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Regulamentação da IA na advocacia: decisão da OAB/AC e limites legais

Entenda a regulamentação da IA na advocacia, a decisão da OAB/AC, riscos éticos, LGPD e limites para usar IA no direito.

Regulamentação da IA na advocacia: decisão da OAB/AC e limites legais
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Regulamentação da IA na advocacia é o conjunto de deveres éticos, técnicos e jurídicos para uso de inteligência artificial por advogados, nos termos dos arts. 31 e 34, IV, da Lei 8.906/1994. Na prática, exige supervisão humana, sigilo profissional, conferência das informações e responsabilidade pelos atos praticados.

A discussão ganhou força após a OAB seccional do Acre aprovar diretrizes sobre inteligência artificial no exercício profissional. A decisão não cria uma lei nacional, mas orienta condutas relevantes para escritórios, departamentos jurídicos e profissionais que usam IA para pesquisa, redação, gestão de prazos ou análise documental.

Qual foi a decisão da OAB/AC sobre a regulamentação da IA na advocacia?

A OAB/AC aprovou uma regulamentação orientativa para disciplinar o uso de IA por advogados no Acre, com foco em responsabilidade, ética, revisão humana e proteção de informações. A medida reforça que a tecnologia pode apoiar o trabalho jurídico, mas não substitui o juízo profissional nem reduz os deveres previstos no Estatuto da Advocacia.

A iniciativa foi atribuída ao advogado Leonardo Bandeira e ao professor Leonardo Vasconcelos, que propuseram um documento regulatório para orientar o uso da IA no direito. A redação noticiada em 29 de janeiro de 2024 tratou de segurança, veracidade das informações e limites de delegação de atividades intelectuais.

O ponto central da deliberação é simples: o advogado pode usar ferramentas digitais, mas deve revisar o resultado antes de apresentá-lo a cliente, autoridade ou tribunal. Esse dever dialoga com o art. 31 da Lei 8.906/1994, que exige independência, honestidade, decoro e boa-fé no exercício profissional.

A diretriz também se conecta ao Código de ética da OAB, aprovado pela Resolução 02/2015 do Conselho Federal da OAB. O código exige zelo, sigilo, competência profissional e clareza na relação com o cliente, deveres que continuam íntegros quando o advogado utiliza sistemas automatizados.

Qual a aplicabilidade da inteligência artificial no Direito?

A inteligência artificial no Direito pode apoiar atividades de pesquisa, organização, triagem documental, revisão de padrões, gestão de prazos e elaboração inicial de textos jurídicos. O uso adequado ocorre quando o advogado define o objetivo, controla os dados inseridos, revisa a resposta e assume a responsabilidade técnica pelo resultado entregue.

Como propõe a disciplina ética da advocacia, a IA não deve atuar como substituta do profissional. Ela funciona melhor como ferramenta de apoio para tarefas repetitivas, como resumir documentos extensos, classificar intimações, sugerir tarefas em agenda, comparar cláusulas contratuais e organizar argumentos preliminares para uma peça.

O ChatGPT pode responder a uma consulta sobre um tema jurídico, sem dúvida. Mas, veja bem, há muitos anos a clientela tem à disposição o Google, e é muito comum que faça nessa ferramenta a pesquisa antes de ir para a consulta no escritório. Mas nem por isso deixa de procurar os nossos serviços.

Na prática, um escritório pode usar IA para localizar precedentes sobre dano moral, mas precisa verificar se os acórdãos existem, se permanecem vigentes e se se aplicam ao caso concreto. Também pode pedir um rascunho de contestação, desde que revise competência, prazos, provas, pedidos e fundamentos legais.

Em departamentos jurídicos, a IA auxilia na análise de grandes volumes de contratos, identificando cláusulas de multa, foro, renovação automática e reajuste. Mesmo assim, a decisão sobre risco contratual exige leitura jurídica, conhecimento do negócio e validação humana, especialmente quando envolve dados pessoais, consumidores ou obrigações regulatórias.

O trabalho que custaria ao servidor de um tribunal entre 40 minutos e uma hora para fazer, o software faz em cinco segundos. Nossa ideia é replicar junto aos Tribunais Regionais Federais, aos Tribunais de Justiça, aos Tribunais Regionais do Trabalho, enfim, trata-se de uma ferramenta para toda a magistratura.

Quais riscos justificam a regulamentação da IA na advocacia?

Os principais riscos da IA na advocacia envolvem informações falsas, violação de sigilo, exposição indevida de dados pessoais, uso de precedentes inexistentes, discriminação algorítmica e delegação excessiva do raciocínio jurídico. A regulamentação da IA na advocacia busca reduzir esses riscos por meio de revisão humana, transparência e governança.

Ferramentas generativas podem produzir respostas convincentes e juridicamente incorretas. Esse fenômeno, conhecido como alucinação, gera citações falsas, artigos inexistentes ou conclusões incompatíveis com a jurisprudência. Quando o advogado protocola esse conteúdo sem conferência, ele não transfere a culpa ao sistema: continua responsável pela peça.

O CPC prevê deveres processuais claros. O art. 77 da Lei 13.105/2015 exige lealdade, boa-fé e cooperação de todos os participantes do processo. O art. 80 caracteriza litigância de má-fé em condutas como alterar a verdade dos fatos ou usar o processo para objetivo ilegal. O art. 81 autoriza multa e indenização.

Casos divulgados na imprensa jurídica mostram advogados que usaram IA para elaborar petições sem revisão adequada. Em uma situação, a peça mencionou incorretamente a figura de amicus curiae, foi rejeitada e gerou penalidade de aproximadamente R$ 2,6 mil por litigância de má-fé. O problema não foi a ferramenta, mas a ausência de conferência profissional.

A segurança da informação exige cautela adicional. Inserir contratos, documentos médicos, dados financeiros ou estratégias processuais em ferramentas públicas pode violar sigilo profissional e normas de proteção de dados. O advogado deve verificar política de privacidade, retenção de prompts, localização de servidores e possibilidade de treinamento do modelo com informações fornecidas.

Quais leis brasileiras já se aplicam ao mau uso de IA na advocacia?

Mesmo sem uma lei nacional específica sobre IA em vigor até 2025, o mau uso de inteligência artificial na advocacia já se submete ao Estatuto da OAB, Código de Ética, LGPD, Marco Civil da Internet, CPC, Código Civil, Código Penal e normas do CNJ. Essas regras permitem responsabilização ética, civil, processual e, em casos graves, criminal.

A Lei Geral de Proteção de Dados, Lei 13.709/2018, regula o tratamento de dados pessoais. Seus arts. 6º, 7º, 11 e 46 exigem finalidade legítima, base legal, segurança, prevenção e proteção contra acessos não autorizados. Escritórios que usam IA com dados de clientes devem mapear riscos e controlar acessos.

A Emenda Constitucional 115/2022 incluiu a proteção de dados pessoais no art. 5º, LXXIX, da Constituição Federal de 1988. Antes disso, o STF, nas ADIs 6387, 6388, 6389, 6390 e 6393, já havia reconhecido a relevância constitucional da autodeterminação informativa ao analisar compartilhamento massivo de dados pessoais.

O Marco Civil da Internet, Lei 12.965/2014, também incide em temas de guarda, acesso e privacidade em ambientes digitais. O Código Penal, Decreto-Lei 2.848/1940, pode entrar em discussão quando há falsidade documental, fraude, violação de segredo profissional ou uso indevido de credenciais. Cada enquadramento depende da conduta concreta.

A Resolução CNJ 332/2020 disciplina ética, transparência e governança no uso de IA pelo Poder Judiciário. Embora não regule diretamente escritórios privados, ela funciona como referência institucional relevante, pois enfatiza auditabilidade, não discriminação, explicabilidade e controle humano nos sistemas aplicados ao ambiente judicial.

O que o PL 2338/2023 pode mudar na regulamentação da IA na advocacia?

O PL 2338/2023 propõe um marco legal brasileiro para inteligência artificial, com direitos de pessoas afetadas, classificação de riscos, deveres de governança e regras de responsabilidade. Para a advocacia, o texto interessa porque pode impactar ferramentas jurídicas, bases de dados, automação documental e sistemas usados em decisões com efeitos relevantes.

Além da redação da OAB/AC, o debate legislativo nacional busca estabelecer limites gerais para desenvolvimento, implementação e uso de sistemas de IA. Até 2025, o texto ainda dependia da conclusão do processo legislativo para se transformar em lei vigente.

Art. 2º O desenvolvimento, a implementação e o uso de sistemas de inteligência artificial no Brasil têm como fundamentos: I – a centralidade da pessoa humana; II – o respeito aos direitos humanos e aos valores democráticos; III – o livre desenvolvimento da personalidade; IV – a proteção ao meio ambiente e o desenvolvimento sustentável; V – a igualdade, a não discriminação, a pluralidade e o respeito aos direitos trabalhistas; VI – o desenvolvimento tecnológico e a inovação; VII – a livre iniciativa, a livre concorrência e a defesa do consumidor; VIII – a privacidade, a proteção de dados e a autodeterminação informativa; IX – a promoção da pesquisa e do desenvolvimento com a finalidade de estimular a inovação nos setores produtivos e no poder público; e X – o acesso à informação e à educação, e a conscientização sobre os sistemas de inteligência artificial e suas aplicações.

Para ler o projeto completo, acesse aqui. O texto interessa a advogados porque trata de direitos de pessoas afetadas por IA, responsabilidade civil, transparência, propriedade intelectual e deveres de agentes que desenvolvem ou aplicam sistemas automatizados.

O Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Superior Tribunal de Justiça, já comentou em entrevistas públicas que a regulação busca enfrentar direitos de pessoas impactadas por IA, responsabilidade civil e propriedade intelectual. Esses temas podem alcançar desde pareceres automatizados até sistemas de análise preditiva e triagem de documentos em massa.

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Como aplicar a regulamentação da IA na advocacia em escritórios jurídicos?

Escritórios jurídicos devem aplicar a regulamentação da IA na advocacia por meio de políticas internas, controle de dados, revisão obrigatória e registro das etapas de uso. O objetivo é transformar a IA em ferramenta segura, documentada e compatível com sigilo profissional, LGPD, deveres éticos e qualidade técnica das entregas.

Quais procedimentos reduzem riscos no uso diário?

O primeiro passo é definir quais atividades admitem IA, como resumos, pesquisas preliminares, organização de documentos e minutas internas. O segundo é proibir a inserção de dados sigilosos em ferramentas públicas sem base jurídica, contrato adequado e análise de segurança. O terceiro é exigir revisão humana antes de qualquer envio externo.

O quarto passo é criar um checklist de validação. Ele deve incluir conferência de leis, artigos, prazos, jurisprudência, nomes das partes, documentos anexos e pedidos. Em peças processuais, a equipe deve verificar o art. 434 do CPC, que trata da instrução da petição com documentos indispensáveis, e os prazos aplicáveis ao procedimento.

O quinto passo é registrar o uso da IA quando a governança interna exigir rastreabilidade. Esse registro pode indicar ferramenta, data, finalidade, responsável e revisão feita. Em áreas reguladas, como financeiro, saúde, seguros e dados sensíveis, a documentação ajuda a demonstrar diligência em auditorias, incidentes ou questionamentos de clientes.

Como funciona a inteligência artificial do Projuris ADV?

A inteligência artificial do Projuris ADV apoia a rotina do advogado com sugestões de tarefas, organização de prazos e integração com fluxos de trabalho jurídico. O uso deve seguir o mesmo padrão ético: a ferramenta auxilia, mas o profissional revisa, valida e decide antes de assumir qualquer providência no processo ou no atendimento ao cliente.

No Projuris ADV, o advogado pode usar IA de duas maneiras. A primeira ocorre por meio da IA nativa do sistema, que sugere tarefas e prazos para inclusão em agenda. Antes de aceitar a sugestão, o usuário deve avaliar se a intimação, o andamento e a regra processual realmente justificam aquele compromisso.

A segunda forma envolve recursos de IA generativa, úteis para pesquisa, estruturação de ideias e rascunhos de peças. Em ambos os casos, a regulamentação da IA na advocacia aprovada pela OAB/AC reforça a mesma regra: a revisão humana permanece obrigatória, especialmente em prazos, fundamentos, pedidos e dados sigilosos.

Para saber mais sobre a IA no Projuris ADV, faça um teste grátis do sistema.

Qual conclusão os advogados devem tirar sobre a regulamentação da IA na advocacia?

A regulamentação da IA na advocacia não impede o uso de tecnologia, mas exige método, supervisão e responsabilidade. O advogado pode ganhar produtividade com IA, desde que proteja dados, confira fontes, preserve o sigilo, registre decisões relevantes e nunca entregue a uma ferramenta a decisão jurídica que cabe ao profissional.

A decisão da OAB/AC antecipa uma tendência de governança profissional. Mesmo antes de uma lei nacional específica, escritórios que criarem políticas internas, treinarem equipes e auditarem ferramentas reduzem riscos éticos, processuais e reputacionais. A tecnologia melhora a rotina quando opera sob controle jurídico, não quando substitui critério técnico.

Perguntas frequentes sobre regulamentação da IA na advocacia

O que é regulamentação da IA na advocacia?

Regulamentação da IA na advocacia é o conjunto de regras e diretrizes que orienta o uso de inteligência artificial por advogados. Ela envolve ética profissional, sigilo, revisão humana, proteção de dados, responsabilidade por peças e controle de ferramentas usadas em pesquisas, minutas, prazos e atendimento jurídico.

Advogado pode usar ChatGPT para fazer petição?

Regulamentação da IA na advocacia permite o uso de ferramentas generativas como apoio, mas não autoriza protocolo sem revisão. O advogado deve conferir fatos, provas, fundamentos legais, jurisprudência, pedidos e prazos. Se a peça contiver erro, citação falsa ou dado sigiloso exposto, a responsabilidade continua sendo profissional.

A OAB proibiu inteligência artificial na advocacia?

Regulamentação da IA na advocacia não equivale à proibição de tecnologia. A OAB/AC orientou o uso responsável, com supervisão humana e respeito ao Código de Ética. A lógica é permitir ganhos de produtividade sem violar sigilo, independência técnica, dever de diligência e confiança na relação advogado-cliente.

Quais dados não devem ser inseridos em ferramentas públicas de IA?

Regulamentação da IA na advocacia recomenda cautela com dados pessoais, dados sensíveis, contratos sigilosos, estratégias processuais, documentos de clientes, informações financeiras e provas ainda não públicas. Antes de inserir qualquer conteúdo, o advogado deve verificar base legal, política da ferramenta, retenção de dados e autorização aplicável.

Quais leis se aplicam ao uso de IA por advogados?

Regulamentação da IA na advocacia convive com normas já vigentes, como Lei 8.906/1994, Código de Ética da OAB, LGPD, Marco Civil da Internet, CPC, Código Civil e Código Penal. Dependendo da conduta, o mau uso pode gerar sanção ética, multa processual, indenização ou responsabilização criminal.

Como criar uma política interna de IA no escritório?

Regulamentação da IA na advocacia deve inspirar políticas internas com lista de usos permitidos, proibições, regras de anonimização, aprovação de ferramentas, checklist de revisão e treinamento da equipe. O escritório também deve registrar incidentes, atualizar procedimentos e definir responsáveis pela governança tecnológica e proteção de dados.

A PL 2338, de 33 páginas, do Senador Rodrigo Pacheco, dispõe acerca da IA na advocacia, direitos e deveres de uso, crimes relacionados, etc. O artigo 2º do projeto traz como fundamentos:

Tiago Fachini - Especialista em marketing jurídico

Mais de 300 mil ouvidas no JurisCast. Mais de 1.200 artigos publicados no blog Jurídico de Resultados. Especialista em Marketing Jurídico. Palestrante, professor e um apaixonado por um mundo jurídico cada vez mais inteligente e eficiente. Siga @tiagofachini no Youtube, Instagram e Linkedin.

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