Direito e Justiça

Justiça em Números 2026: o que os dados do CNJ revelam sobre o Judiciário

Justiça em Números 2026: quantos processos existem, quanto tempo dura cada fase e o que os dados do CNJ mostram sobre execução e acordos.

Justiça em Números 2026: o que os dados do CNJ revelam sobre o Judiciário

O Justiça em Números 2026, relatório anual do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostra que o Judiciário recebeu 40,9 milhões de processos novos em 2025, o maior volume desde 2009, e ainda assim reduziu o acervo para 75,5 milhões. A taxa de congestionamento caiu para 62,6%, a menor da série histórica. A execução segue como a fase mais longa do processo.

Os números de 2025 confirmam uma virada que começou em 2024. Depois de anos de estoque crescente, os tribunais passaram a baixar mais processos do que recebem. Parte do resultado vem da produtividade. Outra parte vem de uma política do CNJ para extinguir execuções fiscais antigas.

A análise a seguir usa o relatório completo Justiça em Números 2026 e a série histórica do CNJ para mostrar o que mudou, o que continua igual e onde estão os pontos de atenção para o contencioso.

O que é o Justiça em Números do CNJ?

O Justiça em Números é o anuário estatístico oficial do Poder Judiciário, publicado pelo Conselho Nacional de Justiça desde 2004. Ele reúne dados de volume processual, tempo de tramitação, produtividade, acordos, custos e digitalização de todos os tribunais do país. A edição de 2026 é a 23ª e cobre o ano-base 2025.

O CNJ é o órgão de controle administrativo e financeiro do Judiciário, criado pela Emenda Constitucional nº 45/2004 e previsto no art. 103-B da Constituição Federal. Ele não julga processos. Fiscaliza tribunais, define políticas judiciárias e produz as estatísticas oficiais do sistema.

Desde 2022, os dados do relatório vêm do DataJud, a base nacional para onde os 91 tribunais enviam mensalmente as informações de cada processo. O CNJ calcula os indicadores com a mesma regra para todos, o que permite comparar tribunais e anos. Os números por tribunal ficam disponíveis no Painel Justiça em Números.

Quantos processos existem no Brasil em 2026?

O Judiciário encerrou 2025 com 75,5 milhões de processos pendentes, o menor acervo em nove anos. Desse total, 16,4 milhões estavam suspensos, sobrestados ou em arquivo provisório, e 59 milhões seguiam em efetiva tramitação. A redução foi de 3,4 milhões de processos em relação a 2024.

O acervo chegou a 84,3 milhões em 2023, o pico da série. Caiu 5,4 milhões em 2024, a maior redução já registrada, e mais 3,4 milhões em 2025. São dois anos seguidos de queda.

O relatório atribui a maior parte dessa redução à Política de Eficiência das Execuções Fiscais do CNJ, que eliminou 5,6 milhões de execuções em 2024 e 4,4 milhões em 2025. Sem ela, a demanda recorde teria feito o estoque crescer.

A Justiça Estadual concentra 58,3 milhões de processos, 77,2% do total. A Justiça Federal tem 10,9 milhões, a do Trabalho 5,2 milhões e os tribunais superiores 964 mil. Os suspensos e sobrestados aguardam, na maioria, o julgamento de temas no STF ou no STJ. Em 2025, o STF julgou 51 temas de repercussão geral e liberou pelo menos 220 mil processos nas instâncias inferiores.

Quantos processos novos entraram na Justiça em 2025?

Entraram 40,9 milhões de processos novos em 2025, 1,4 milhão a mais que em 2024 e o maior volume da série histórica iniciada em 2009. Considerando apenas as ações ajuizadas pela primeira vez, sem recursos e execuções judiciais, foram 24,7 milhões. A cada mil habitantes, 192 entraram com uma ação no ano.

A demanda cresceu rápido desde a pandemia. Em 2020, entraram 27,5 milhões de processos, e a proporção era de 130 ações por mil habitantes. Em cinco anos, o volume subiu 49%.

O crescimento de 2025 veio de todos os grandes segmentos. A Justiça Estadual recebeu 28,3 milhões de processos, alta de 4,3%. A do Trabalho, 5,2 milhões, alta de 6,5%. A Justiça Federal teve o maior salto, de 19,8%, com 6,4 milhões de casos novos. O relatório explica esse aumento com 700 mil processos previdenciários e assistenciais a mais, concentrados principalmente no TRF da 5ª Região.

Mesmo com a entrada recorde, os tribunais baixaram 45,2 milhões de processos. Para cada 100 casos novos, cerca de 110 saíram.

Qual a taxa de congestionamento do Judiciário em 2025?

A taxa de congestionamento do Judiciário foi de 62,6% em 2025, a menor desde 2009. O indicador mede quanto do que tramitou no ano ficou sem solução. Sem os processos suspensos e sobrestados, a taxa líquida foi de 56,6%. Em 2020, auge da pandemia, a taxa geral chegou a 74,9%, o maior valor da série.

A saída das execuções fiscais explica parte da melhora. Sem elas, a taxa seria de 60,3%, 2,3 pontos abaixo da geral. A produtividade explica o resto. O Judiciário julgou 44,7 milhões de processos em 2025, mesmo recorde de 2024 e 88,6% a mais que em 2009.

Cada magistrado baixou, em média, 2.558 processos no ano, leve queda em relação aos 2.613 de 2024. O CNJ compara com os países europeus, onde a média é de 252 processos por juiz, com o dobro de magistrados por habitante.

O ritmo de 2024 não se repetiu. O Índice de Atendimento à Demanda, que compara processos baixados com casos novos, caiu de 115,4% para 110,4%. O acervo continua diminuindo, mas em velocidade menor.

As diferenças entre tribunais são grandes. Na Justiça Estadual, o congestionamento vai de 47,6% no Tribunal de Justiça de Goiás a 71% no do Espírito Santo.

Quanto tempo demora um processo no Brasil?

O processo baixado em 2025 levou, em média, 2 anos e 4 meses do início até a baixa. Sem as execuções fiscais, a média cai para 1 ano e 6 meses. Os processos que ainda tramitam estão, em média, há 3 anos e 7 meses no Judiciário, contra 3 anos e 10 meses em 2024.

O tempo varia conforme o segmento e, principalmente, a fase. Estes são os tempos médios dos processos pendentes em 2025:

SegmentoTotalConhecimentoExecução
Justiça Estadual3 anos e 8 meses2 anos e 8 meses4 anos e 9 meses
Justiça Federal3 anos e 5 meses2 anos5 anos e 3 meses
Justiça do Trabalho2 anos e 7 meses8 meses3 anos e 9 meses

Descontando os períodos de suspensão e as execuções, o tempo médio do acervo cai para 1 ano e 10 meses. É o número mais próximo da duração de um processo que tramita sem interrupções.

Nos recursos, o processo baixado levou 8 meses no segundo grau da Justiça Estadual e 2 anos nos Tribunais Regionais Federais. No Superior Tribunal de Justiça, o tempo até a baixa foi de 8 meses. No Tribunal Superior do Trabalho, de 1 ano e 8 meses.

Quanto tempo demora a fase de execução de um processo?

No primeiro grau, a execução leva em média 4 anos e 11 meses até a sentença, quase quatro vezes o tempo da fase de conhecimento, que é de 1 ano e 3 meses. Os processos de execução em tramitação estão, em média, há 4 anos e 9 meses no Judiciário. A taxa de congestionamento é de 71% na execução, contra 59% no conhecimento.

O CNJ atribui a demora às dificuldades para localizar devedores, bloquear bens e converter patrimônio em pagamento. São etapas que dependem de diligências e não se resolvem com uma decisão.

O tipo de execução muda bastante o prazo. Entre os processos pendentes no primeiro grau, as execuções judiciais, como o cumprimento de sentença, estão em média há 3 anos e 6 meses em tramitação. As execuções de títulos extrajudiciais, como contratos e cheques, há 5 anos e 2 meses. As execuções fiscais, há 6 anos e 4 meses.

A Justiça Federal tem os prazos mais longos. Lá, a sentença na fase de execução leva 7 anos e 7 meses. Na Justiça Estadual, 5 anos e 4 meses. Na do Trabalho, 1 ano e 6 meses.

Quanto tempo demora uma execução fiscal?

A execução fiscal baixada em 2025 levou, em média, 8 anos e 2 meses. As que seguem em tramitação estão há 6 anos e 4 meses no Judiciário. É o tipo de processo mais longo do sistema. Na Justiça Federal, o tempo até a baixa chega a 10 anos e 7 meses.

O acervo de execuções fiscais caiu 4,4 milhões de processos em 2025, redução de 21,3%. A principal causa é a Resolução CNJ nº 547/2024, que determina a extinção de execuções abaixo de R$ 10 mil, sem bens penhorados e sem movimentação útil há mais de um ano.

A taxa de congestionamento da execução fiscal era de 87,1% em 2023. Caiu para 72,4% em 2025. Mesmo assim, as execuções fiscais ainda representam 22% do acervo do Judiciário e 45% de todas as execuções pendentes.

A maior parte está na Justiça Estadual, com 13,1 milhões de processos. Só o Tribunal de Justiça de São Paulo concentra 7 milhões, 53% das execuções fiscais estaduais. Em 2025, a atividade de execução fiscal rendeu R$ 16,2 bilhões aos cofres públicos.

Quantos processos trabalhistas existem no Brasil?

A Justiça do Trabalho tinha 5,2 milhões de processos pendentes no fim de 2025, alta de cerca de 3%. Foi o único grande segmento com acervo em crescimento. No ano, recebeu 5,2 milhões de casos novos, 6,5% a mais que em 2024, e baixou 5,1 milhões. A Justiça do Trabalho concentra 6,9% dos processos do país.

A demanda trabalhista cresce há quatro anos seguidos. Em 2021, entraram 3 milhões de processos. Em 2025, foram 5,2 milhões, alta de 73%. As ações ajuizadas pela primeira vez somaram 2,4 milhões, 11% a mais que no ano anterior. O relatório não aponta a causa desse aumento.

A fase de conhecimento trabalhista é a mais rápida do Judiciário, com 8 meses em média e congestionamento de 39,3%. A execução dura 3 anos e 9 meses, com congestionamento de 64%.

O TRT da 2ª Região, em São Paulo, é o mais demandado do país, com 43 casos novos por mil habitantes. O TRT da 8ª Região, no Pará, tem o menor congestionamento da Justiça do Trabalho, com 37,7%.

Qual o índice de conciliação da Justiça brasileira?

Em 2025, 11,2% dos processos foram resolvidos por acordo homologado, contra 11% em 2024. O índice está abaixo do pico de 13,6% registrado em 2016. O CNJ observa que a audiência obrigatória de conciliação, criada pelo Código de Processo Civil de 2015, não produziu efeito visível na série histórica.

A conciliação se concentra em algumas áreas. Na fase de conhecimento da Justiça do Trabalho, 37,9% das decisões são acordos. Para a execução de títulos extrajudiciais da Justiça Estadual, 28%. Na execução dos Juizados Especiais Federais, 21%.

A execução trabalhista mostra o outro lado. Ali, o índice de acordo cai para 7,9%. Na Justiça do Trabalho, a chance de conciliação diminui depois da sentença.

O avanço mais consistente aparece na execução em geral. Os acordos nessa fase passaram de 3,5% das sentenças em 2015 para 7,5% em 2025. Em números absolutos, o Judiciário homologou 4,9 milhões de acordos em 2025, contra 3 milhões dez anos antes.

Quantos processos são eletrônicos no Brasil?

Em 2025, 99,7% dos processos novos foram protocolados em formato eletrônico. Em 2009, eram 11,2%. Entre os processos em tramitação, 97,9% são digitais. Ao longo de 17 anos, o Judiciário recebeu 337 milhões de casos novos eletrônicos. O Tribunal de Justiça de São Paulo é o único com mais de 6% de autos físicos pendentes.

O Juízo 100% Digital, em que todos os atos acontecem de forma remota, inclusive audiências, está presente em 79,5% das unidades de primeiro grau.

As comunicações processuais também migraram. O cadastro no Domicílio Judicial Eletrônico é obrigatório para todas as empresas, e é por ele que chegam citações e intimações dos tribunais. As intimações dos advogados saem no Diário de Justiça Eletrônico Nacional. Os prazos contam a partir dessa publicação, conforme o art. 224 do Código de Processo Civil.

O investimento em tecnologia recuou em 2025. A despesa com informática foi de R$ 4,4 bilhões, queda de 5,9% em relação ao ano anterior.

Como usar os dados do Justiça em Números 2026 no contencioso?

O relatório funciona como referência oficial para a gestão do contencioso. Os tempos médios por segmento, fase e tribunal permitem comparar a carteira da empresa com o padrão nacional. Com isso, o jurídico ganha base técnica para revisar provisões, escolher o momento de propor acordo e projetar a duração de cada grupo de processos.

Os dados de 2025 trazem três leituras para o contencioso corporativo. A execução responde pela maior parte do tempo dos processos, e a provisão precisa refletir isso. O acordo rende mais antes da sentença, principalmente na área trabalhista. E o controle de prazos depende de canais eletrônicos que exigem acompanhamento diário.

O Painel Justiça em Números permite filtrar os dados por tribunal e unidade judiciária, com atualização mensal. Com a carteira organizada por fase e tribunal no Projuris Empresas, o jurídico compara o tempo dos próprios processos com as médias do CNJ.

Perguntas frequentes sobre o Justiça em Números 2026

O que é o CNJ?

O Conselho Nacional de Justiça é o órgão do Poder Judiciário responsável pelo controle administrativo e financeiro dos tribunais e pela fiscalização dos deveres funcionais dos juízes. Foi criado pela Emenda Constitucional nº 45/2004 e está previsto no art. 103-B da Constituição Federal. Também define políticas para todo o Judiciário.

Quem faz parte do CNJ?

O CNJ tem 15 conselheiros com mandato de dois anos. Entre eles estão magistrados de diferentes ramos da Justiça, membros do Ministério Público, dois advogados indicados pela OAB e dois cidadãos indicados pela Câmara e pelo Senado. O presidente do Supremo Tribunal Federal preside o Conselho.

Quem produz o relatório Justiça em Números?

O relatório é elaborado pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias do CNJ, criado pela Lei nº 11.364/2006. Os dados vêm do DataJud, base para onde os tribunais enviam mensalmente as informações de cada processo. A presidência de cada tribunal responde pela fidelidade dos dados enviados.

Quais foram as despesas do judiciário brasileiro em 2025?

As despesas do Judiciário somaram R$ 164,6 bilhões em 2025, alta de 7,8%. O valor equivale a 1,3% do PIB e a R$ 771,48 por habitante. No mesmo ano, a atividade judicial arrecadou R$ 68,2 bilhões, o equivalente a 41% das despesas.

Quantos juízes existem no Brasil?

O Judiciário tinha 19.094 magistrados no fim de 2025, 1,4% a mais que no ano anterior. O número equivale a 8,9 juízes por cem mil habitantes, menos da metade da média europeia. Havia ainda 4.020 cargos de magistrado vagos.

Onde consultar os dados do Justiça em Números por tribunal?

No Painel Justiça em Números, mantido pelo CNJ e atualizado mensalmente. O painel permite filtrar por segmento de justiça, tribunal e unidade judiciária. Ele mostra casos novos, pendentes, baixados, taxa de congestionamento e tempo médio de tramitação

Conclusão

O relatório de 2026 registra dois anos seguidos de queda no acervo, uma Justiça do Trabalho em crescimento e uma fase de execução que continua definindo a duração dos processos. São esses os números que servem de referência para planejar o contencioso em 2027.

Conheça o Projuris Empresas e veja como o seu departamento jurídico pode acompanhar o contencioso por fase, prazo e tribunal, com dados próprios para comparar às médias do Judiciário.

Tiago Fachini - Especialista em marketing jurídico

Mais de 300 mil ouvidas no JurisCast. Mais de 1.200 artigos publicados no blog Jurídico de Resultados. Especialista em Marketing Jurídico. Palestrante, professor e um apaixonado por um mundo jurídico cada vez mais inteligente e eficiente. Siga @tiagofachini no Youtube, Instagram e Linkedin.

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