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Automação jurídica na Copel: quando a operação funciona, mas precisa escalar

Como a Copel uniu Projuris, Oystr e BPO em uma automação jurídica e cortou 90% do tempo de cadastro de processos e fez 10× mais cadastros

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A automação jurídica permitiu à Copel (Companhia Paranaense de Energia) reduzir em 90% o tempo médio de cadastro de processos e fazer 10 vezes mais cadastros no mesmo tempo operacional, sem ampliar a estrutura na mesma proporção. O resultado veio da combinação de três peças: o Projuris como plataforma jurídica central, robôs de automação (RPA) da Oystr e um serviço de BPO jurídico.

O projeto não nasceu de um problema. A operação funcionava, mas, depois de um ano com mais de 19 mil processos cadastrados, um recorde, ficou a pergunta: o que acontece no próximo pico de demanda? O case foi apresentado no Projuris Summit 2026 por representantes da Copel, da Oystr e da TechPro.

Neste artigo, mostramos como a Copel estruturou a automação jurídica do cadastro de processos, quais resultados alcançou e o que times de Legal Operations podem aplicar nas próprias operações.

Em resumo:

  • Empresa: Copel, uma das maiores companhias elétricas do Brasil, com 33.339 processos ativos e 210.047 pastas na base do Projuris.
  • Desafio: escalar o cadastro de processos sem crescer a estrutura no mesmo ritmo do volume.
  • Solução: Projuris como ERP jurídico, robôs da Oystr nas etapas repetitivas e BPO jurídico na análise e conferência, com o fluxo desenhado antes da automação.
  • Resultados: 90% menos tempo médio de cadastro e 10 vezes mais cadastros no mesmo tempo operacional.

A dimensão da Copel e do seu contencioso

A Companhia Paranaense de Energia é a maior empresa do Paraná e uma das maiores companhias elétricas do Brasil. São quase sete décadas de atuação integrada em geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia.

A Copel distribui energia a 5,3 milhões de unidades consumidoras, opera 206 mil km de rede e tem ativos em 10 estados. Essa capilaridade gera relações jurídicas em escala industrial.

No jurídico, os números acompanham esse porte:

  • 210.047 pastas na base total do Projuris, que a Copel usa há anos;
  • 33.339 processos ativos;
  • cerca de 50 pessoas na gestão desses processos;
  • cerca de 80% da carteira conduzida por escritórios terceirizados.

Parte da operação fica no CSC (Centro de Serviços Compartilhados), a equipe que mais interage com o cadastro de processos. É nesse ponto que o case acontece.

O recorde de cadastros e a pergunta que originou o projeto

No ano anterior ao evento, a Copel cadastrou mais de 19 mil processos, um recorde. O modelo deu conta, mas deixou dúvidas sem resposta clara.

Se houver outro pico, será preciso aumentar a estrutura? Terceirizar mais? Com qual orçamento? A dor não era um gargalo do dia a dia, e sim a imprevisibilidade. Somava-se a ela a necessidade de padronizar os dados que entram no sistema.

Daí nasceu a pergunta que guiou o projeto:

Como aumentar a capacidade de processamento sem ampliar a estrutura operacional na mesma proporção e sem comprometer qualidade e padronização?

Para responder, o time separou o que precisava crescer do que não podia crescer no mesmo ritmo:

Precisa crescerNão pode crescer igual
Volume de cadastros processadosTamanho da estrutura operacional
Capacidade de absorver picos de demandaTempo médio dedicado a cada cadastro
Previsibilidade de entregaVariabilidade na forma de executar

Essa distinção é o coração da escalabilidade no jurídico: crescer em entrega sem crescer, na mesma medida, em custo e complexidade.

O ponto de partida da automação jurídica: as etapas do cadastro de pastas

Antes de automatizar qualquer coisa, o time olhou para o cadastro de pastas no Projuris como ele era. O processo tinha quatro etapas:

  1. Entrada de informação: recebimento e triagem.
  2. Validação e preparação: organização dos dados, checagem e critérios.
  3. Coleta e cadastro: coleta de dados nos processos e registro no Projuris.
  4. Conferência e entrega: garantia da qualidade do registro.

O diagnóstico mostrou que essas etapas não são iguais. Algumas exigem análise e julgamento. Outras são repetitivas e estruturáveis, e era nelas que a equipe gastava boa parte do tempo.

Essa separação definiu o desenho da solução: cada tipo de atividade iria para o recurso mais adequado para executá-la.

Como funciona a automação jurídica da Copel: Projuris, Oystr e BPO

O modelo adotado pela Copel foi chamado de servitização: software, robôs e serviço trabalhando juntos em uma mesma operação. Cada componente tem um papel claro.

Projuris: estrutura e centralização

O Projuris é o ERP onde a operação acontece. É nele que as informações ficam centralizadas e rastreáveis, e é para ele que convergem o trabalho dos robôs e o da equipe. Sem essa base única, a automação apenas espalharia dados por mais lugares.

Oystr: automação direcionada

Os robôs da Oystr executam as etapas repetitivas e estruturáveis do cadastro. É aqui que entra o RPA jurídico: tarefas previsíveis passam a ser feitas com a mesma consistência em qualquer volume, sem depender de quem está operando.

BPO: conhecimento e gestão

O BPO jurídico da TechPro cuida da análise, do tratamento, da conferência e da gestão operacional do processo. São as atividades em que conhecimento e julgamento fazem diferença, e que por isso continuam com pessoas.

A construção envolveu o time da Copel, com Evandro Pankrasts, gerente de Controladoria ligado ao Legal Ops, e Luciano Bellet, assistente jurídico do CSC. Também participaram Driely Celino, especialista em operações jurídicas da TechPro, e Caio Rios, especialista em automações da Oystr.

Por que o fluxo vem antes da automação jurídica

Um dos aprendizados mais importantes do case não está nos robôs, e sim no que vem antes deles. Antes de virar roteiro de automação, o fluxo do cadastro foi desenhado e conferido por pessoas que conhecem o processo no detalhe.

Evandro Pankrasts, da Copel, resumiu o motivo:

“A inteligência artificial é potencializadora. Potencializadora da falha, inclusive, se eu tiver erro no fluxo.”

Em outras palavras, a automação jurídica amplifica o que já existe. Um fluxo bem desenhado ganha escala; um fluxo com falhas passa a errar mais rápido e em maior volume.

Por isso, o caminho seguido foi:

  1. mapear o passo a passo do cadastro com quem executa o trabalho;
  2. validar e corrigir esse fluxo até ele estar maduro;
  3. só então transformar o passo a passo em roteiro para os robôs.

Nas palavras de Evandro, “tudo começa em pessoas que conhecem bem o fluxo para escrevê-lo e conferi-lo”.

Resultados da automação jurídica: 90% menos tempo e 10× mais cadastros

Com a tecnologia absorvendo o trabalho repetitivo, a Copel reduziu em 90% o tempo médio de cadastro e passou a fazer 10 vezes mais cadastros no mesmo tempo operacional.

O ganho mais relevante, porém, está no que a equipe passou a fazer com o tempo liberado: atividades que exigem análise, decisão e tratamento de exceções.

Segundo a Copel, cada ganho operacional teve um efeito direto no negócio:

GanhoO que mudou
CapacidadeMais cadastros absorvidos sem ampliar a estrutura na mesma proporção
ProdutividadeMais entregas, e de tipos diferentes, com o mesmo esforço
PadronizaçãoExecução consistente, independente de quem opera e do volume
ControleAcompanhamento e rastreabilidade em cada etapa e no Projuris
EscalabilidadeEquipe concentrada em análise, decisão e exceções jurídicas
PrevisibilidadeCrescimento planejável, com tempo de execução estável

A última linha responde diretamente à dor que deu origem ao projeto. Diante de um novo pico de cadastros, a Copel agora sabe o que esperar.

A arquitetura de uma operação madura

O case da Copel desfaz uma ideia comum sobre automação: a de que o objetivo é automatizar tudo. A própria apresentação deixou isso claro:

“O cenário ideal não é uma operação 100% automatizada. É uma operação em que cada atividade é executada pelo recurso mais adequado.”

Nessa arquitetura, cada parte tem seu lugar:

  • Pessoas tomam decisões e tratam exceções, onde conhecimento e julgamento são insubstituíveis.
  • Tecnologia bem direcionada executa tarefas repetitivas, previsíveis e estruturáveis, com consistência em qualquer volume.
  • Gestão e processos definidos organizam e padronizam a base que garante governança e previsibilidade.

A fórmula apresentada no Summit resume o modelo: expertise operacional, Projuris robusto, IA bem direcionada, automação consciente e processos estruturados.

Para quem atua com Legal Operations, a pergunta prática é: no seu fluxo, quais etapas exigem julgamento e quais apenas repetem regras? Essa resposta indica onde a automação gera mais valor.

Perguntas frequentes sobre automação jurídica

O que é automação jurídica?

Automação jurídica é o uso de tecnologia, como robôs de RPA e inteligência artificial, para executar tarefas repetitivas e estruturáveis do jurídico, como o cadastro de processos. O objetivo é ganhar velocidade e padronização e liberar a equipe para atividades de análise e decisão.

O que é RPA jurídico?

RPA (Robotic Process Automation) jurídico são robôs de software que executam tarefas baseadas em regras, como coletar dados de processos e registrá-los em um sistema. Na Copel, os robôs da Oystr executam as etapas repetitivas do cadastro de pastas no Projuris.

O que é “servitização” no jurídico?

É o modelo em que software, automação e serviço especializado funcionam como uma única operação. No case da Copel, o Projuris centraliza a informação, os robôs da Oystr executam o trabalho repetitivo e o BPO jurídico da TechPro cuida da análise, da conferência e da gestão.

Quais atividades do jurídico devem ser automatizadas?

As repetitivas, previsíveis e estruturáveis. Decisões e exceções, que exigem conhecimento e julgamento, devem continuar com pessoas. Antes de automatizar, o fluxo precisa estar desenhado e validado por quem conhece o processo.

Quais resultados a Copel alcançou com a automação jurídica?

A Copel reduziu em 90% o tempo médio de cadastro de processos e passou a fazer 10 vezes mais cadastros no mesmo tempo operacional. A equipe passou a se concentrar em análise, decisão e exceções, com mais capacidade, padronização, controle e previsibilidade.

Escalar é fazer cada parte do trabalho de forma mais inteligente

O case da Copel mostra que automação jurídica não é sobre substituir pessoas, e sim sobre colocar cada atividade no lugar certo. O caminho passou por três decisões:

  • usar uma plataforma central, como o Projuris, para manter a informação organizada e rastreável;
  • desenhar e validar o fluxo com quem conhece o processo antes de automatizá-lo;
  • combinar robôs para o repetitivo e especialistas para o que exige análise.

Com isso, a Copel ganhou capacidade, previsibilidade e padronização sem precisar ampliar a estrutura no mesmo ritmo do volume. Escalar, nesse modelo, não é fazer mais. É fazer cada parte do trabalho da forma mais inteligente possível.

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Tiago Fachini - Especialista em marketing jurídico

Mais de 300 mil ouvidas no JurisCast. Mais de 1.200 artigos publicados no blog Jurídico de Resultados. Especialista em Marketing Jurídico. Palestrante, professor e um apaixonado por um mundo jurídico cada vez mais inteligente e eficiente. Siga @tiagofachini no Youtube, Instagram e Linkedin.

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