Produção de conteúdo jurídico: como fazer bons conteúdos?

04/07/2022
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02/06/2023
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12 minutos

Há alguns dias a empresária e influenciadora digital, Bianca Andrade, mais conhecida como “boca rosa” foi alvo de mais uma polêmica: seu planejamento de conteúdo para os stories do Instagram. A polêmica girou em torno do fato de que, se ela tem este planejamento “não é natural, portanto, não é verdadeiro”. Como sempre, Bianca deu aula – não vou esconder minha admiração aqui – e fez do limão, limonada. Passou a produzir mais conteúdos focados em marketing digital, e já anunciou que vem produto novo por aí. Mas o que isto tem a ver com a produção de conteúdo jurídico? Você deve estar se perguntando. E já te respondo: tudo!

Bianca Andrade é uma das maiores influenciadoras do país e construiu um império desde que surgiu na internet. O que muita gente não imaginava quando a empresária começou, é que o que ela estava fazendo viria a ser a profissão influenciadora digital ou produtora de conteúdo.

Isso mesmo, Bianca construiu um império produzindo conteúdo. Claro que, conforme crescia na carreira, outras áreas do marketing foram sendo incorporadas, ela consolidou seu nome enquanto marca e criou seus produtos. Mas, all started with conteúdo.

O motivo de eu estar dizendo tudo isto em um blog jurídico é justamente para mostrar o poder da produção de conteúdo. Neste artigo, então, vou te mostrar como fazer um conteúdo assertivo, dando dicas para cada rede social e ambiente possível de existir um conteúdo. Usarei como fonte principal, é claro, Bianca Andrade. Mas trarei exemplos de empresas e outros influenciadores que poderão com certeza te ajudar a produzir para seu escritório. Mas calma, eu sei que a advocacia tem limitações em relação ao marketing e vou me atentar a elas, ok? Vamos lá, então?

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O que é produção de conteúdo?

A frase que resume a produção de conteúdo é “materiais em formatos diversos para um determinado público-alvo, com um objetivo específico em mente”, como consta no artigo Guia completo: tudo o que você precisa saber sobre produção de conteúdo, da resultados digitais.

Então, voltemos ao exemplo da boca rosa:

  1. Ela tem um planejamento para o conteúdo a ser postado;
  2. Ela cria o material todos os dias;
  3. Ela distribui na plataforma que ela escolheu (stories) com objetivo de engajar seu público e se manter relevante.

Veja que pontuei a escolha da plataforma. Um estratégia de conteúdo conta com esta etapa no planejamento: a escolha do canal de distribuição. Aqui no Projuris ADV, por exemplo, nossas escolhas principais são: o portal e as redes sociais. Mas você, em seu escritório jurídico, pode optar por outras plataformas (até mesmo offline).

O que vai definir em que plataforma você fará a produção de conteúdo jurídico são as personas e os objetivos do seu escritório.

Por exemplo, um escritório que atua com Direito Empresarial, qual a melhor rede social para que ele invista seu tempo em produção de conteúdo jurídico? Não há como saber sem fazer uma pesquisa prévia, mas o que podemos inferir sem muitos dados é que, é possível que as pesquisas apontem para a produção de conteúdo no LinkedIn, afinal, esta é a rede social mais utilizada para assuntos profissionais.

Agora você entendeu um pouco do que é a produção de conteúdo. Mas, por onde começar e como continuar com este trabalho com qualidade? Vamos ver a seguir.

Como criar conteúdo jurídico?

Falar que o primeiro passo para começar uma estratégia de produção de conteúdo jurídico é estudar é um clichê do marketing de conteúdo. Eu, particularmente, gosto de clichês.

Sem dúvidas, estudar é a primeira coisa que você irá fazer para começar, não só sua estratégia de conteúdo, mas sua estratégia de marketing.

Ainda citando o exemplo “boca rosa”, recentemente, escutei um podcast onde ela era convidada e disse que a estratégia dela se baseia, especialmente, no estudo de outros influenciadores.

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Na conversa ela conta que anota tudo o que as outras pessoas fazem, para entender que estratégia eles utilizam. Disto, podemos tirar como exemplo justamente o olhar para a concorrência. O que eles fazem nas redes sociais? Quais as estratégias que utilizam em blog posts? Qual a linguagem que a empresa utiliza. Será que, um escritório de advocacia não pode fazer utilizar as redes para trazer informação jurídica de maneira mais descontraída?

Hoje, vários jovens advogados e advogadas utilizam o Tik Tok para divulgar seus serviços. E tudo de uma maneira que respeita o código da OAB. Veja esse exemplo:

Enfim, estudar a concorrência pode te dar insumos para a sua produção de conteúdo. Mas também, vale lembrar que, este estudo pode ser feito também com pessoas físicas ou jurídicas completamente diferentes do seu nicho. Veja este artigo, a Bianca Andrade não tem nada a ver com conteúdo jurídicos, mas estou trazendo diversas ações que ela faz em seu trabalho para sugerir ações para a produção de conteúdo jurídico, por exemplo.

Depois do estudo, então, vem a criação das personas e planejamento das ações. É nesse momento que você vai decidir qual canal irá utilizar, qual vai ser sua linguagem, quais assuntos você vai abordar e como vai abordar, etc.

Criação de personas

Quem já leu um pouco sobre marketing digital sabe que nesse meio, é essencial ter suas personas, ou seja, pessoas fictícias para o seu cliente ideal. Hoje em dia já existem quem conteste essa ideia e defenda que é mais interessante focar apenas em público alvo. Por via das dúvidas, faça ambos. Antes pecar pelo excesso do que pela falta, não é?

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Falando em personas, então, muita gente acredita que basta criar 3 personagens fictícios e pronto, está criada a persona. Mas é preciso dividir em Brand e Buyer persona.

A Brand persona é uma representação da empresa, por exemplo, a Lu da Magalu, o Baianinho da Casas Bahia, etc. Ela é a porta-voz da empresa. Ou seja, é um personagem que deve estar de acordo com todas as definições do planejamento estratégico, como o tom de voz, a identidade visual, a missão, visão e valores, etc. Pode ser uma pessoa real ou virtual.

Já a Buyer persona é a representação do seu público-alvo, os gostos, costumes, idade, gênero, etc.

Com esses dois tipos de persona, a comunicação fica muito mais assertiva, porque têm-se a clareza de quem está falando e para quem a mensagem está sendo passada.

É claro que, ter uma persona como a da magalu é dispensável, mas ao menos as definições atribuídas a Brand persona são essenciais. Já a Buyer persona, como dito, deve-se manter ao menos para ter um norte sobre quem, de fato, é seu público.

Personas feitas, é hora de planejar o conteúdo.

Como planejar o conteúdo em escritório de advocacia?

No planejamento, você vai fazer uma análise de onde seu público-alvo está, em quais canais? É sabido que a geração mais jovem hoje é maioria no Tik Tok. No Instagram, a questão da idade já não é tão relevante. O Facebook ainda tem forte presença das gerações entre 40 – 60 anos. E ainda existe um público que nem está nas internet. Com quem você quer falar?

Depois disso, é hora de utilizar os dados das análises do conteúdo da concorrência, insumos de mercado e insumos de empresas de outros ramos para elaborar sua produção de conteúdo. A seguir, então, vou dar dicas sobre alguns canais que você pode utilizar:

Blog/portal de notícias jurídicas

Bianca Andrade, no início da carreira era chamada de “Blogueira”, apesar de nunca ter tido um blog. O nome não vem à toa. Na mesma época de seu início, surgia a profissão “blogueira”. O nome vêm, justamente, dos blogs. Meninas entre 15 e 20 e poucos anos utilizavam espaço na internet para produzir textos sobre moda, beleza, viagens, etc. Depois de alguns anos, os blogs foram sendo substituídos pelas redes sociais, como Instagram e YouTube.

Mas, esses espaços não sumiram completamente. Assim como aconteceu com o rádio e a televisão, os blogs conseguiram se manter relevantes, especialmente do ponto de vista empresarial. Os dados mostram que, os blogs e portais de notícia, que chamamos de conteúdo orgânico ou direto, são as principais portas de entrada de leads para as empresas.

Mas como fazer esse tipo produção de conteúdo jurídico?

Bom, primeiro você deve analisar se faz sentido para o seu público-alvo. Em seguida, você pode usar ferramentas como o SemRush e o Google Search Console para analisar quais conteúdos seu público vem buscando.

Então, você pesquisa no SemRush, google trends ou a própria aba de pesquisa do Google sobre os termos e vê quais as perguntas se público faz sobre cada tema e elabora sua pauta com base nisso. Então, você busca referências para sua produção e começa a escrever seus artigos.

Lembre-se que, quanto maior a profundidade do seu conteúdo, mais relevante ele será, para o buscador e para seu público. Além disso, contar com um especialista em SEO para te dar algumas dicas em relação a posicionamento e análise de métricas é essencial. Se possível, conte com um redator especializado, assim, você foca apenas na informação jurídica, mas a escrita em si, fica a cargo do comunicador.

Instagram para advogados

O conteúdo do Instagram tem de levar em conta outra coisa além do foco em seu público alvo/personas: o algoritmo. Especialmente após o surgimento do Tik Tok, o Instagram vem mudando constantemente a fim de competir com a outra rede.

As mudanças, é claro, afetam diretamente a entrega do seu conteúdo. Logo, é importante sempre avaliar se a rede é realmente relevante para seu público, uma vez que a empresa prioriza os formatos que ela acredita serem mais relevantes.

Voltando a dicas de boca rosa, a influenciadora afirma analisar os stories dos seus colegas e percebe o tipo de marketing que eles utilizam. Uma dessas é a influenciadora, Virgínia Fonseca, que pratica uma estratégia de repetição, ou seja, seus stories tem todos os dias coisas similares. Por exemplo, a influenciadora começa todos os dias com um vídeo onde dança com uma xícara de café, alguma música de seu esposo, o cantor José Felipe.

Algumas dicas que a maioria dos gurus de marketing dão é a utilizar constantemente os stories, investimento no reels e caixinhas de perguntas no seu calendário de produção de conteúdo jurídico. Isso porque, estes três modelos são, atualmente, os que mais tem engajamento e são mais valiosos para o algoritmo.

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Tik tok na advocacia

Se seu público é mais jovem, apostar no tik tok para produção de conteúdo jurídico pode ser uma boa ideia. Como visto no exemplo acima citado, o tik tok está sendo cada dia mais utilizado com esse fim. Até mesmo alguns tribunais tem postado na rede.

A dica, neste caso, para maior alcance é apostar nas chamadas “trends”, adaptando ao seu tipo de conteúdo, claro. Hoje, existe todo tipo de divulgação na rede, desde moda até ciência. Mas lembre-se, nesta rede, assim como no Instagram, são poucos minutos, então, é importante saber filtrar bem o que será divulgado ali. Você pode até sugerir que assistam o vídeo com a explicação mais completa no YouTube ou no seu blog.

YouTube jurídico

Os conteúdos em vídeo em tamanho maior, hoje, já são conteúdos mais voltados para quem deseja aprofundar o conhecimento. Assim, diferente do que muitos acreditam, produzir vídeos informativos para o Youtube segue sendo também um excelente formato para a produção de conteúdo jurídico ou não.

Além disso, você pode fazer continuação de post das redes sociais ou até mesmo inserir o vídeo da explicação no artigo do blog. Contar com diversas fontes de informação é a chave para um bom marketing de conteúdo jurídico.

Construindo autoridade na advocacia

Existem muitos outros canais, estes foram apenas algumas dicas e sugestões para te auxiliar com sua produção em marketing jurídico.

Além destas dicas de produção de conteúdo jurídico, é importante frisar que os conteúdos podem ser mesclados, mas você não precisa produzir contéudo em todos os canais. Ademais, você não precisa escolher entre um deles, tudo vai depender da dor do seu público.

Vale destacar que todas essas dicas foram voltadas a produção de conteúdo jurídico para informar seus possíveis clientes, ou seja, não desrespeitam o código de ética da OAB e estão de acordo com o provimento 205/2021.

Por fim, um bom conteúdo jurídico-informativo faz com que você ganhe autoridade perante seu público no seu ramo de atuação. Assim, quando este necessitar de seus serviços vai lembrar, em primeiro lugar, de quem já o auxiliou em um passado remoto.

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