Engenheiro jurídico e as novas profissões na advocacia

24/01/2022
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15/05/2023
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8 minutos

NFT, metaverso, inteligência artificial, machine learning, big data, todos esses termos e conceitos fazem parte do que os economistas chamam quarta revolução industrial. Esta é marcada, pelas transformações tecnológicas e sociais, e não é preciso dizer, estamos no meio dela! É por essa razão que a cada dia surgem novas profissões nos mais diversos segmentos, e claro, na advocacia. No mercado jurídico já contamos com profissões antes inexistentes, como o engenheiro jurídico e o data driven lawyer.

Além das profissões já existentes, diversas pesquisas estimam que muitas das profissões do futuro ainda não são conhecidas por nós. Ou seja, o mercado está mudando, e cada dia mais rápido.

Mas não é só o mercado que muda. As pessoas acompanham essa mudança. Na realidade, as novas gerações já nascem mais adaptadas ao mundo atual e ao que está por vir.

Ainda falando sobre mercado, falamos no artigo sobre a geração z, que os primeiros representantes desta já estão no mercado de trabalho há algum tempo. Isto significa que, as diversas áreas estarão, cada dia mais informatizadas.

Assim, quando observamos esse cenário, pensar em permanecer fazendo as mesmas coisas já não faz mais sentido. Logo, é essencial fazer mudanças também no ambiente de trabalho, ou seja, no escritório de advocacia ou departamento jurídico.

Para isso, você pode começar com uma ação prática: Contratando um engenheiro jurídico.

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O que é um engenheiro jurídico?

Apesar do nome “engenheiro jurídico”, este profissional é responsável pela parte de conteúdo. No entanto, como o nome já sugere, em um sentido lógico de atuação. Chamamos esse tipo de atuação de conteúdo lógico-jurídico.

Alguns estudiosos os definem como uma fusão entre o programador e o advogado.

Esta é uma profissão que a cada dia cresce, no Brasil e fora, tem se tornado essencial no dia a dia dos escritórios de advocacia e departamentos jurídicos.

Apesar disso, essa carreira ainda não está bem desenhada e pode diferir de lugar para lugar. Ou seja, há casos de engenheiros que são tecnólogos e há casos de advogados ou ex-advogados.

O ponto é que todos eles irão utilizar a tecnologia para aprimorar suas práticas jurídicas.

O que faz um engenheiro jurídico?

De maneira geral, os engenheiros jurídicos ou engenheiras jurídicas, analisam contratos e os transformam em linguagem de programação. Este será transformado pela máquina de uma maneira que o usuário compreenda.

Apesar disso, o profissional de engenharia jurídica poderá olhar para os contratos logicamente, sem as subjetividades do jurídico, e posteriormente, incluí-las na atuação. Ele faz, então, a ponte entre a equipe de tecnologia e os advogados e advogadas do escritório de advocacia ou departamento jurídico.

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Além disso, ele também é responsável pela inclusão de informações jurídicas e manipulação dos sistemas dos escritórios de advocacia.

O que analisar antes de contratar um engenheiro jurídico?

Antes de contratar um engenheiro jurídico, é preciso saber se a pessoa entrevista possui as habilidades necessárias para a função.

Pela proximidade com a área de tecnologia, muitas pessoas acabam acreditando que para atuar como engenheiro jurídico é necessário saber programar. Mas isso é um mito!

É claro que é importante entender o mínimo de programação, mas não necessariamente saber programar. Para explicar melhor, não é necessário saber “codar”, mas é importante entender as linguagens.

Além disso, não é exatamente necessário que se tenha alguma formação específica para atuar como engenheiro jurídico. Mas, na hora de fazer a contratação é importante considerar se o profissional possui alguma experiência com a área de Lawtechs e Legaltechs, afinal, é por nessas empresas que se tem contato direto com advocacia e tecnologia.

Já em relação às habilidades, é importante observar, antes de fazer uma contratação, se o possível colaborador possui habilidades lógicas e pensamento analítico.

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Diferenças entre o engenheiro e o controller jurídico?

Muitas pessoas confundem o engenheiro jurídico com o controller jurídico, afinal, ambos os profissionais tem responsabilidades com os sistemas.

A diferença entre eles, no entanto, é grande. Isso porque, o engenheiro jurídico é o responsável, principalmente, pela automação, digitalização e uso de tecnologias no escritório de advocacia ou departamento jurídico.

Já o controller jurídico é responsável pela parte de gestão das atividades. Ou seja, ele apenas utiliza a tecnologia disponível em seu trabalho. Enquanto o engenheiro ajudar a transformar a linguagem jurídica em uma linguagem mais voltada para a tecnologia.

Benefícios de contratar um engenheiro jurídico

Por seu contato muito próximo com a tecnologia, é de se imaginar que a principal vantagem da contratação do engenheiro jurídico é a automação de certas atividades, concorda?

De fato, este é um dos benefícios de contratar um engenheiro jurídico ou engenheira jurídica, mas não só.

Esse profissional, além de atuar com essa parte de automação, também contribuirá para aumentar a agilidade na emissão de alvarás e licenças, além das menores taxas de negação para emissão dessas.

Ademais, o profissional da engenharia jurídica também contribui para a facilitação do entendimento entre sistemas e os profissionais da advocacia. Por exemplo, facilitando a leitura de contratos, para que os profissionais de tecnologia possam transformá-lo em linguagem de programação.

Mas não é só a engenharia jurídica que vem ganhando espaço e notoriedade no mercado lógico-jurídico. Diversas outras profissões surgiram há algum tempo e prometem dominarem o mercado em alguns anos.

7 profissões lógico-jurídicas em ascensão

Antes de detalhar as profissões, é importante lembrar a razão para essa mudança no cenário jurídico.

No início deste artigo falei acerca das mudanças tecnológicas e geracionais que causam esse surgimento de novos mercados. Bem isso acontece, pois, estamos vivendo a era do mundo V.U.C.A.

V.U.C.A nada mais é do que um acrônimo que simboliza as palavras Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade.

A Volatilidade se refere à velocidade com que as mudanças acontecem. Afinal, as mudanças estão acontecendo cada dia mais rápido.

A Incerteza, em inglês Uncertainty, que indica nossa capacidade de prever o futuro. É claro que não literalmente, mas com o presente cada dia mais incerto, não existe a possibilidade de sequer estudar possibilidades para o futuro.

A Complexidade, que já se define pelo nome. Destaca que quanto mais dados e informações temos, mais complexo se torna o mundo.

E por fim, a Ambiguidade, que se refere sobre a dificuldade de interpretação dos acontecimentos, afinal, estes já não são tão claros.

Essas características do mundo que estamos vivendo, têm como consequência, então, essa reviravolta nas diversas áreas de mercado. Nos mostra, portanto, a necessidade de adaptação, já que com um mundo com essas características precisa de seres adaptáveis.

Vamos, então, descobrir quais as novas profissões, além do engenheiro jurídico, que a área jurídica terá no futuro.

1 – Head de inovação

A primeira profissão que surge é, sem dúvida, o head de inovação. Com a necessidade de adaptação à tecnologia e às mudanças na área jurídica, é importante contar com um profissional que irá trazer as novidades do mercado para dentro dos escritórios de advocacia.

2 – Empreendedor em Legaltechs e Lawtechs

O número de Legaltechs e Lawtechs aumentou consideravelmente nos últimos anos. No entanto, essa ainda é uma área com muito potencial de crescimento, e buscar desenvolver habilidades que permitam atuar nesse segmento.

3 – Gerente de privacidade

Com a LGPD passando a valer, uma das profissões em alta é o de gerente de privacidade. Tanto em ambientes públicos como privados, alguém especializado no tratamento e consentimento de informações é essencial.

O profissional de Legal Operations são profissionais que contribuem com a organização e estrutura técnica para a administração de departamentos jurídicos. É uma das tendências jurídicas para este e os próximos anos.

5 – Arquiteto jurídico

Ainda nesse sentido de estruturação administrativa, mas, mais voltado para escritórios de advocacia e assistências jurídicas. O arquiteto jurídico trabalha junto do engenheiro jurídico, a fim de pensar soluções para um problema de um cliente a partir de dados e processos do escritório.

6 – Analista de dados

O Analista de dados é um profissional essencial em qualquer empresa. Com a grande quantidade de dados existentes no dia a dia da advocacia, contar com esse profissional pode ser o diferencial de um escritório, afinal, é por meio dos dados e análises que se pode, por exemplo, saber as chances de ganho de um processo.

7 – Compliance

Os escândalos nas empresas nos últimos anos, especialmente no Brasil fizeram com que as diversas empresas implementassem uma área de compliance, a fim de evitar possíveis polêmicas e atos ilegais. Logo, essa área ainda tem muito a crescer e é uma das mais promissoras atualmente.

Essas foram algumas das áreas que estão em alta e permanecerão nos próximos anos. Como já foi falado, muitas também ainda nem existem, mas estar em contato com alguma dessas pode ser uma maneira de já se adiantar ao que virá.

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