Brasil–USA: A tecnologia jurídica do futuro que já é realidade na terra do Tio Sam

Os Estados Unidos são quase uma unanimidade entre os brasileiros. Quando converso sobre os Estados Unidos com meus conhecidos aqui no Brasil, vejo o desejo de conhecer, de saber mais e de visitar esta potência mundial em evidência no brilho dos olhos destas pessoas. Dificilmente encontro receio ou preconceito com relação a qualquer coisa originária desta grande nação.

Esta admiração ou, no mínimo, boa vontade não chega a nós sem motivo. Boa parte do que consumimos diariamente na mídia, moda, alimentação, música e, claro, tecnologia vem do lado de lá da América e, ao longo dos anos, tem reforçado nos brasileiros esta imagem positiva de referência em qualidade de vida e de consumo.

Não é à toa que 60% dos jovens pensam em sair do Brasil.  A qualidade de vida bastante acima da média nacional, as imensas oportunidades de estudo e trabalho, além das tendências cada vez mais futuristas da tecnologia são chamarizes quase que irresistíveis para aqueles sedentos por evolução pessoal e profissional.

Embarcando nesta jornada, visitei recentemente os Estados Unidos, atraído essencialmente por esta mesma sede. Estive na região do vale do silício em San Francisco na Califórnia – berço da efervescência tecnológica dos Estados Unidos desde a década de 60.

Durante quase 10 dias visitei diariamente diversas das maiores líderes mundiais em tecnologia e inovação com o intuito de descobrir como o nosso futuro está sendo moldado, hoje, lá nas terras do Tio Sam e, dentro do possível, conseguir adaptar um pouco disso tudo para a realidade brasileira, acelerando o nosso futuro tupiniquim e garantindo assim ainda mais eficiência para os profissionais jurídicos daqui do gigante da América do Sul.

As visitas foram mega educativas e variaram entre empresas gigantes de tecnologia como Google, Facebook, Linkedin até empresas especificamente da área de tecnologia jurídica, já que, obviamente, tem relação direta com a minha atuação com o ProJuris aqui no Brasil.

Os aprendizados foram diários e, acima de tudo, marcantes. Vamos lá:

1.      Educação e cultura: O futuro por lá chega mais cedo mesmo

A organização e constância do governo no incentivo elevado e continuado à educação de qualidade garante aos Estados Unidos um acelerado nível de transformação de intelecto em ativos comerciais de qualidade.

Existe uma cultura de que criação de pesquisas e estudos de todo tipo e em grande escala, sempre visando aplicação dos aprendizados em algum tipo de utilização comercial.

2.      Empresas e universidades trabalham muito próximas

Muitas das empresas que visitei nasceram dentro de universidades ou com o apoio de universidades, professores ou de algum tipo de entidade relacionada com o mundo acadêmico. A universidade é vista como um centro de pesquisa e inovação e estas descobertas acabam por gerar subsídios para uma série de oportunidades comercialmente viáveis, comportamento que, infelizmente, vemos pouco por aqui.

3.       Tecnologia para ganho de eficiência e produtividade

Os americanos estão, da mesma forma como nós brasileiros, em busca de ainda mais eficiência através da adoção da tecnologia nas rotinas do dia a dia. Eles não só inventaram metodologia para aceleração de crescimento corporativo e inovação em produtos como são líderes em documentação, bibliografia e, claro, na prática de tudo isso.

O resultado desta liderança é clara e sentida na prática. Novos produtos e novas tecnologias sendo lançados e patenteados a todo momento. Uma enxurrada de tendências que, infelizmente, demoramos a conseguir acompanhar, configurando, em minha visão, um delay ou barreira tecnologico-cultural.

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4.      Robôs e inteligência artificial no jurídico

Sim, os robôs e a inteligência artificial já estão presentes no jurídico americano. Não é papo de skynet nem nada do tipo, mas por lá, já existem algumas tecnologias que usam a inteligência artificial para ajudar, e muito, algumas áreas da advocacia.

São centenas de iniciativas separadas, cada uma focada em um problema e que, somando-se, agilizam e muito a vida no jurídico. Mas…

Aqui é importante abrir um parêntesis para explicar a diferença entre Civil Law e Common Law. Brasil e Estados Unidos tem sua lei baseada nestes 2 conceitos diferentes e, consequentemente, toda nosso entendimento e tratativa sobre o mundo judiciário acabam diferindo um pouco.

As coisas por lá funcionam diferente. Os tribunais tem sua autonomia distribuída de forma diferenciada em comparação com o Brasil e, sem dúvida, muito mais acesso à tecnologia e, principalmente, PADRONIZAÇÃO tecnológica, o que garante aos americanos muito mais agilidade na busca, tratamento e análise de dados de todas as esferas jurídicas. Por aqui ainda vamos penar bastante para chegar neste modelo enquanto o Modelo Nacional de Interoperabilidade do CNJ não sair do papel.

Por lá já existem ferramentas que utilizam inteligência artificial para análise de documentos, análise de argumentação de petições, geração de documentos, automação de busca e análise de andamentos, predição de resultados e muitas outras. Tem bastante coisa boa aparecendo por lá que, nem sempre se aplicam em sua totalidade por aqui. O fato é que muita coisa boa virá pra cá quando tivermos como absorver a tecnologia e normalizar os dados.

5.      Normalização de uma base gigantesca de dados

O Brasil possui uma infinidade de processos judiciais ativos. Nossa justiça tem uma demanda 10 vezes maior que a demanda dos Estados Unidos e não conta com a padronização necessária para agilizar estas tratativas, já citadas anteriormente no Modelo Nacional de Interoperabilidade.

Por aqui cada tribunal tem um software e trata os dados de seus processos de uma forma diferente, o que dificulta a ponto de inibir ou até inviabilizar a capacidade de empresas unificarem e organizar uma base nacional confiável de dados jurídicos para que, com ela, fosse possível iniciar o uso de inteligência artificial para análise e predição.

O tamanho desta base também é um problema. A capacidade computacional necessária para avaliar e atualizar andamentos de cada um dos 90 milhões de processos ativos no Brasil toma uma proporção técnica e financeira gigante, dificultando bastante a obtenção de avanços significativos neste momento.

6.      É questão de tempo

Aqui no ProJuris já estamos atuando alinhados com esta realidade de futuro. Já estamos caminhando para o caminho onde o jurídico é cada vez mais estratégico e menos manual ou repetitivo. Nosso software jurídico é desenhado para resolver problemas do dia a dia do profissional dos departamentos jurídicos, permitindo que este use seu tempo em atividades realmente relevantes para sua corporação.

Já temos capacidade de uso de inteligência artificial em algumas formas e variações. Ainda não é a realidade americana mas temos ajudados milhares de advogados todos os dias a serem mais eficientes e, com o que ainda estamos desenvolvendo, tenho certeza que este futuro vai estar, em breve, acessível e eficiente para muito mais departamentos jurídicos.

Venha viver e desenvolver este sonho com a gente, pois aqui, ele já está, a cada dia, um pouco mais perto de nós.

Tiago Fachini é CMO da ProJuris Software Jurídico. Escreve à Universidade ProJuris bimestralmente.

Comentários 2

  1. Ainda a realidade americana influêncie nossos problemas, somos dependentes. A eficiência jurídica é o desafio. Celeridade na pretação jurisdicional. Adequação da leis. Retirar do Poder Judiciário a manobra política. Trocar Tribunal Político, por Tribunal de Jusatiça. O jargão a justiça tarda mais não falha, porém o paciente morre sem remédio.

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