Direito e Justiça

Lei Pelé: o que foi, impactos e mudanças até 2025

Lei Pelé: entenda impactos, fim do passe, contratos desportivos e revogação pela Lei Geral do Esporte.

Lei Pelé: o que foi, impactos e mudanças até 2025
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Lei Pelé é o nome histórico da Lei 9.615/1998, que instituiu normas gerais sobre desporto no Brasil, nos termos do art. 1º da Lei 9.615/1998. Na prática, ela estruturou contratos, entidades esportivas, direitos de atletas e regras que ainda orientam análises jurídicas, mesmo após a Lei 14.597/2023.

A Lei Pelé marcou o ordenamento jurídico brasileiro porque substituiu a Lei Zico, enfrentou o antigo passe e aproximou clubes de uma lógica profissional de gestão. Desde 2023, porém, advogados devem ler esse histórico junto da Lei Geral do Esporte, Lei 14.597/2023.

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O que é a Lei Pelé (Lei 9.615/98)?

A Lei Pelé foi a legislação federal que organizou normas gerais sobre desporto, definiu princípios, estruturou entidades esportivas e disciplinou pontos sensíveis do esporte profissional. Embora a Lei 14.597/2023 tenha revogado a Lei 9.615/1998, juristas ainda analisam seus efeitos em contratos, direitos adquiridos e controvérsias anteriores.

recorte do jornal do brasil de março de 1998 mostra nota jornalistica sobre a aprovação da Lei Pelé pelo presidente

O texto ganhou relevância no futebol por limitar vínculos entre clubes e atletas, disciplinar o contrato especial de trabalho desportivo e tratar de temas como direito de arena, imagem, financiamento e responsabilidade de dirigentes. Para departamentos jurídicos, a Lei Pelé funciona como referência histórica indispensável em auditorias contratuais e contencioso esportivo.

Como ocorreu o histórico de aprovação da Lei Pelé?

A norma recebeu esse nome porque Edson Arantes do Nascimento, Pelé, ocupava o cargo de Ministro Extraordinário do Esporte quando o Congresso discutiu o projeto. Segundo registro da Folha de São Paulo, dirigentes de clubes resistiram a pontos como o fim do passe e a reorganização da gestão esportiva.

A tramitação durou cerca de três anos e recebeu mais de 120 emendas na Câmara dos Deputados. Ao final, a Lei 9.615/1998 substituiu a Lei 8.672/1993, conhecida como Lei Zico, e consolidou novo marco regulatório para o esporte profissional e não profissional.

Quais foram as principais contribuições da Lei Pelé?

A Lei Pelé contribuiu para profissionalizar relações esportivas, reconhecer direitos de atletas e espectadores, estabelecer princípios do desporto e criar mecanismos de financiamento. Seu impacto ultrapassou o futebol, pois alcançou entidades de prática desportiva, federações, confederações, ligas, atletas profissionais e gestores responsáveis por contratos e governança.

Nota do Jorna do Comércio de fevereiro de 1998 mostra os esforços de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, na aprovação da Lei Pelé ou Lei 9.615/98

Como a Lei Pelé definiu os princípios basilares do desporto?

O art. 2º da Lei 9.615/1998 tratava o desporto como direito individual e listava princípios como soberania, autonomia, democratização, liberdade, direito social, diferenciação, identidade nacional e educação. Esses princípios orientavam políticas públicas, interpretação contratual e atuação de entidades esportivas perante atletas, torcedores e órgãos públicos.

Art. 2º. O desporto, como direito individual, tem como base princípios de soberania, autonomia, democratização, liberdade, direito social, diferenciação, identidade nacional e educação, entre outros previstos na Lei 9.615/1998.

Quais órgãos e estruturas públicas a Lei Pelé ajudou a organizar?

A Lei Pelé organizou o Sistema Brasileiro do Desporto e previu entidades como Comitê Olímpico Brasileiro, Comitê Paralímpico Brasileiro, entidades nacionais e regionais de administração, ligas e entidades de prática desportiva. A Lei 10.672/2003 também recriou o Ministério do Esporte e ajustou o Conselho Nacional do Esporte.

Como a Lei Pelé deu status de consumidor ao espectador pagante?

O art. 42 da Lei 9.615/1998 tratava do direito de arena e, em seu § 3º, equiparava o espectador pagante ao consumidor. Com isso, quem compra ingresso para evento esportivo passou a contar com proteção compatível com o Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078/1990.

Essa equiparação interfere em deveres de informação, segurança, oferta, responsabilidade por falhas na prestação do serviço e tratamento de danos. Para clubes e organizadores, a venda de ingresso exige planejamento jurídico semelhante ao de outras relações de consumo massificadas.

A Lei Pelé obrigou clubes a manterem status de empresa?

A redação original do art. 27 buscou aproximar entidades profissionais de estruturas empresariais. Depois, alterações legislativas tornaram facultativa a constituição como sociedade empresária, mas reforçaram responsabilidade de dirigentes. O dispositivo passou a dialogar com o art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, sobre desconsideração da personalidade jurídica.

O mesmo artigo também mencionou sanções do caput do art. 1.017 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 e admitiu que entidades profissionais adotassem tipos societários previstos nos arts. 1.039 a 1.092 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, o Código Civil.

Como a Lei Pelé previu financiamento para práticas desportivas?

O art. 56 da Lei Pelé tratou de recursos para fomento do desporto formal e não formal. A norma mencionava programas de trabalho nos orçamentos públicos, fundos desportivos, doações, patrocínios, legados e outras receitas. Essa lógica reforçou o papel estatal no financiamento do esporte educacional, de participação e de rendimento.

Como a Lei Pelé regulamentou o direito de imagem dos atletas?

A Lei 9.615/1998 separou o contrato de cessão de imagem do contrato especial de trabalho desportivo. O art. 87-A permitia ao atleta ceder ou explorar o uso de sua imagem por ajuste civil, com direitos e deveres próprios. O parágrafo único limitava o valor de imagem a 40% da remuneração total paga pelo clube.

Esse limite reduziu o uso artificial de contratos civis para mascarar salário e encargos trabalhistas. Na prática, clubes passaram a documentar melhor salário, bônus, luvas, imagem, patrocínios, obrigações promocionais e condições de rescisão.

Passe livre dos atletas: o que diz a Lei Pelé e como ficou?

O fim do passe foi o ponto mais simbólico da Lei Pelé, pois rompeu a vinculação do atleta ao clube mesmo após o encerramento contratual. A lei preservou mecanismos de proteção ao clube formador, mas deslocou o centro da relação para contratos com prazo determinado, remuneração formal e cláusulas previamente pactuadas.

O que era o “passe” no futebol?

O passe vinculava o jogador ao clube formador ou detentor de seus direitos federativos. Mesmo sem contrato ativo, o atleta dependia do pagamento de valor ao clube para atuar por outra equipe. Pelé e outros defensores da reforma criticavam esse modelo por restringir a liberdade profissional e criar dependência econômica desproporcional.

Como a Lei Pelé aboliu o passe nos arts. 28, 29 e 30?

A Lei Pelé determinou que o contrato do atleta profissional teria prazo determinado. O art. 30 fixou vigência mínima de três meses e máxima de cinco anos, após alteração legislativa posterior. O art. 29 assegurou ao clube formador o primeiro contrato especial de trabalho desportivo a partir dos 16 anos, limitado a cinco anos.

Art. 30. O contrato de trabalho do atleta profissional terá prazo determinado, com vigência nunca inferior a três meses nem superior a cinco anos.

Projetos de lei tentaram retomar o “passe” entre clubes e atletas?

O Projeto de Lei 1.153 (PL 1153/19) avançou como base da Lei Geral do Esporte, Lei 14.597/2023, que revogou a Lei 9.615/1998. Já o PL 3353/21 propôs restaurar o passe. Seu autor argumenta que empresários substituíram clubes no controle econômico da carreira dos atletas.

Quais mudanças na Lei Pelé alteraram a Lei 9.615/98?

A Lei Pelé recebeu alterações relevantes desde 1998 e, depois, foi revogada pela Lei Geral do Esporte, Lei 14.597/2023. Para análise jurídica, convém separar três planos: alterações que modificaram a lei em vigor, normas esportivas paralelas e o regime atual aplicável a contratos celebrados ou discutidos após 2023.

O que mudou com a Lei 10.672/2003?

A Lei 10.672 de 2003 recriou o Ministério do Esporte, ajustou o Conselho Nacional do Esporte e detalhou competências de entidades esportivas. Também equiparou ligas a entidades de administração, atribuiu deveres de calendário e alterou regras de responsabilidade e acesso a recursos públicos.

O que mudou com a Lei 12.395/2011?

A Lei 12.395 de 2011 criou incentivos como Bolsa-Atleta e Atleta Pódio e ajustou dispositivos sobre prática desportiva profissional. Também influenciou contratos de trabalhos desportivos, remuneração, formação de atletas e deveres de entidades.

O que mudou com a Lei 14.205/2021?

Em 2021, normas como a Lei 14.193/2021, sobre Sociedade Anônima do Futebol, e a Lei 14.117, editada no contexto da pandemia de Covid-19, alteraram o ambiente esportivo. A Lei 14.205 modificou regras sobre direito de arena e distribuição de receitas de transmissão.

Como clubes podem se adequar à legislação desportiva?

Clubes se adequam à legislação desportiva quando organizam governança, contratos, direitos econômicos, imagem, arena, formação de atletas e obrigações trabalhistas em fluxos documentados. A revogação da Lei Pelé não elimina riscos antigos: ela exige revisão de instrumentos anteriores e atualização de modelos conforme a Lei 14.597/2023.

O jurídico deve mapear contratos ativos, anexos de imagem, cessões de direitos, cláusulas indenizatórias, prazos, registros federativos, obrigações de confidencialidade e documentos de formação. Depois, deve padronizar aprovações internas, alertas de vencimento, assinatura eletrônica e armazenamento seguro. Soluções como softwares para contratos ajudam a reduzir perda de prazo e inconsistências.

Também convém acompanhar projetos legislativos, normas federativas e precedentes trabalhistas ligados ao esporte. Para aprofundar a gestão jurídica no futebol, ouça o Juriscast #50, sobre os desafios jurídicos dos clube de futebol.

Perguntas frequentes sobre Lei Pelé

O que é a Lei Pelé?

Lei Pelé é o nome pelo qual ficou conhecida a Lei 9.615/1998, norma que instituiu regras gerais sobre desporto no Brasil. Ela disciplinou princípios esportivos, contrato especial de trabalho desportivo, direito de arena, imagem, financiamento e organização de entidades esportivas até sua revogação pela Lei 14.597/2023.

A Lei Pelé ainda está em vigor?

Lei Pelé não é mais o principal diploma vigente, pois a Lei 14.597/2023, Lei Geral do Esporte, revogou a Lei 9.615/1998. Mesmo assim, seus dispositivos continuam relevantes para interpretar contratos antigos, litígios anteriores, direitos constituídos e a evolução normativa do direito desportivo brasileiro.

Por que a Lei Pelé acabou com o passe?

Lei Pelé acabou com o passe para impedir que atletas ficassem vinculados a clubes sem contrato de trabalho ativo. O modelo anterior restringia a liberdade profissional. A lei substituiu essa lógica por contratos com prazo determinado, proteção ao clube formador e regras de indenização previamente pactuadas.

Qual artigo da Lei Pelé tratava do contrato do atleta?

Lei Pelé tratava do contrato do atleta especialmente nos arts. 28, 29 e 30 da Lei 9.615/1998. Esses dispositivos regulavam contrato especial de trabalho desportivo, primeiro contrato com entidade formadora, cláusulas de proteção e prazo determinado, com vigência mínima de três meses e máxima de cinco anos.

A Lei Pelé regulava direito de imagem?

Lei Pelé regulava direito de imagem no art. 87-A da Lei 9.615/1998. O dispositivo permitia cessão por contrato civil separado do contrato de trabalho. Quando a cessão ocorria para o clube empregador, o valor de imagem não podia ultrapassar 40% da remuneração total do atleta.

Qual lei substituiu a Lei Pelé?

Lei Pelé foi substituída, em termos gerais, pela Lei 14.597/2023, conhecida como Lei Geral do Esporte. Essa norma consolidou regras esportivas, revogou diplomas anteriores e passou a concentrar a disciplina legal sobre prática esportiva, governança, direitos de atletas, integridade e organização do sistema esportivo.

O que concluir sobre a Lei Pelé?

A Lei Pelé deixou de ser o texto central vigente, mas continua indispensável para compreender contratos desportivos, fim do passe, direito de imagem, direito de arena e profissionalização dos clubes. Para advogados e gestores jurídicos, a leitura correta exige comparar a Lei 9.615/1998 com a Lei 14.597/2023 e revisar documentos conforme o período de assinatura.

Leia também:

IX – da qualidade, assegurado pela valorização dos resultados desportivos, educativos e dos relacionados à cidadania e ao desenvolvimento físico e moral; 

X – da descentralização, consubstanciado na organização e funcionamento harmônicos de sistemas desportivos diferenciados e autônomos para os níveis federal, estadual, distrital e municipal; 

XI – da segurança, propiciado ao praticante de qualquer modalidade desportiva, quanto a sua integridade física, mental ou sensorial; 

XII – da eficiência, obtido por meio do estímulo à competência desportiva e administrativa. 

Tiago Fachini - Especialista em marketing jurídico

Mais de 300 mil ouvidas no JurisCast. Mais de 1.200 artigos publicados no blog Jurídico de Resultados. Especialista em Marketing Jurídico. Palestrante, professor e um apaixonado por um mundo jurídico cada vez mais inteligente e eficiente. Siga @tiagofachini no Youtube, Instagram e Linkedin.

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