Quão assustadora pode ser a tecnologia para as empresas?

A inovação tecnológica é frequentemente admirada por possibilitar o desenvolvimento e a superação de grandes desafios, estimular o crescimento econômico e impulsionar sociedades. No entanto, algumas inovações costumam enfrentar dificuldades em sua implementação. Ao longo da história, são diversos os casos de proibição estatal de novas tecnologias – mesmo aquelas que, após liberadas, trouxeram benefícios às sociedades.

Considere a imprensa. A nova tecnologia representava um importante avanço para as religiões, por exemplo, que finalmente possuiriam uma ferramenta eficiente para reproduzir e disseminar suas escrituras sagradas. No entanto, o Império Otomano – localizado no território em que hoje é a Turquia – proibiu a impressão do Alcorão por quase 400 anos. Em 1515, o sultão Selim I chegou a decretar que “ocupar-se da ciência da impressão era punível com a morte”.

Por que tal oposição à uma tecnologia tão benéfica? A resposta mais simples é que as pessoas têm, naturalmente, medo do desconhecido. Outra argumentação de estudiosos é que a resistência ao progresso tecnológico costuma estar enraizada no temor de que a ruptura do status quo possa trazer prejuízos: no emprego, na renda, no poder, na identidade, na cultura. Assim, os governos acabam decidindo que é mais fácil proibir a nova tecnologia do que se adaptar a ela.

Ao proibir a impressão do Alcorão, os líderes otomanos evitaram a perda do emprego de escribas e calígrafos, mas esta proteção não era a real motivação. O conhecimento religioso representava – talvez como represente até os dias de hoje, uma questão de poder. Além de manter a sociedade unida, era um pilar do poder político, de modo que possuir um monopólio sobre a disseminação desse conhecimento era fundamental para manter a autoridade dos líderes otomanos. Eles temiam seguir o caminho do Papa Católico, que perdeu considerável autoridade durante a Reforma Protestante, quando a imprensa teve uma função chave na divulgação de novas ideias e interpretações bíblicas aos fiéis.

É claro que a construção de barreiras à inovação tecnológica nem sempre parte do Estado. Grupos específicos interessados na manutenção do status quo podem exigir de seus governantes que proibições sejam impostas. Um meio comumente utilizado para isto são os protestos.  Foi o que fizeram os calígrafos otomanos e também os irlandeses que não eram favoráveis às batatas geneticamente modificadas e marcharam em Dublin para expressar sua oposição à “morte da boa comida”, em 2002.

Difamação, desinformação e até mesmo demonização, são abordagens que também já tiveram êxito no passado. Em 1674, as mulheres inglesas emitiram uma petição contra o café, alegando que ele causava esterilidade e, portanto, devia ser consumido apenas por pessoas com mais de 60 anos – um público com pouquíssima representação na época. No ano seguinte, o Rei Carlos II proibiu a produção do café na Inglaterra.

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Nos anos 1800, a indústria láctea americana produziu uma campanha de desinformação semelhante a respeito da margarina, alegando que ela causava esterilidade, crescimento atrofiado e calvície masculina. Eles alegavam até que a margarina continha “carne enferma e putrefata, cavalos mortos, porcos mortos, cães mortos, cães loucos e ovelhas abatidas”, e apelidaram o produto de “manteiga de touro”. Em resposta, o governo federal introduziu novas restrições e novos impostos à produção de margarina, postergando a primazia da manteiga.

As pessoas quase nunca rejeitam o progresso tecnológico por ignorância. O que ocorre é uma luta para proteger seus interesses próprios, uma cultura com a qual já estão acostumadas, ou seus meios de subsistência, sejam estes a operação de uma fazenda de gado leiteiro ou a disponibilização de caronas, em metrópoles, em troca de dinheiro. É o caso atual dos taxistas que, no Brasil, se opõem e travam um embate contra à liberação de aplicativos como o Uber.

Evitar barreiras ao progresso tecnológico requer análise e compreensão de suas reais desvantagens. Só assim é possível evitar reações contrárias a inovações tecnológicas potencialmente benéficas. Em empresas, o cenário de resistência a mudanças também é comum, principalmente entre equipes que já possuem processos e procedimentos estabelecidos há muito tempo e estão acostumados a uma rotina. O ProJuris ENTERPRISE, por exemplo, é uma boa opção de automação para empresas com departamentos jurídicos, porém ainda há quem não confie num software para realizar controles financeiros ou atualização de processos, e prefira realizar essas atividades de forma manual.

Desvencilhar-se dessa resistência e alterar uma cultura organizacional, mesmo que minimamente, requer flexibilidade. Daí o porquê de dois dos termos mencionados até aqui, inovação e flexibilidade, serem, desde a década passada, muito constantes nas listas de valores de empresas ou de características desejáveis em candidatos a vagas. Com o avanço acelerado da tecnologia, é cada vez mais necessário que os trabalhadores sejam capazes de se adaptarem a novos softwares e funcionalidades, que poderão garantir às empresas um diferencial na competitividade do mercado. Da mesma forma, as empresas precisam estar atentas às inovações tecnológicas disponíveis e como elas podem ser implementadas de forma a trazer benefícios.

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