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Avaliação de escritórios terceirizados: o case Savegnago

Avaliação de escritórios terceirizados: veja como o Savegnago centralizou parceiros no Projuris e cortou 71% do tempo do provisionamento jurídico

Avaliação de escritórios terceirizados: o case Savegnago
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Quem coordena um jurídico corporativo com vários escritórios externos conhece a rotina. A atualização de um processo chega por e-mail, o comprovante de pagamento vem pelo WhatsApp e o resumo do caso fica na caixa de entrada de alguém que saiu de férias.

O resultado é um sistema que não reflete a realidade da carteira. E, sem informação confiável, a avaliação de escritórios terceirizados vira uma questão de percepção, não de dados.

O mesmo problema aparece no provisionamento jurídico. Se cada fechamento depende de cobrar relatórios e consolidar planilhas, o trabalho fica lento e o risco processual chega à diretoria com atraso.

Foi esse cenário que o Grupo Savegnago decidiu mudar. No Projuris Summit 2026, Louise Paiva, coordenadora jurídica, e Luiz Souza, de Legal Operations, apresentaram a palestra “Jurídico Conectado: Colaboração Inteligente com o Projuris”. Neste artigo, contamos o que eles fizeram, o que mediram e o que outros departamentos jurídicos podem levar para casa.

O que é avaliação de escritórios terceirizados?

Avaliação de escritórios terceirizados é o acompanhamento contínuo do trabalho dos escritórios externos contratados por um departamento jurídico. Ela considera critérios como qualidade da informação, cumprimento de procedimentos, custos e resultados.

Na prática, depende de três condições: os dados precisam estar em um só lugar, seguir o mesmo padrão em todos os escritórios e estar atualizados. Sem isso, a comparação entre parceiros vira impressão pessoal.

Por isso, a avaliação anda junto com a gestão de escritórios terceirizados dentro de um software jurídico para empresas. Em operações com parceiros em várias regiões, ela também faz parte da logística jurídica.

Quem é o Grupo Savegnago?

O Grupo Savegnago é a maior rede supermercadista do interior de São Paulo, conhecida como “Rede Forte do Interior”. A história começou em 1976, quando Aparecido Savegnago abriu um mercado de bairro de 300 m² em Sertãozinho (SP).

Em 2026, o grupo completa 50 anos, mantém a gestão familiar e soma mais de 70 lojas no interior paulista. Ocupa a 16ª posição no Ranking ABRAS 2025, com faturamento de R$ 6,9 bilhões em 2024.

Por que a gestão jurídica é complexa ali

O grupo vai além do varejo. Atua também em administração de cartões, com cartão próprio, desenvolvimento imobiliário, postos de combustível, logística e administração, e empreendimentos e participações.

Essa diversidade de negócios aumenta a complexidade da gestão jurídica. Coordenar tudo isso exige informação organizada e atualizada em um só lugar.

Oito anos de jornada com o Projuris

A relação do Savegnago com o Projuris começou em 2018. Desde então, o jurídico passou por cinco etapas:

AnoMarco
2018Contratação do Projuris Enterprise
2020Digitalização dos processos e do cadastro
2021Primeiros desafios
2022Customização e evolução
2024Migração para o Projuris Empresas

A migração de 2024 levou o jurídico para uma plataforma mais moderna, com funcionalidades mais alinhadas ao momento da equipe.

Um ponto da palestra merece destaque: ter um sistema há oito anos não significava ter os problemas resolvidos. Os desafios continuavam ali.

Quais eram os desafios do jurídico do Savegnago?

A equipe resumiu os problemas em três pontos.

1. Comunicação descentralizada

As trocas com os escritórios aconteciam em vários canais. Com isso, o histórico dos casos e os resumos preparados pelos parceiros se perdiam, e a análise de risco ficava prejudicada.

“É o WhatsApp, é o e-mail, é aviso por fumaça, é todo lugar. E aí a gente perde todo aquele histórico que a gente precisa ter para analisar o risco daquele processo.” — Louise Paiva, coordenadora jurídica do Grupo Savegnago

2. Informações desatualizadas

Os processos mudam todos os dias, mas o sistema não acompanhava esse ritmo. A base não refletia a situação real da carteira.

3. Provisionamento trimestral

O provisionamento jurídico era feito a cada três meses, envolvendo os escritórios e o time interno. A equipe tratou esse ponto menos como problema e mais como oportunidade de melhoria.

O cenário ideal desenhado pela equipe

Louise, Luiz e a equipe jurídica sentaram para desenhar onde queriam chegar. O objetivo era reduzir tarefas repetitivas e abrir espaço para uma atuação mais estratégica e preventiva. O desenho teve três frentes:

  • Escritórios atuando direto na plataforma: os parceiros alimentam campos estratégicos, conversam com o jurídico interno e trocam documentos em um espaço centralizado, visível a todos.
  • Notificações automatizadas: avisos de inclusão de comprovantes de pagamento, cadastro de partes e envio de relatórios.
  • Provisionamento mensal: risco processual atualizado e painéis de dados alimentados diariamente para gerência, diretoria e presidência.

A virada com o Projuris Empresas e a Central de Colaboração

O ponto de partida foi simples. Com a equipe renovada, Louise procurou o gerente de contas do Projuris para pedir um novo treinamento.

Na conversa, ela conheceu o Projuris Empresas e viu ali a chance de tornar o jurídico mais colaborativo. O recurso que mais chamou a atenção foi a Central de Colaboração, por concentrar a comunicação com os escritórios em um único lugar.

A ideia central era mudar o papel dos parceiros na operação, como explicou Luiz:

“A colaboração seria trazer os nossos parceiros para dentro de casa, trazer eles para a nossa operação.” — Luiz Souza, Legal Operations do Grupo Savegnago

Em vez de enviar informações por fora, os escritórios passariam a alimentar campos estratégicos, trocar documentos e falar com o jurídico dentro do software jurídico para empresas que o Savegnago já usava.

Como foi a implementação do Projuris Empresas?

A premissa foi aproveitar funcionalidades que já estavam disponíveis e adaptar os processos de trabalho à nova dinâmica. Não houve desenvolvimento de um sistema novo. O projeto teve quatro frentes:

  1. Migração do Projuris Enterprise para o Projuris Empresas.
  2. Usuários para os escritórios parceiros, com perfis e permissões definidos por região e área jurídica de atuação.
  3. Treinamento e cartilha orientativa, com os procedimentos e a padronização dos lançamentos na plataforma.
  4. Relatórios padrão criados e disponibilizados para cada usuário.

A padronização merece atenção. Quando todos os escritórios lançam informações do mesmo jeito, os dados ficam comparáveis. É isso que sustenta a gestão e a avaliação dos parceiros ao longo do tempo.

Quais resultados o Savegnago alcançou em 11 meses?

Em 11 meses de operação, o Savegnago mediu quatro ganhos:

IndicadorResultado
Tempo de elaboração do provisionamento71% menor, com periodicidade mensal em vez de trimestral
Horas economizadas249 horas, o equivalente a 31 dias úteis
E-mails eliminados826, com a comunicação pela Central de Colaboração
Eventos cadastrados pelos escritórios1.068, direto na plataforma

O que esses números significam

O provisionamento mensal muda a qualidade da conversa com a liderança. O risco processual passa a refletir a carteira do mês, não a de três meses atrás.

As 249 horas economizadas foram liberadas para atividades estratégicas. É tempo que antes ia para tarefas repetitivas.

Já os 1.068 eventos cadastrados pelos parceiros mostram a mudança de comportamento. A informação passou a nascer dentro do sistema, e não a ser copiada para ele depois.

Quatro aprendizados para departamentos jurídicos

O projeto do Savegnago não foi pensado como um programa de avaliação de parceiros. Mas criou a base que qualquer avaliação séria exige: informação centralizada, padronizada e atualizada. A partir da palestra, destacamos quatro aprendizados.

A tecnologia é o meio; a colaboração é o fim

A plataforma estrutura o trabalho, mas o resultado vem de como as pessoas passam a usá-la. Sem processos definidos e adesão dos escritórios, o sistema seria só mais um lugar para guardar dados.

Escritórios como participantes da operação

Os parceiros deixaram de ser agentes externos que enviam relatórios e passaram a atuar dentro da operação jurídica. Para quem avalia escritórios, isso faz diferença: o que o parceiro faz fica registrado, com histórico, no mesmo lugar.

No Savegnago, Legal Operations deixou de ser uma área de suporte. Passou a funcionar como motor de governança e inteligência em tempo real, conectando o jurídico, os parceiros e a liderança.

Olhar para dentro de casa antes de trocar de sistema

Talvez o recado mais útil da palestra tenha sido este:

“Para chegar a grandes resultados, talvez a gente não precise de novos sistemas. A gente precisa olhar para dentro de casa.” — Louise Paiva

Como aplicar no seu jurídico

  • Mapeie os canais por onde os escritórios enviam informação hoje e defina um único canal oficial.
  • Crie perfis de acesso para os parceiros e defina quais campos estratégicos cada um deve alimentar.
  • Documente o padrão de lançamento em uma cartilha simples e treine os escritórios.
  • Disponibilize relatórios padrão para que cada usuário acompanhe o que lhe cabe.
  • Revise a periodicidade do provisionamento jurídico quando os dados estiverem confiáveis.

Perguntas frequentes

Como fazer a avaliação de escritórios terceirizados no jurídico corporativo?

O primeiro passo é ter dados confiáveis sobre o trabalho de cada escritório. Isso exige um canal oficial de comunicação, um padrão de lançamento e acesso dos parceiros ao sistema do jurídico. Com essa base, a comparação entre escritórios passa a seguir critérios objetivos.

Por que a comunicação descentralizada prejudica a análise de risco?

Quando as informações circulam por WhatsApp e e-mail, o histórico e os resumos dos processos se perdem. Sem esse histórico, o jurídico perde elementos para estimar o risco processual de cada caso.

Com que frequência fazer o provisionamento jurídico?

Depende da qualidade e da atualização dos dados. No Savegnago, a centralização das informações permitiu passar o provisionamento jurídico de trimestral para mensal, com 71% menos tempo de elaboração.

É preciso trocar de sistema para melhorar a gestão de escritórios parceiros?

Nem sempre. O Savegnago aproveitou funcionalidades já disponíveis: migrou para o Projuris Empresas, criou perfis de acesso para os parceiros, treinou os escritórios com uma cartilha e padronizou os relatórios.

Conclusão

O case do Grupo Savegnago mostra que a avaliação de escritórios terceirizados começa antes de qualquer indicador. Ela depende de trazer os parceiros para dentro da operação, com comunicação centralizada, lançamentos padronizados e dados atualizados.

Com essa base, o jurídico corporativo ganha tempo, o provisionamento jurídico fica mais rápido e a liderança passa a acompanhar o risco processual com mais frequência. Em 11 meses, foram 71% menos tempo no provisionamento, 249 horas economizadas e 826 e-mails a menos.

E o caminho passou por aproveitar melhor o que já estava disponível, com processos claros e colaboração de verdade.

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Tiago Fachini - Especialista em marketing jurídico

Mais de 300 mil ouvidas no JurisCast. Mais de 1.200 artigos publicados no blog Jurídico de Resultados. Especialista em Marketing Jurídico. Palestrante, professor e um apaixonado por um mundo jurídico cada vez mais inteligente e eficiente. Siga @tiagofachini no Youtube, Instagram e Linkedin.

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