Advocacia empresarial: como abrir um escritório especializado

Advocacia empresarial: veja serviços, formalização na OAB, sociedade unipessoal, gestão e planejamento para abrir seu escritório.

user Tiago Fachini calendar--v1 2 de agosto de 2018 connection-sync 11 de agosto de 2026

Advocacia empresarial é a atuação jurídica consultiva e contenciosa voltada a empresários, sociedades e atividades econômicas organizadas, nos termos do art. 966 do Código Civil (Lei 10.406/2002) e do art. 1º da Lei 8.906/1994. Na prática, ela reduz riscos legais, organiza contratos e apoia decisões corporativas.

Empresas contratam advogados empresariais para lidar com admissões, contratos, tributos, recuperação de crédito, reorganizações societárias, governança e prevenção de litígios. Para o advogado que deseja abrir um escritório especializado, o desafio envolve técnica jurídica, visão de negócio, regularidade perante a OAB e prestação de serviços compatível com o Código de Ética.

Durante muitos anos, parte das empresas buscava escritórios apenas quando já existia processo judicial. Hoje, departamentos jurídicos e empresários demandam apoio preventivo para evitar multas, reduzir passivos e dar previsibilidade às operações. Essa mudança abriu espaço para escritórios focados em consultoria, contratos e rotinas jurídicas permanentes.

Antes de montar um escritório de advocacia empresarial, o advogado precisa planejar nicho, modelo societário, serviços, honorários, atendimento e tecnologia. A advocacia segue regras próprias, não admite mercantilização e exige registro correto, mas também permite atuação estratégica, desde que respeite a Lei 8.906/1994, o Regulamento Geral e as normas da OAB.

O que é advocacia empresarial e como esse mercado funciona?

A advocacia empresarial atende necessidades jurídicas de empresas em todas as fases da atividade econômica, da constituição à expansão, crise ou encerramento. O mercado combina demandas consultivas, contratuais, societárias, trabalhistas, tributárias e contenciosas, com oportunidades diferentes para microempresas, startups, sociedades familiares, indústrias, varejistas e grandes grupos econômicos.

O Direito Empresarial regula a atividade do empresário e da sociedade empresária. O art. 966 do Código Civil (Lei 10.406/2002) define empresário como quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para produção ou circulação de bens ou serviços. Essa base ajuda o advogado a compreender a lógica jurídica do cliente corporativo.

No Brasil, empresas de portes variados enfrentam riscos distintos. Uma microempresa pode precisar de contratos simples, cobrança extrajudicial e orientação trabalhista. Uma companhia de maior porte pode demandar governança, reorganização societária, auditorias, due diligence, gestão de contencioso massificado e interação com órgãos reguladores.

O porte não elimina consequências jurídicas. Uma cláusula mal redigida, um registro societário incompleto ou uma rotina trabalhista irregular podem gerar perdas relevantes para qualquer negócio. O que muda, geralmente, é a capacidade de investimento, a frequência da demanda e o grau de especialização exigido do escritório.

Ao escolher o nicho, o advogado deve pesquisar o mercado local e setorial. Dados de juntas comerciais, prefeituras, associações empresariais, câmaras de comércio e SEBRAE ajudam a mapear segmentos com demanda recorrente. Também convém analisar concorrentes, ticket médio viável, riscos regulatórios e perfil de decisão dos potenciais clientes.

Construir uma rede de networking qualificada continua relevante, desde que o advogado respeite as regras de publicidade profissional. O Provimento 205/2021 da OAB autorizou estratégias de marketing jurídico informativo, mas veda captação indevida, promessa de resultado, mercantilização e divulgação comparativa de êxito.

Antes da abertura, elabore um plano de negócios. O documento deve prever público-alvo, proposta de valor, estrutura de custos, canais de relacionamento, indicadores, política de honorários e projeção financeira. Mesmo modelos simples ajudam o advogado a decidir com base em dados, não apenas em expectativa.

Quais serviços um escritório de advocacia empresarial pode oferecer?

Um escritório de advocacia empresarial pode oferecer consultoria preventiva, elaboração e revisão de contratos, apoio societário, recuperação de crédito, gestão de contencioso, compliance, planejamento sucessório empresarial e orientação em relações com colaboradores, fornecedores e parceiros. A escolha dos serviços deve refletir competência técnica, demanda do mercado e limites éticos da advocacia.

Na consultoria preventiva, o advogado examina rotinas internas, identifica riscos e orienta gestores antes do conflito. Esse trabalho pode envolver revisão de documentos, criação de fluxos de aprovação, pareceres, treinamento jurídico interno e elaboração de políticas. O cliente percebe valor quando entende a consequência prática de cada risco.

Contratos costumam ocupar posição central na advocacia empresarial. O escritório pode redigir instrumentos de prestação de serviços, fornecimento, distribuição, representação comercial, franquia, confidencialidade, parceria, compra e venda de quotas, mútuo, licenciamento de marca e termos de uso. Cada documento precisa refletir operação real, obrigações, prazos, penalidades e mecanismos de solução de conflito.

Na área societária, o advogado auxilia na constituição, alteração e dissolução de sociedades, além de preparar acordos de sócios, atas, livros societários e atos de registro. O Código Civil (Lei 10.406/2002) disciplina sociedades simples e empresárias, enquanto a Lei 6.404/1976 regula sociedades por ações.

A recuperação de crédito também gera demanda recorrente. O escritório pode estruturar notificações, acordos, protestos, ações de cobrança, execuções, habilitação em recuperação judicial e negociação com devedores. A Lei 11.101/2005, alterada pela Lei 14.112/2020, atualizou pontos relevantes sobre recuperação judicial, extrajudicial e falência.

Empresas ainda buscam apoio em temas trabalhistas, tributários e de proteção de dados. A Lei Geral de Proteção de Dados, Lei 13.709/2018, exige bases legais, governança, contratos com operadores e resposta a titulares. O advogado empresarial deve saber quando atuar diretamente e quando integrar especialistas de outras áreas.

Para atender a este público, o escritório precisa traduzir consequências jurídicas em impacto operacional, financeiro e reputacional. Empresários valorizam clareza, prazo, previsibilidade e linguagem objetiva. Uma gestão profissionalizada favorece entregas consistentes, sem transformar o serviço jurídico em produto mercantil.

Ferramentas de organização também ajudam. Um software jurídico centraliza prazos, processos, documentos, tarefas e informações de clientes. Isso melhora o atendimento a clientes na advocacia e torna a prestação de serviços jurídicos mais previsível.

Como planejar um escritório de advocacia empresarial antes da abertura?

O planejamento de um escritório de advocacia empresarial deve definir nicho, serviços, estrutura, modelo de cobrança, rotina operacional, posicionamento ético e metas financeiras. Essa etapa reduz improvisos, evita custos incompatíveis com a fase inicial e permite que o advogado alinhe especialização jurídica com capacidade real de entrega.

Comece pelo recorte de mercado. Um escritório pode atender pequenas empresas locais, startups, sociedades médicas, construtoras, indústrias, franquias, e-commerces ou empresas familiares. Quanto mais claro o público, mais fácil desenhar documentos, linguagem, honorários, conteúdo informativo e rotinas de atendimento.

Depois, defina a carteira inicial de serviços. O advogado pode iniciar com contratos, consultoria mensal, cobrança e societário básico, por exemplo. Ao ganhar maturidade, pode expandir para compliance, reorganização societária, governança, due diligence e contencioso estratégico. A expansão deve acompanhar conhecimento, equipe e controle de qualidade.

A política de honorários precisa observar o Estatuto da Advocacia, a tabela da OAB seccional e o Código de Ética. O escritório pode usar honorários fixos, por ato, mensais, por projeto ou êxito complementar, quando cabível. O contrato deve indicar escopo, exclusões, prazos, responsabilidades, despesas e forma de reajuste.

Também organize processos internos. Crie modelos de proposta, contrato de honorários, ficha de conflito de interesses, checklist documental, fluxo de prazos, rotina de reuniões e padrão de registro de orientações. Essa disciplina protege o cliente e o escritório, especialmente quando a demanda envolve decisões empresariais sensíveis.

O advogado deve prever custos com inscrição, certificação digital, estrutura física ou remota, equipe, tecnologia, marketing informativo, contabilidade, cursos, deslocamentos e tributos. A formalização sozinha não garante sustentabilidade. O escritório precisa de caixa, metas realistas e indicadores como receita recorrente, inadimplência, produtividade e satisfação do cliente.

Como formalizar um escritório de advocacia empresarial?

Para formalizar um escritório de advocacia empresarial, o advogado precisa estar inscrito regularmente na OAB, escolher entre atuação individual, sociedade individual de advocacia ou sociedade de advogados, registrar os atos constitutivos no Conselho Seccional competente e cumprir regras do Estatuto da Advocacia, do Regulamento Geral e dos provimentos aplicáveis.

A inscrição profissional decorre da aprovação no Exame de Ordem e do atendimento aos requisitos do art. 8º da Lei 8.906/1994. Além disso, a Lei n.º 6.839/80 determina o registro de empresas em entidades fiscalizadoras conforme a atividade básica ou o serviço prestado a terceiros, o que fundamenta a fiscalização profissional.

Na advocacia, o registro não ocorre na junta comercial como uma sociedade empresária comum. O art. 15 da Lei 8.906/1994 permite que advogados constituam sociedade simples de prestação de serviços de advocacia ou sociedade unipessoal. Os atos constitutivos devem ser arquivados na OAB da base territorial do escritório.

A Lei 14.365/2022 atualizou o Estatuto da Advocacia em diversos pontos, inclusive regras profissionais e prerrogativas. Por isso, quem abre escritório deve consultar a redação vigente da Lei 8.906/1994, os provimentos do Conselho Federal e as normas da seccional antes de registrar contrato social ou ato constitutivo.

Ter ou não ter sócios?

Ter sócios pode dividir despesas, ampliar competências e permitir atendimento multidisciplinar dentro da advocacia. Um profissional pode liderar contratos, outro contencioso empresarial e outro societário. Porém, a sociedade exige alinhamento sobre investimento, retirada, captação ética, divisão de tarefas, qualidade técnica, sucessão, saída e solução de conflitos internos.

O contrato social deve tratar com precisão de quotas ou participação, administração, distribuição de resultados, responsabilidade por despesas, ingresso e retirada de sócios, falecimento, exclusão, impedimentos e regras de uso do nome profissional. Um acordo de sócios pode complementar o contrato e detalhar temas internos sem expor toda a governança.

Como funciona a sociedade individual de advocacia?

Para quem deseja atuar sozinho, a Lei n.º 13.247/16, isto é, Lei 13.247/2016, criou a sociedade individual de advocacia ao alterar a Lei 8.906/1994. Esse modelo permite CNPJ próprio, organização tributária e contratação em nome da sociedade, sem exigir outro sócio.

A sociedade individual deve usar denominação formada pelo nome do titular, completo ou parcial, acrescida da expressão “Sociedade Individual de Advocacia”. Ela não pode usar nome fantasia, exercer atividade estranha à advocacia ou adotar características de sociedade empresária. O advogado titular também não pode integrar outra sociedade de advocacia simultaneamente na mesma base territorial, conforme regras da OAB.

Em responsabilidade profissional, o advogado responde pelos atos que pratica no exercício da advocacia, sem afastar deveres éticos e disciplinares. Por isso, contratos claros, registro de orientações, controle de prazos e documentação de decisões do cliente são medidas de proteção relevantes.

Como funciona a sociedade de advogados?

A sociedade de advogados é sociedade simples de prestação de serviços advocatícios. O Conselho Seccional da OAB registra o contrato social na base territorial da sede. Ela pode contar com sócios patrimoniais e sócios de serviço, desde que todos sejam advogados e contribuam com atividade jurídica, observadas as normas profissionais.

Esse modelo exige atenção ao Código Civil (Lei 10.406/2002), à Lei 8.906/1994, ao Regulamento Geral e às regras da OAB. O escritório não pode oferecer contabilidade, consultoria empresarial não jurídica, intermediação comercial ou qualquer serviço incompatível com a advocacia dentro da mesma sociedade.

A OAB também veda que sócio exerça atividade incompatível com a advocacia, como determinadas funções no Judiciário, Ministério Público, polícia ou cargos diretivos na Administração Pública, conforme arts. 27 a 30 da Lei 8.906/1994. Antes de admitir sócio, o escritório deve verificar impedimentos e incompatibilidades.

Como gerir e escalar a advocacia empresarial com eficiência?

A gestão da advocacia empresarial exige controle de prazos, padronização documental, comunicação clara, indicadores financeiros, acompanhamento de riscos e registro das entregas feitas ao cliente. Escritórios que organizam operação, pessoas e tecnologia conseguem atender empresas com mais previsibilidade e reduzem falhas em demandas recorrentes.

Empresas esperam respostas objetivas e acompanhamento contínuo. O escritório pode criar reuniões periódicas, relatórios de passivo, matriz de risco, agenda de obrigações e canais formais de solicitação. O cliente deve saber o que está em andamento, qual prazo se aplica e qual decisão depende da administração.

Na consultoria mensal, delimite escopo. Inclua quantidade de horas, áreas atendidas, tipos de documentos, prazo de resposta e exclusões, como ações judiciais complexas ou operações societárias extraordinárias. Essa clareza evita desgaste e permite precificar o serviço de forma sustentável.

Também monitore qualidade técnica. Revisões internas, checklists, base de conhecimento, atualização legislativa e estudo de jurisprudência reduzem erros. Em temas empresariais, mudanças legais podem alterar contratos, políticas internas e estratégias de cobrança. O advogado precisa acompanhar alterações até 2025 e manter o cliente informado quando houver impacto prático.

Por fim, respeite limites éticos na divulgação. Conteúdos educativos, artigos, eventos e newsletters podem demonstrar autoridade, desde que não prometam resultado, não divulguem captação agressiva e não exponham clientes sem autorização. A reputação do escritório nasce da combinação entre técnica, discrição e consistência.

Perguntas frequentes sobre advocacia empresarial

O que faz um advogado de advocacia empresarial?

Advocacia empresarial orienta empresas em contratos, sociedades, cobrança, contencioso, compliance, relações trabalhistas e prevenção de riscos. O advogado analisa operações, propõe caminhos juridicamente seguros, registra decisões e atua em disputas quando necessário, sempre observando a Lei 8.906/1994 e as regras éticas da OAB.

Como abrir um escritório de advocacia empresarial?

Advocacia empresarial exige inscrição regular na OAB, definição de nicho, plano de negócios, escolha entre atuação individual, sociedade individual ou sociedade de advogados e registro dos atos na seccional competente. Também convém estruturar contratos de honorários, tecnologia, atendimento e rotinas de controle de prazos.

Quais áreas entram na advocacia empresarial?

Advocacia empresarial pode abranger contratos, societário, recuperação de crédito, contencioso cível empresarial, compliance, proteção de dados, consultoria trabalhista empresarial, tributário consultivo e governança. O escritório não precisa oferecer tudo; ele deve escolher áreas compatíveis com sua equipe, especialização e capacidade de entrega.

Advogado empresarial pode abrir sociedade unipessoal?

Advocacia empresarial pode ser exercida por sociedade individual de advocacia, criada pela Lei 13.247/2016. O advogado registra o ato constitutivo na OAB, usa denominação com seu nome e a expressão adequada, obtém CNPJ e atua sem sócio, respeitando as vedações profissionais.

Quanto cobrar por serviços de advocacia empresarial?

Advocacia empresarial deve ser precificada conforme escopo, complexidade, urgência, responsabilidade técnica, tempo estimado, despesas e tabela da OAB seccional. O escritório pode cobrar por ato, projeto, mensalidade ou êxito complementar permitido, desde que formalize tudo em contrato de honorários claro.

Qual a diferença entre Direito Empresarial e advocacia empresarial?

Advocacia empresarial é a prática profissional aplicada às demandas de empresas, enquanto Direito Empresarial é o ramo jurídico que disciplina empresários, sociedades e atividade econômica organizada. Na rotina do escritório, o advogado usa esse ramo, junto com outras áreas, para resolver problemas corporativos concretos.

Como dar o próximo passo na advocacia empresarial?

A melhor forma de iniciar na advocacia empresarial é combinar especialização técnica, planejamento financeiro, regularidade perante a OAB e entendimento profundo do público escolhido. O advogado que conhece a operação do cliente consegue prestar orientação mais útil, prevenir conflitos e construir uma relação profissional duradoura.

Revise o mercado, escolha um nicho inicial, monte seu plano de negócios, defina serviços, formalize corretamente o escritório e adote rotinas de gestão desde o primeiro cliente. A advocacia empresarial oferece espaço para atuação consultiva e contenciosa qualificada, desde que o escritório cresça com método, ética e consistência jurídica.

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Tiago Fachini - Especialista em marketing jurídico

Mais de 300 mil ouvidas no JurisCast. Mais de 1.200 artigos publicados no blog Jurídico de Resultados. Especialista em Marketing Jurídico. Palestrante, professor e um apaixonado por um mundo jurídico cada vez mais inteligente e eficiente. Siga @tiagofachini no Youtube, Instagram e Linkedin.

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