Como ser um bom argumentador (4 dicas)

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Escritor, orador, contador e marketeiro são apenas algumas das competência de um advogado, transformando-o praticamente em um Leonardo da Vinci moderno. Mas sem dúvida uma das maiores qualidades, que permeia todas as que foram citadas até aqui, é a de argumentador. Através da argumentação o profissional jurídico estimula seu poder de convencimento e a capacidade de expor e defender suas ideias, o que, claramente, tem tudo a ver com sua profissão.

O debate é sempre muito incentivado na faculdade, e alguns advogados inclusive enxergam a argumentação com esse viés restrito: um recurso a ser utilizado em um debate ou confronto de ideias. No entanto, não é pensado que argumentar está presente em outras etapas do exercício profissional, como convencer um cliente, fazer uma apresentação em público e até mesmo dialogar consigo mesmo diante de alguma adversidade para adquirir autoconfiança e motivação.

Levando em consideração esta concepção, mais ampla, pensamos em sete dicas que podem te ajudar no momento de argumentar, quando se está preparado e também quando você é pego de surpresa e repentinamente entra numa discussão.

Faça perguntas

Se você quer responder as perguntas à altura e dominar o assunto, é importante que faça perguntas para entender o terreno que está pisando. Claro, para isso é importante formular perguntas embasadas e que tenham o papel de estender a fala da outra pessoa sobre o assunto discutido.

Assim, você conseguirá que seu interlocutor afunile o tema. Será mais fácil no momento de elaborar seu argumento e mais fácil de, por exemplo, entender o real problema de um cliente, assim como direcionar o rumo desta conversa para uma zona onde seus argumentos surtirão mais efeito.

Empatia

Já escrevemos aqui sobre como a empatia (e a comunicação) pode(m) colaborar com você no momento de fazer uma negociação. No caso da argumentação, a lógica se repete. É preciso se colocar no lugar do outro para entender sua fala. Toda ideia vem carregada, no seu íntimo, de valores pessoais da pessoa que a está expondo. Muitas vezes, de preceitos e perspectivas distorcidas.

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A palavra chave desta dica é paciência, porque muitas vezes a atitude de ouvir o outro pode ser um trabalho hercúleo. Mais uma vez: nenhum argumento é rigorosamente objetivo, ele possui grandes influências subjetivas. Utilize isso como estratégia e não deixe de fora, na elaboração de um caso, esse capital humano, esses detalhes e vírgulas que podem enriquecer sua defesa. É necessário muita sabedoria para absorvê-lo do seu cliente e, mais ainda, levá-lo adiante.

Caberia um tópico exclusivo à autocrítica, mas ela se encaixa perfeitamente neste contexto. Entender quais são suas deficiências, dentro de um processo argumentativo, é ganhar pontos. “Não tenho opinião formada sobre isso”, “Olha, não consigo te dar esta resposta agora, mas ainda hoje posso pesquisar sobre e te informar”. Claro que ter todas as respostas na ponta da língua é o melhor caminho, mas ser honesto para admitir suas limitações fortalece o relacionamento e conquista confiança.

Antecipação

Preparar-se verdadeiramente para um debate, uma conversa, é ter pelo menos uma ideia de quais são os argumentos que virão em sua direção. A preparação é dupla: estudar sua argumentação e a do outro. Dessa forma é criado “contra-ataque”. Para um cliente, por exemplo, você se torna uma autoridade no assunto.

Interdisciplinaridade

Faça um exercício diário: estude sobre vários assuntos, mesmo que não estejam dentro de sua especialidade. Uma das belezas do jurídico é a quantidade de assuntos que ele aborda, a possibilidade gigante de temas e especialidades sobre os quais estudar. Você pode ler, por exemplo, em 10 rápidos minutos, sobre o novo CPC, sobre compliance e Big Data Jurídico.

Além de fazer bem pra você, como pessoa, será um dos seus maiores diferenciais profissional e, dentro de um contexto argumentativo, lhe dará suporte para, com facilidade, percorrer vários temas com propriedade e criar analogias que polirão suas ideias.

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