código Civil (Lei 10.406/2002), com redação alterada pela Lei 13.874/2019, reforça a função social e a liberdade contratual. O art. 422 do Código Civil (Lei 10.406/2002) exige probidade e boa-fé. Sem histórico de negociação, aprovações e versões, a empresa encontra dificuldade para provar conduta diligente.

Como a gestão documental entra no problema?

Gerenciar documentos não significa apenas guardar arquivos. A empresa precisa controlar versão, acesso, confidencialidade, prazo de vigência, renovação, anexos e aprovações. A Lei Geral de Proteção de Dados, Lei 13.709/2018, reforça esse cuidado quando documentos contêm dados pessoais de empregados, clientes, fornecedores ou representantes comerciais.

O art. 6º da LGPD (Lei 13.709/2018) prevê princípios como finalidade, adequação, necessidade, segurança e prevenção. O art. 46 da mesma lei exige medidas técnicas e administrativas aptas a proteger dados pessoais. Um repositório jurídico com controle de acesso contribui para cumprir esses deveres, desde que a empresa também tenha política interna e treinamento.

Por que a Projuris foi escolhida para apoiar esse desafio?

A escolha do Projuris foi relacionada à experiência de uso: um sistema interativo, intuitivo e com curva de aprendizado reduzida. Para departamentos jurídicos empresariais, a adoção depende menos de tecnologia isolada e mais da capacidade de fazer usuários internos registrarem pedidos de modo correto e contínuo.

No relato original, a equipe destacou que o Projuris simplificou a interação com o usuário. Esse fator tem peso prático. Se a área solicitante considera o formulário confuso, ela volta ao e-mail, ao telefone ou à mensagem informal. Quando a interface conduz o pedido, o jurídico recebe informações mínimas para iniciar a análise sem múltiplas idas e vindas.

A curva de aprendizado reduzida também facilita a padronização. Novos integrantes do jurídico conseguem entender filas, status, documentos e responsáveis com menor dependência de memória individual. Esse ponto protege a operação em férias, afastamentos, mudanças de equipe e auditorias internas, porque o conhecimento deixa de ficar concentrado em pessoas específicas.

Do ponto de vista de compliance, a Lei 12.846/2013, conhecida como Lei Anticorrupção, considera a existência de mecanismos e procedimentos internos de integridade como fator relevante na aplicação de sanções, conforme art. 7º, VIII. Um software jurídico não substitui programa de integridade, mas ajuda a registrar fluxos, aprovações e evidências que sustentam controles corporativos.

O que mudou com o Projuris Empresas na operação jurídica?

As mudanças relatadas envolveram consolidação da informação jurídica, fluxo de requisições, atendimento de demandas mais maduras, visualização online de status e controle de SLA. Esses ganhos indicam uma transição de gestão reativa para gestão orientada por dados, com maior transparência para o jurídico e para as áreas solicitantes.

Como a consolidação da informação melhora decisões?

A consolidação da informação permite que o gestor jurídico veja volume, origem, assunto, tempo de atendimento e gargalos. Antes, uma demanda podia estar em e-mail, pasta local, planilha ou conversa. Depois da centralização, a liderança consegue comparar tipos de solicitação, medir sazonalidade, identificar áreas que demandam mais orientação preventiva e planejar capacidade.

Esse controle também melhora a comunicação com a diretoria. Em vez de relatar apenas percepções, o jurídico apresenta dados: quantidade de contratos revisados, tempo médio de resposta, demandas por unidade, pedidos recusados por falta de documentação e temas recorrentes. Indicadores reduzem a subjetividade e ajudam a justificar investimento, contratação ou revisão de processo.

O que significa receber demandas mais maduras?

Demanda madura é aquela que chega com escopo, documentos, urgência real, responsável de negócio e objetivo claro. Se a área de compras solicita análise contratual, por exemplo, o jurídico precisa conhecer fornecedor, valor, prazo, objeto, minuta, anexos técnicos e riscos percebidos. Sem esses dados, a análise jurídica começa incompleta.

Com formulários e campos obrigatórios, o software jurídico induz a área solicitante a organizar o pedido antes de encaminhá-lo. Isso não elimina dúvidas, mas reduz ruído. O jurídico deixa de atuar como coletor de informações básicas e passa a concentrar energia em interpretação normativa, negociação, mitigação de riscos e tomada de decisão.

Como a visualização em tempo real impacta o SLA?

A visualização online permite identificar se uma requisição está parada, há quanto tempo, com quem e por qual motivo. Esse acompanhamento fortalece o SLA jurídico, ou seja, o acordo de nível de serviço aplicável ao atendimento interno. SLA não deve ser apenas prazo fixo; ele precisa considerar complexidade, risco e dependência de terceiros.

Um pedido simples de procuração pode ter prazo menor que uma negociação internacional. Uma intimação judicial exige tratamento próprio, porque a contagem pode depender do ato processual. A Súmula 410 do STJ, por exemplo, exige prévia intimação pessoal do devedor para cobrança de multa por descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer, o que reforça a necessidade de controlar comunicações e providências.

Quais cuidados legais um departamento deve observar ao usar software jurídico?

O uso de software jurídico exige governança de dados, controle de acesso, classificação documental, política de retenção e trilhas de auditoria. A tecnologia organiza a operação, mas a empresa precisa definir regras internas compatíveis com LGPD, CPC, Código Civil, normas trabalhistas e políticas corporativas de integridade.

O primeiro cuidado envolve bases legais e dados pessoais. O art. 7º da LGPD (Lei 13.709/2018) lista hipóteses para tratamento de dados pessoais, como cumprimento de obrigação legal, execução de contrato, exercício regular de direitos e legítimo interesse. Departamentos jurídicos frequentemente tratam dados com base no exercício regular de direitos em processo judicial, administrativo ou arbitral.

O segundo cuidado envolve acesso por perfil. Nem toda área precisa visualizar todo documento. Contratos estratégicos, investigações internas, pareceres, dados de empregados e informações de litígios devem ter permissão restrita. Essa segmentação reduz exposição indevida e ajuda a cumprir os princípios de segurança e necessidade previstos no art. 6º da LGPD.

O terceiro cuidado é a preservação de evidências. Logs, histórico de alterações, anexos e aprovações ajudam a reconstruir a linha do tempo de uma decisão. Em disputas contratuais, essa rastreabilidade pode demonstrar quem recebeu determinada minuta, qual versão foi aprovada e quais ressalvas o jurídico apontou antes da assinatura.

Como implementar um software jurídico em uma empresa?

A implementação deve começar pelo mapeamento dos fluxos existentes, seguir para padronização de solicitações, migração documental, definição de responsáveis, treinamento de usuários e acompanhamento de indicadores. O projeto funciona melhor quando o jurídico envolve áreas demandantes desde o início e comunica quais pedidos serão aceitos em cada canal.

  1. Mapeie as demandas: liste contratos, consultas, contencioso, procurações, compliance, societário, documentos e aprovações recorrentes.
  2. Defina categorias: agrupe assuntos por tipo de serviço jurídico e por área solicitante, evitando campos genéricos demais.
  3. Crie formulários mínimos: solicite dados essenciais, anexos obrigatórios, urgência e objetivo do pedido.
  4. Estabeleça SLA: diferencie prazos por complexidade, risco, dependência externa e impacto financeiro.
  5. Configure permissões: limite acesso por perfil, unidade, confidencialidade e função.
  6. Treine os usuários: explique quando usar a plataforma, quais informações enviar e como acompanhar status.
  7. Monitore indicadores: revise gargalos, temas recorrentes, filas paradas e solicitações devolvidas por incompletude.

Esse passo a passo reduz resistência interna. Usuários aceitam melhor a mudança quando percebem ganho concreto: previsibilidade, histórico, resposta rastreável e menor dependência de mensagens dispersas. O jurídico, por sua vez, ganha base para negociar prioridades e educar a organização sobre riscos, prazos e documentação mínima.

Quais indicadores demonstram maturidade na gestão jurídica?

Indicadores de maturidade jurídica medem volume, prazo, qualidade, risco e impacto no negócio. Eles não substituem análise técnica, mas ajudam a transformar a rotina do departamento em informação gerencial. O case da Ardagh evidencia especialmente status em tempo real, SLA e interação estruturada com áreas internas.

  • Tempo médio de atendimento: mede quantos dias o jurídico leva para concluir cada tipo de demanda.
  • Demandas por área: identifica quais departamentos mais acionam o jurídico e por quais motivos.
  • Taxa de devolução: revela pedidos incompletos e pontos de treinamento das áreas solicitantes.
  • Backlog jurídico: mostra volume pendente por responsável, assunto e criticidade.
  • Cumprimento de SLA: compara prazo acordado e prazo efetivo de conclusão.
  • Risco por categoria: classifica demandas por impacto financeiro, regulatório, reputacional ou operacional.

Esses indicadores também apoiam prevenção. Se muitas demandas surgem por dúvidas contratuais repetidas, o jurídico pode criar modelos, cláusulas padrão e materiais de orientação. Se uma área concentra pedidos urgentes, a liderança pode revisar planejamento, alçadas ou calendário de contratação.

Perguntas frequentes sobre software jurídico

O que é software jurídico?

Software jurídico é uma plataforma que organiza demandas, documentos, prazos, responsáveis e indicadores de um departamento jurídico ou escritório. A base tecnológica se relaciona ao conceito de programa de computador do art. 1º da Lei 9.609/1998, aplicado à rotina legal e à gestão de riscos.

Para que serve um software jurídico em empresas?

Software jurídico serve para centralizar requisições internas, controlar status, registrar documentos, acompanhar SLA e gerar dados para decisão. Em empresas, ele ajuda o jurídico a receber demandas mais completas, priorizar assuntos críticos e manter histórico acessível para auditorias, compliance e gestão executiva.

Como escolher um software jurídico?

Software jurídico deve ser escolhido com base em usabilidade, aderência aos fluxos, controle de acesso, relatórios, suporte, segurança da informação e capacidade de integração. A equipe deve testar formulários, permissões, indicadores e rotina de usuários internos antes de concluir a escolha.

Software jurídico ajuda no controle de prazos?

Software jurídico ajuda no controle de prazos ao registrar datas, responsáveis, status e alertas. No contencioso, esse controle deve observar regras como os arts. 219 e 231 do CPC (Lei 13.105/2015). A ferramenta reduz falhas operacionais, mas exige conferência técnica da equipe.

Software jurídico atende à LGPD?

Software jurídico pode apoiar a conformidade com a LGPD quando oferece controle de acesso, registro de atividades, segurança e organização documental. A empresa, porém, precisa definir bases legais, políticas de retenção e permissões, conforme os arts. 6º, 7º e 46 da Lei 13.709/2018.

Qual o principal benefício de um software jurídico para o departamento jurídico?

Software jurídico tem como principal benefício a visibilidade da operação. A liderança passa a enxergar volume, origem das demandas, gargalos, prazos e responsáveis. Com esses dados, o jurídico reduz retrabalho, melhora comunicação com áreas internas e toma decisões baseadas em evidências.

Qual é a principal lição do case Ardagh e Projuris?

A principal lição do case é que tecnologia jurídica gera valor quando resolve problemas concretos de gestão: demanda elevada, fluxo pouco claro, documentos dispersos, baixa visibilidade e dificuldade de medir SLA. O ganho aparece quando usuários internos adotam o canal e o jurídico transforma registros em decisão.

O relato da Ardagh mostra que um software jurídico não deve ser visto apenas como repositório. Ele atua como infraestrutura de operação legal, conectando pessoas, documentos, prazos e indicadores. Para empresas com múltiplas áreas demandantes, essa estrutura reduz dependência de controles informais e fortalece a governança do departamento jurídico.

Ao centralizar informações no Projuris Empresas, a equipe passou a visualizar requisições online, identificar responsáveis e acompanhar status em tempo real. Esse avanço cria uma rotina mais transparente para o negócio e permite que o jurídico concentre tempo em análise estratégica, prevenção de riscos e apoio qualificado às decisões corporativas.

Tiago Fachini - Especialista em marketing jurídico

Mais de 300 mil ouvidas no JurisCast. Mais de 1.200 artigos publicados no blog Jurídico de Resultados. Especialista em Marketing Jurídico. Palestrante, professor e um apaixonado por um mundo jurídico cada vez mais inteligente e eficiente. Siga @tiagofachini no Youtube, Instagram e Linkedin.

Use as estrelas para avaliar

Média / 5.

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.